Só mais um esforço - Como chegamos até aqui ou como o país dos “pactos”, das “conciliações”, das “frentes amplas” produziu seu próprio colapso

    Vladimir Safatle

    Vestígio
    2022
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9786586551723
    Português Brasileiro

    “Uma das contribuições mais importantes deste livro é a proposta de refundação da esquerda, a partir de um programa efetivamente antissistêmico: democracia direta, gestão coletiva dos recursos públicos, de sistemas de crédito e do patrimônio ecológico, confisco de aparelhos produtivos para serem geridos pelos próprios trabalhadores, salário máximo, restrição do direito à propriedade privada. Só uma esquerda que não tem medo de dizer seu próprio nome, que assume a luta de classes e se identifica com o proletariado como sujeito político com força revolucionária – principal tese da teoria marxista da revolução – será capaz de superar os impasses aos quais nos levou um “reformismo fraco”, que confundiu política com gestão. Este livro corajoso, polêmico, instigante é não apenas uma análise, um estudo e um diagnóstico da atual conjuntura histórica do Brasil, mas um chamado à ação: Agora não é hora de medo. Agora é hora de luta.” — Michael Löwy Fazendo uma análise da esquerda brasileira, do colapso do lulismo e do que 2013 significou para o Brasil, quando parte da força dos protestos foi potencializada pela extrema-direita e seu fascismo ordinário, Vladimir Safatle escreve para quem acredita que há de se estar preparado para que acontecimentos ocorram ou para desejar que eles ocorram. Ele escreve para quem está disposto a fazer só mais um esforço para a futura refundação da esquerda brasileira.

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    Jess Carmo13/02/2021Resenhou um livro
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    Para a esquerda, só mais um esforço

    Trata-se de um manifesto da emergência de uma nova esquerda brasileira. Safatle apresenta certos impasses e esgotamento da esquerda. Para o filósofo, ela se limitou a reivindicar pautas de reconhecimento. Esse é um movimento de "compensação à inexistência de um discurso econômico de esquerda com clara força de transformação e com capacidade de implicar as classes empobrecidas" (p. 36). Entretanto, Safatle não quer deslegitimar essas pautas, como se não devêssemos lutar pela vida de grupos historicamente oprimidos, como mulheres, LGBTs. A esquerda não pode e não deve se afastar dessas pautas, mas também não deve se restringir a elas, já que são pautas facilmente capitáveis pelo cinismo do capital. Dessa maneira, devemos colocar em nosso horizonte a capacidade de pensar um discurso político-econômico de esquerda que não se resigne à pautas historicamente liberais, como austeridade fiscal, dívida pública, combate estéril à corrupção e representação política. Perdemos a capacidade de colocar em pauta reformas realmente significativas, revolução, soberania popular, liberdade... Atualmente, o que diferencia a esquerda da direita é "a intensidade da aplicação das mesmas políticas" (ibidem) e isso deveria nos envergonhar.

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