A Hero of Our Time -

    Mikhail Liérmontov

    Penguin Classics
    1966
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9780140441765

    "You will say that no man can be so bad... "And I will ask you why, after accepting all the villains of tragedy and romance, you refuse to believe in Pechorin... Perhaps he comes too close to the bone?" Lermontov's hero, Pechorin, who so antagonized the critics, is certainly a dangerous man, Byronic in his wasted gifts, his cynicism, his predatory and flamboyant energy for any kind of action that will stave off boredom. Here, in five linked episodes, Lermontov builds up the portrait of a man caught in and expressing the sickness of his times. It is a marvellous novel and an early landmark in Russian literature, inspiring Tolstoy, Dostoyevsky and Chekhov among others in the great stream of nineteenth-century masters that followed.

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    Érika Batista15/02/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Não nos deixa indiferentes

    Provavelmente escreverei uma resenha mais completa desse livro nos próximos dias, mas como esse tipo de resenha não cabe — literalmente — aqui, achei melhor aproveitar para deixar registradas umas poucas impressões frescas da leitura. "O herói do nosso tempo" de Mikhail Lermontov pode não ser muito conhecido, porém é uma das obras mais importantes da literatura russa, sendo considerado o primeiro romance psicológico dela, antecessor das grandes obras de Dostoiévski ou Tolstói, pela forma como explora os pensamentos de seu protagonista. No livro, acompanhamos algumas aventuras de Grigóri Pietchórin, um oficial do exército russo bastante mulherengo e um pouco encrenqueiro servindo no Cáucaso. O livro está separado em duas partes, cada uma contendo alguns capítulos focados em episódios diversos da sua vida. No início, ouvimos sobre ele por um narrador externo. Aliás, por um ex-companheiro de regimento que conta sobre ele ao narrador do livro. Um pouco depois, recebemos acesso ao diário de Pietchórin, em que ele mesmo registra acontecimentos anteriores aos narrados pelo companheiro, e também seus pensamentos e sentimentos nessas ocasiões. A organização não cronológica do livro é uma sacada genial, pois nos permite formar o conceito do personagem gradualmente: primeiro conhecemos só sua fama, filtrada por opinião alheia; depois o vemos pessoalmente; depois entramos na sua cabeça. E, gradualmente, passamos a odiá-lo. Certo, pode ser que alguns leitores não o odeiem, mas motivos não faltam, e ele mesmo os declina. Seu comportamento é mesquinho, seus sentimentos também, mesmo quando se abre e mostra aparente sinceridade, ele o faz em momentos que o beneficiam, se contradiz e foge de todo impulso bom que o assalte. A retratação é propositalmente ruim — e, quiçá, justa. Lermontov tinha uma relação complicada com a sociedade da sua época. Apesar de seguir seus critérios de sucesso em certas coisas, ele despreza as métricas e valores e os modos da época em que vive. Ao pintar um bonitão desprezível como o "herói do seu tempo", ele deu uma bofetada na cara da sua sociedade. E uma bofetada bonita: o livro é emocionante, redondinho, com uma pegada meio cinematográfica nas comedidas descrições das paisagens do Cáucaso e nas cenas de ação, e uma previsibilidade e teatralidade em certos eventos que, ao contrário de estragar o livro, combinam muito bem com o seu estilo. A obra certamente não consegue nos deixar indiferentes. Apresenta personagens vivos, pensamentos provocantes e a pergunta: será que o NOSSO tempo já superou Pietchórin? Ou como seria o herói do nosso tempo? Recomendo bastante o livro, quando você estiver com ânimo para se indignar e refletir, claro.

    10 curtidas

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