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    Cranford -

    Elizabeth Gaskell

    Pedrazul
    2014
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-17: 978-85-66549-28-7
    Português Brasileiro
    4
    325 avaliações
    Leram403Lendo32Querem702Relendo1Abandonos8Resenhas72
    Favoritos32Desejados702Avaliaram325

    Cranford é um dos romances mais conhecidos da escritora inglesa do século XIX Elizabeth Gaskell. Foi publicado pela primeira vez em 1851 na Inglaterra, depois de Mary Barton, em 1848, como uma série na revista editada por Charles Dickens e, agora, pela primeira vez no Brasil. A história se passa na fictícia Cranford, uma cidade inglesa interiorana, em meados do século XIX, quase exclusivamente habitada por mulheres. Narrado em primeira pessoa por Mary Smith, uma visitante assídua da localidade, o livro conta as aventuras de Miss Matty e Miss Deborah, duas irmãs solteironas que se esforçam para viver com dignidade em circunstâncias de escassez. É um relato pontuado por ironia, mas que dá uma visão bastante completa do cotidiano das mulheres inglesas da classe média no século XIX. É uma leitura bastante agradável para quem deseja conhecer melhor a sociedade da época vitoriana. Solidamente baseado na tradição da ficção realista, Cranford foi inspirado na vida da própria autora e no pequeno vilarejo de Knutsford Cheshire, onde ela foi criada por sua tia materna, Hannah Lumb, após a morte de sua mãe. Crítica: Cranford é considerada uma das obras mais significativas e representativas de Gaskell. O trabalho foi extremamente elogiado pelos leitores do mundo inteiro, e por vários contemporâneos de Gaskell, entre eles a autora Charlotte Brontë que o descreveu como "gráfico, conciso, penetrante e perspicaz. De fato, os críticos mais modernos têm insistido que o romance realista contém ainda um ar irônico, quase um elemento subversivo. Os críticos também elogiaram a caracterização de Gaskell em Miss Matty, que dizem ser uma das suas mais notáveis criações literárias.

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    Karen  picture
    Karen 16/08/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Vida em Cranford

    "Cranford", de Elizabeth Gaskell, é uma obra que transcende as convenções do romance vitoriano, oferecendo uma visão delicada e, ao mesmo tempo, incisiva da vida em uma pequena cidade inglesa. Publicado pela primeira vez em 1851, este livro não se limita a narrar eventos de grande magnitude, mas concentra-se na minúcia da vida cotidiana, nas relações humanas e nas transformações sutis que moldam o caráter de uma comunidade. Gaskell escreveu "Cranford" em uma época em que a sociedade inglesa estava passando por mudanças significativas, tanto econômicas quanto sociais. O cenário da Revolução Industrial contrasta com a tranquila Cranford, uma cidade que parece estar congelada no tempo, longe da agitação das grandes cidades como Londres ou Manchester. A autora, no entanto, habilmente mostra como mesmo as cidades mais remotas não estão imunes às ondas de mudança que varrem a nação. A pequena cidade de Cranford é um microcosmo das tensões entre o antigo e o moderno, o tradicional e o progressista. O ponto focal do livro é a comunidade de mulheres que habitam Cranford. Principalmente composta por viúvas e solteironas, essa comunidade é regida por um código de conduta que valoriza a decência, a modéstia e as aparências. Entre essas mulheres, destaca-se Miss Matty Jenkyns, cujo coração bondoso e levemente ingênuo a torna uma personagem central, quase maternal, na narrativa. Sua jornada de aceitação e adaptação às mudanças, especialmente diante de crises financeiras e emocionais, é comovente e universal. Gaskell aborda com maestria temas como a vulnerabilidade feminina em uma sociedade dominada por homens, a importância das aparências e as complexidades das relações sociais em uma comunidade pequena. Há uma constante tensão entre a necessidade de conformidade e o desejo de individualidade. Ao retratar essas mulheres, Gaskell não apenas as humaniza, mas também as eleva, mostrando sua resiliência diante das adversidades. "Cranford" não segue uma estrutura narrativa linear tradicional. Ao invés disso, o livro é uma série de vinhetas que, juntas, formam um retrato completo da vida em Cranford. A narrativa, embora fragmentada, é unida pelo olhar perspicaz e afetuoso da narradora, Mary Smith, uma jovem que, embora não resida permanentemente na cidade, serve como um elo entre os leitores e os habitantes de Cranford. O estilo de Gaskell é marcado por uma sutileza irônica e um humor discreto. A autora emprega uma linguagem que, embora simples, é rica em detalhes e observações astutas sobre o comportamento humano. Esse humor, muitas vezes subestimado, é o que dá à obra seu charme duradouro, permitindo que o leitor ria junto com as personagens, mas nunca delas. "Cranford" não é apenas uma janela para o passado; é também uma obra que ressoa com o presente. A maneira como Gaskell explora as relações humanas, as pressões sociais e a luta pelo equilíbrio entre tradição e mudança é tão relevante hoje quanto era no século XIX. A sua obra continua a ser um estudo fascinante sobre como as pequenas comunidades enfrentam grandes desafios, e como a gentileza, a solidariedade e o humor podem ser as maiores forças em tempos de incerteza. Elizabeth Gaskell, com "Cranford", criou mais do que um romance – ela criou um mundo inteiro, habitado por personagens que, apesar de suas excentricidades, refletem a humanidade em sua forma mais pura e honesta. Para quem busca uma leitura que ofereça tanto uma reflexão profunda quanto uma experiência reconfortante, "Cranford" é uma escolha imbatível.

    32 curtidas

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    • 5 estrelas26%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas27%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas0%
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    Elizabeth Cleghorn Gaskell

    Escritora britânica e contista da era vitoriana, conhecida também como Mrs. Gaskell. Seus romances oferecem um retrato detalhado das vidas de muitos estratos da sociedade, incluindo os muito pobres, e, como tal, são de interesse para os historiadores sociais, bem como os amantes da literatura. Suas obras mais famosas são os romances <i>North & South</i> (1854–5) e <i>Cranford</i> (1851-3); e a biografia <i>The Life of Charlotte Brontë</i> (1857).

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    Elizabeth Cleghorn Gaskell