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    Fantoches e outros contos -

    Erico Verissimo

    Companhia das Letras
    2007
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-13: 9788535910902
    Português Brasileiro
    3.7
    145 avaliações
    Leram293Lendo14Querem233Relendo1Abandonos6Resenhas8
    Favoritos9Desejados233Avaliaram145

    O encontro do Erico Verissimo autor principiante e escritor veterano numa edição especial, que reúne os contos de seu livro de estréia a contos da maturidade. Com anotações manuscritas e ilustrações do autor. Reconhecido como um dos clássicos brasileiros do século XX, Erico Verissimo estreou na literatura em 1932 com o volume de contos Fantoches. Décadas depois, fez apontamentos manuscritos e ilustrações para a edição comemorativa do quadragésimo aniversário da publicação do livro. Neles, o escritor consagrado observa as narrativas do jovem principiante com olhar exigente, mas também com humor. Na primeira parte desta reedição da Companhia das Letras estão os fac-símiles das páginas de Fantoches anotadas por Erico. Escritos em forma de pequenas peças de teatro, os contos do jovem estreante já revelam as qualidades que seriam desenvolvidas na maturidade. Quanto aos defeitos do principiante, o próprio Erico se encarrega de apontá-los e comentá-los. Depois de Fantoches, Erico só praticou o conto esporadicamente - e com maior domínio de suas técnicas. As seis narrativas breves incluídas na segunda parte deste livro revelam o engenho do criador de mundos e contador de histórias.

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    Resenhas (8)Ver mais
    Filipe Quevedo picture
    Filipe Quevedo03/04/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Eu, Verissimo e seu primogênito

    <i>"Há uns vinte anos, relendo os contos que formam o presente volume, tive a sensação de ser pai de mim mesmo. Tornando a lê-los agora, vinte anos mais tarde, sinto-me como se fosse o meu próprio avô..."</i> - Erico Verissimo, 1972. Primeiro livro lançado por Verissimo em 1932, Fantoches e outros contos é formado por diversos textos, na maioria bem curtos, alguns em formato de peças teatrais. Em 1972 a editora Globo, em comemoração aos 40 anos do lançamento do livro, resolveu fazer uma edição "fac-similada" e ainda convidou Erico para que ele tecesse comentários dos textos contidos no volume. Assim, as páginas de <b>Fantoches</b> (nome da primeira parte do livro), até pouco mais de sua metade, são peculiares. É até difícil explicar mas vou tentar. As margens verticais de fora (as que ficam junto ao corte) são largas (medi 4,5cm nesta minha edição), assim como as margens horizontais inferiores (também 4,5cm). São nestas margens que Erico faz os comentários sobre os textos, bem como ilustrações. Isso torna o livro bastante bonito em sua composição gráfica. <i>"Concluí que seria de algum interesse fazer, de meu próprio punho, algumas notas críticas ou simplesmente informativas às margens destas páginas. Quanto às ilustrações, reconheço que são absolutamente desnecessárias. Se as fiz, foi somente para me divertir."</i> - Erico Verissimo, 1972. Ele sublinha passagens nos textos e depois as comenta; faz balõezinhos com notas; faz quadradinhos com críticas, desenha personagens... O que pode ser um empecilho é a caligrafia de Verissimo. Às vezes é difícil entender a escrita cursiva do autor. Posso dizer, no mínimo, que já vi letras mais legíveis... A partir da página 217 o livro, em sua parte gráfica, torna-se comum ao começar a parte <b>Outros contos</b>. O último texto da parte <b>Fantoches</b> chama-se Nanquinóte e este me foi assaz especial. Nele "um autor" cria (desenha) um personagem à sua própria imagem. Logo depois de terminado, o bonequinho, Nanquinóte, ganha vida e começa a conversar com seu pai. Diz para ele que deseja a liberdade, quer desbravar o mundo. O autor não quer conceder, deseja proteger seu filho do mundo agressor. Nanquinóte foge, então. O final você terá que descobrir... (Muitos outros textos do livro tratam dessa relação entre criador e criatura.) Difícil explicar como criei tanta empatia por essa historieta em tão poucas páginas. Parecia-me que o bonequinho realmente existia e me peguei desejando conhecê-lo. Tomei as dores do autor e também quis proteger Nanquinóte da vida. Talvez o fato de haver no livro vários desenhos do bonequinho feitos por Erico tenha o tornado mais real. Ah, como em alguns singelos momentos a literatura é capaz de transcender-se! Ademais, não achei nenhum textos do livro ruim, no máximo fiquei indiferente a alguns. É, pois, muito interessante conhecer textos do início de carreira de um autor e mais interessante ainda ver um escritor revisitando sua obra, lendo suas próprias histórias 40 anos depois de tê-las escrito e, de alguma maneira, conversando com seu Eu mais jovem. O livro vale muito a pena.

    11 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 145
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas30%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas3%
    Erico Lopes Verissimo profile picture

    Erico Lopes Verissimo

    Erico Lopes Verissimo (1905 - 1975), nascido em Cruz Alta (RS), foi um escritor brasileiro. Com uma prosa simples e de fácil leitura, tornou-se um dos escritores mais populares da literatura brasileira. Em 1932, publicou seu primeiro livro, ‘Fantoches’, e em 1938 obteve sucesso com o romance ‘Olhai os Lírios do Campo’, que lhe deu projeção nacional como escritor. "Posso afirmar que só depois do aparecimento de 'Olhai os Lírios do Campo' é que pude fazer profissão da literatura". Seu trabalho mais conhecido, todavia, é a trilogia ‘O Tempo e o Vento’, publicada entre 1949 e 1962. Trata-se de um romance histórico que se situa em diversos momentos da história do Rio Grande do Sul. Embora não possuísse diploma de curso superior, Verissimo lecionou literatura brasileira nos Estados Unidos e foi diretor de revistas. Em 1971, lançou ‘Incidente em Antares’, uma obra crítica ao regime militar brasileiro. Na periodização literária, Verissimo pode ser enquadrado na segunda fase do modernismo no Brasil, caracterizado pelos romances regionalistas. Verissimo retratou em suas obras aspectos sociais, políticos e históricos do Rio Grande do Sul. Seus romances são marcados pela abordagem realista dos personagens e da sociedade, explorando temáticas como as desigualdades sociais, as relações familiares, o contexto político e as transformações históricas. Um dos principais aspectos de sua escrita é a capacidade de retratar a psicologia dos personagens, explorando suas motivações, dilemas e conflitos internos. Além disso, Verissimo demonstra sensibilidade ao retratar o cotidiano, a vida simples e os dramas humanos. Verissimo também escreveu obras em outros gêneros, como ficção didática (Viagem à Aurora do Mundo), literatura infantil (Os Três Porquinhos Pobres) e uma autobiografia (Solo de Clarineta). CONTOS Fantoches – 1932 Chico – 1932 As mãos de meu filho – 1942 O ataque – 1958 Outros contos – 1972 ‘Os devaneios do general’ ‘O navio das sombras’ Galeria fosca – 1987 ROMANCES Clarissa – 1933 Caminhos cruzados – 1935 Música ao longe – 1936 Um lugar ao sol – 1936 Olhai os lírios do campo – 1938 Saga – 1940 O resto é silêncio – 1943 O tempo e o vento (1ª parte) — O continente – 1949 O tempo e o vento (2ª parte) — O retrato – 1951 O tempo e o vento (3ª parte) — O arquipélago – 1962 O Senhor Embaixador – 1965 O prisioneiro – 1967 Incidente em Antares – 1971 LITERATURA INFANTOJUVENIL A vida de Joana d'Arc – 1935 As aventuras do avião vermelho – 1936 Os três porquinhos pobres – 1936 Rosa Maria no castelo encantado – 1936 Meu ABC – 1936 As aventuras de Tibicuera – 1937 O urso com música na barriga – 1938 A vida do elefante Basílio – 1939 Outra vez os três porquinhos – 1939 Viagem à aurora do mundo – 1939 Aventuras no mundo da higiene – 1939 Gente e bichos – 1956 NARRATIVAS DE VIAGENS Gato preto em campo de neve – 1941 A volta do gato preto – 1946 México – 1957 Israel em abril – 1969 AUTOBIOGRAFIAS O escritor diante do espelho – 1966 (em ‘Ficção Completa’) Solo de clarineta – Memórias (1º volume) – 1973 Solo de clarineta – Memórias 2 – 1976 (ed. póstuma, organizada por Flávio L. Chaves) ENSAIOS Brazilian Literature – an Outline – 1945 Mundo velho sem porteira – 1973 Breve história da literatura brasileira – 1995 (tradução de Maria da Glória Bordini) BIOGRAFIA Um certo Henrique Bertaso – 1972 COMPILAÇÕES Suas obras foram compiladas em três ocasiões: Obras de Érico Veríssimo – 1956 (17 volumes) Obras completas – 1961 (10 volumes) Ficção completa – 1966 (5 volumes)

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    Rio Grande do Sul, Brasil

    Erico Lopes Verissimo