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    A cabeça cortada de Dona Justa -

    Rosa Amanda Strausz

    Rocco
    2022
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9786555322286
    Português Brasileiro
    4.3
    189 avaliações
    Leram230Lendo10Querem364Relendo1Abandonos1Resenhas52
    Favoritos25Desejados364Avaliaram189

    Uma gigantesca sesmaria, doada por um nobre português a um cirurgião-barbeiro francês, é alvo de disputa e maldição. Quando um feitor ambicioso desonra o corpo e a história de uma sacerdotisa escravizada, é a terra quem sofre e, com ela, Dona Justa, a rezadeira que é herdeira por direito. Seus poderes lhe diziam que aquela terra estava ligada ao seu destino – dela e de seus descendentes. O sofrimento marcado na terra e cortado pela água não se esvai, só supura como ferida inflamada. Sete gerações ali viveram, cada uma deixando sua marca. A chuva persistente que não penetra a terra árida e sofrida, os recém-nascidos enterrados, a infestação de cobras, o canto fantasmagórico que vem do rio... Como é possível quebrar um feitiço escrito na própria alma de um lugar? Um romance misterioso e sombrio, que viaja entre séculos, gerações e crenças, A cabeça cortada de Dona Justa é um exemplo magistral do realismo fantástico brasileiro. "Já estava na hora da autora do ótimo Sete ossos e uma maldição se aventurar e escrever um livro para assustar os adultos. Rosa Amanda Strausz nos enreda em uma narrativa que perpassa gerações, com muito misticismo e boas surpresas." – Raphael Montes "Rosa Amanda Strausz nos presenteia com uma narrativa vívida, cheia de movimento, humor e um poder sensorial impressionante. Unindo com graça e sabedoria o melhor de dois mundos – a tradicional Europa e a rica e sincrética cultura brasileira –, a autora compõe uma obra espirituosa e envolvente." – Cíntia Moscovich "Rosa Amanda Strausz é uma bruxa que domina as palavras. Entre imaginação e memória não há fronteira fechada. O que acontece cá apavora ou reaviva o lado de lá. Tenha coragem pra atravessar a porteira, porque um fato, por pior que seja, nunca é pior do que o medo que temos dele!" – Maria Valéria Rezende

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    Leila de Carvalho e Gonçalves  picture
    Leila de Carvalho e Gonçalves 15/02/2023Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Uma Alegoria Do Brasil

    “Não há escapatória: pagamos pela violência de nossos ancestrais.” (Duna, Frank Herbert) Em A Cabeça Cortada De Dona Justa, a carioca Rosa Amanda Strausz reúne o horror e o realismo mágico para apresentar uma alegoria sobre a formação de nosso país, fundado e construído sob a dominação pela violência. Tendo como fulcro o papel da memória, o livro pode ser encarado como um resgate de nossa própria história marcada por fantasmas, mandingas, bruxarias e maldições. Um bom exemplo é a protagonista, a cabeça cortada de Dona Justa, que relata sua sina da fronteira entre a vida e a morte. Sua proprietária é uma benzedeira mestiça, oriunda do nosso limbo sócio-racial, que não encontrará paz até ser feita justiça, isto é, a sesmaria herdada – transformada numa rentável fazenda de café – retorne para as mãos de seus descendentes, já que a propriedade foi usurpada pelo seu feitor, o violento Policarpo Dias, mediante chantagem. Na verdade, o dono da terra não a possui por direito mas pelo emprego da violência. Indo do início século XVIII ao final do século XX, a narrativa não só acompanha Dona Justa como sete gerações de seus descendentes e a decadência da fazenda, uma vez que o sangue derramado para torná-la lucrativa, acaba lançando uma maldição: o local chove sem parar e possui serpentes por todos os cantos. Se parece um pesadelo, qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência e espere para conhecer uma galeria de personagens com suas histórias capaz de despertar o medo até em gente grande, como Benzadeus, “a menina-diaba”, ou melhor, a criança mais linda que alguém já viu na vida, nem em pintura existiu beleza parecida”. Já, o calcanhar de Aquiles do livro é o desfecho que reúne esclarecimentos desnecessários e uma história paralela que pouco acrescenta ao fulcro romance. Também há discrepâncias entre o enredo e a árvore genealógica de Justiniana Silvério, apresentada logo nas primeiras páginas, e apesar destes deslizes, há escolhas que me agradaram – quero crer que guardem até uma certa ironia – tal qual o destino dado a fazenda. Boa leitura!

    28 curtidas

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    4.3 / 189
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas46%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas0%
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    Rosa Amanda Strausz

    Nascida em 1959, em Niterói, RJ, Rosa é casada e mãe de três filhos. É formada em jornalismo pela Escola de Comunicação Social da UFRJ, sempre foi apaixonada por literatura e adora escrever para crianças. Já ganhou vários prêmios importantes, como o João de Barro e o Revelação da FNLIJ. Seu primeiro livro foi de contos e chama-se Mínimo múltiplo comum. Recebeu um prêmio Jabuti em 1991. Fonte: Biografia e foto: http://www.ftd.com.br

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Rosa Amanda Strausz