When you leave Ireland aged 22 to spend your parents' money, it's called a gap year. When Ava leaves Ireland aged 22 to make her own money, she's not sure what to call it, but it involves: - a badly-paid job in Hong Kong, teaching English grammar to rich children; - Julian, who likes to spend money on Ava and lets her move into his guest room; - Edith, who Ava meets while Julian is out of town and actually listens to her when she talks; - money, love, cynicism, unspoken feelings and unlikely connections. Exciting times ensue.
Exciting Times -
Naoise Dolan
Sally Rooney só que mais maluca
A personagem principal, Ava, logo no início do livro "Exciting Times", lembra a autora Sally Rooney, por ser irlandesa e comunista, assim como muitos personagens principais de Rooney, e também pela melancolia e falta de comunicação entre as pessoas. O que torna Ava especialmente interessante é a dualidade dela, desesperada por conexões humanas e constantemente buscando sinais de aprovação, mas ao mesmo tempo desprezando qualquer sinal de abertura. Este paradoxo sugere que, se Ava é aprovada e validada pelos parceiros como ela deseja, essa aprovação já não tem valor. Outro ponto interessante é o contraste entre os dois amores de Ava. Eu, particularmente, teria escolhido Julian também. Com Julian, Ava luta constantemente por poder na relação, implorando para que ele admita seus sentimentos. Antes de seu relacionamento com Edith, esse era o foco principal da vida de Ava, pensando em mensagens engraçadas para respondê-lo, arquitetando maneiras de agradá-lo e vivendo para ele. No entanto, depois que Edith entra em cena, Julian admite que Ava é "muito importante" para ele, e a indiferença de Ava em relação a essa declaração carinhosa é mais um exemplo da mudança constante das coisas e de sua importância para Ava. Um ponto negativo do livro é a forma artificial como a autora, Naoise Nolan, trata os sentimentos de Ava. É difícil não comparar Nolan com Rooney, então vou fazê-lo. Em "Pessoas normais" e "Conversas entre amigos", Rooney tem uma narrativa simples que não impede os leitores de se conectarem com os fatos narrados. A identificação com os personagens ocorre de forma natural, através dos diálogos, podemos empatizar e nos relacionar com Connel, Marianne, Frances, Nick, etc. Nolan não tem a mesma habilidade. Ela tende a explicitar exageradamente os sentimentos de Ava, o que acaba prejudicando a construção dos outros personagens. Embora esse estilo possa resultar em frases memoráveis, tira um pouco da naturalidade das dinâmicas. Algo específico do relacionamento entre Edith e Ava que me incomodou foi a resposta fácil para todos os problemas de Ava nesse relacionamento, quase como se Edith fosse uma salvação para todos os problemas da personagem principal. Edith frequentemente faz comentários precisos sobre o mundo interior de Ava, mesmo que as interações narradas entre elas sejam sobre coisas banais. Isso mostra como a construção das duas personagens foi superficial e pouco detalhada. Por outro lado, gostei muito dos paralelos estabelecidos entre a construção da língua inglesa, que Ava ensina para crianças, e a própria construção da personagem. Assim como a língua é um conjunto de regras e exceções que precisam ser seguidas e aprendidas, Ava também tenta se encaixar em um conjunto de normas e expectativas sociais, mas acaba se perdendo em meio a tantas exceções e exceções às exceções.
Estatísticas
Avaliações
3.3 / 147- 5 estrelas6%
- 4 estrelas25%
- 3 estrelas50%
- 2 estrelas16%
- 1 estrelas3%



