Cranford -

    Elizabeth Gaskell

    Pedrazul
    2022
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-13: 9788566549287
    Português Brasileiro

    Cranford foi inspirado em uma cidadezinha chamada Knutsford, em Cheshire, Inglaterra, onde Gaskell passou grande parte de sua infância com sua tia Hannah Lumb, e é considerado uma obra autobiográfica. As aventuras e desventuras de moradores de uma cidade interiorana em meados do século XIX, principalmente mulheres, solteironas ou viúvas, que se esforçam para viver com dignidade, apesar dos parcos recursos financeiros. Cranford é uma pequena sociedade em que o amor, o riso e a dor permeiam o dia a dia das pessoas. Amores antigos que batem à porta, mas o destino é quem dita seus finais. Em meio a tudo isso, o retorno do irmão desaparecido de Miss Matty, Mr. Peter, simbolizando o ideal da própria autora, cujo único irmão foi para a Índia e nunca mais voltou. Ainda curioso sobre Cranford? Cranford nos transporta para a vida interiorana em uma cidadezinha fictícia da Inglaterra do século XIX dominada pelas mulheres. As aventuras e desventuras de personagens marcantes como a doce Miss Matty e a autoritária Mrs. Jekins são narradas de uma maneira dinâmica, ligeiramente cômica e muito envolvente. Personagens como o capitão Brown, um viúvo com duas filhas moças, que se mudam para o vilarejo gerando muita curiosidade e falatório. Lady Glenmire; o médico, Mr. Hoggins, e Mrs. Jamieson darão ao leitor uma boa dose de reflexão. Será que se pode amar mais de uma vez? E Mr. Holbrook, o que o destino reserva para ele?! Edição ilustrada originalmente

    Edições (6)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover

    Similares (20)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (72)Ver mais
    Karen  picture
    Karen 16/08/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Vida em Cranford

    "Cranford", de Elizabeth Gaskell, é uma obra que transcende as convenções do romance vitoriano, oferecendo uma visão delicada e, ao mesmo tempo, incisiva da vida em uma pequena cidade inglesa. Publicado pela primeira vez em 1851, este livro não se limita a narrar eventos de grande magnitude, mas concentra-se na minúcia da vida cotidiana, nas relações humanas e nas transformações sutis que moldam o caráter de uma comunidade. Gaskell escreveu "Cranford" em uma época em que a sociedade inglesa estava passando por mudanças significativas, tanto econômicas quanto sociais. O cenário da Revolução Industrial contrasta com a tranquila Cranford, uma cidade que parece estar congelada no tempo, longe da agitação das grandes cidades como Londres ou Manchester. A autora, no entanto, habilmente mostra como mesmo as cidades mais remotas não estão imunes às ondas de mudança que varrem a nação. A pequena cidade de Cranford é um microcosmo das tensões entre o antigo e o moderno, o tradicional e o progressista. O ponto focal do livro é a comunidade de mulheres que habitam Cranford. Principalmente composta por viúvas e solteironas, essa comunidade é regida por um código de conduta que valoriza a decência, a modéstia e as aparências. Entre essas mulheres, destaca-se Miss Matty Jenkyns, cujo coração bondoso e levemente ingênuo a torna uma personagem central, quase maternal, na narrativa. Sua jornada de aceitação e adaptação às mudanças, especialmente diante de crises financeiras e emocionais, é comovente e universal. Gaskell aborda com maestria temas como a vulnerabilidade feminina em uma sociedade dominada por homens, a importância das aparências e as complexidades das relações sociais em uma comunidade pequena. Há uma constante tensão entre a necessidade de conformidade e o desejo de individualidade. Ao retratar essas mulheres, Gaskell não apenas as humaniza, mas também as eleva, mostrando sua resiliência diante das adversidades. "Cranford" não segue uma estrutura narrativa linear tradicional. Ao invés disso, o livro é uma série de vinhetas que, juntas, formam um retrato completo da vida em Cranford. A narrativa, embora fragmentada, é unida pelo olhar perspicaz e afetuoso da narradora, Mary Smith, uma jovem que, embora não resida permanentemente na cidade, serve como um elo entre os leitores e os habitantes de Cranford. O estilo de Gaskell é marcado por uma sutileza irônica e um humor discreto. A autora emprega uma linguagem que, embora simples, é rica em detalhes e observações astutas sobre o comportamento humano. Esse humor, muitas vezes subestimado, é o que dá à obra seu charme duradouro, permitindo que o leitor ria junto com as personagens, mas nunca delas. "Cranford" não é apenas uma janela para o passado; é também uma obra que ressoa com o presente. A maneira como Gaskell explora as relações humanas, as pressões sociais e a luta pelo equilíbrio entre tradição e mudança é tão relevante hoje quanto era no século XIX. A sua obra continua a ser um estudo fascinante sobre como as pequenas comunidades enfrentam grandes desafios, e como a gentileza, a solidariedade e o humor podem ser as maiores forças em tempos de incerteza. Elizabeth Gaskell, com "Cranford", criou mais do que um romance – ela criou um mundo inteiro, habitado por personagens que, apesar de suas excentricidades, refletem a humanidade em sua forma mais pura e honesta. Para quem busca uma leitura que ofereça tanto uma reflexão profunda quanto uma experiência reconfortante, "Cranford" é uma escolha imbatível.

    32 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 325
    • 5 estrelas26%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas27%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas0%