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    Os Possessos -

    Fiódor Dostoiévski

    Mimética
    2020
    830 páginas
    1d 3h 40m
    ISBN-13: 9789897788673
    Português Brasileiro
    4.5
    1737 avaliações
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    Publicado em 1872, «Os Possessos» é um romance de cariz político inspirado na história verdadeira de um assassinato que chocou a Rússia. Em 1869, um grupo de reformadores liberais, mais conhecidos por niilistas, assassinou um elemento do seu próprio grupo no meio de uma conspiração contra o czar. Dostoiévski parte do assassinato e do julgamento que se lhe seguiu para construir a sua obra, que funciona também como um manifesto contra a ideologia materialista que, segundo ele, estava a contaminar a sua pátria. O resultado é uma obra-prima profética ambientada na Rússia pré-Revolução, que antevê o pesadelo estalinista.

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    Resenhas (171)Ver mais
    Clio picture
    Clio28/07/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Os Demônios é uma das obras mais complexas de Dostoievsky, pois o autor utiliza-se da ficção para recontar um atentado ao mesmo tempo que faz um apelo moral ao leitor. Não pense que essa é uma obra com um intuito unicamente elucidante, é também o último grito de guerra da Rússia czarista. O povoado russo onde se possa a história, e cuja ambientação toma vários capítulos, é uma típica representação da monarquia da época. É o paradoxismo despótico que mistura relações feudais com conceitos moderno ao mesmo tempo que remete ás grandes cortes com seu séquito cultural. Stepan Trofimochi, o pai e artista, e Varvara Petrovna, a mecenas, alternam os papeis e são a base para a formação da nova geração - deslumbrada com as novas ciências e horrorizada com a situação social. É de surpreender que tal casa tenha gerado dois terroristas? É o revolucionário de fundo de quintal, o que agora se chama de socialista de Iphone. Mas, com uma arma. Dostoievski destila em mais de setecentas páginas todo o seu desgosto pela luta de classes que, antes de mais nada, é um moedouro de carne. Ele não é contra a mudança, seu ódio reside na violência gerada. Pela História, não há revolução sem morte, e a moral nihilista empregada para a máxima "os fins justificam os meios" é duramente criticada nessa obra. A razão para todos os detalhes concernentes a vida do enorme rol dos personagens parece estar presente exatamente para expôr como a ascensão do Socialismo destruiria toda uma sociedade. Obviamente, a ojeriza aos novos conceitos ditos "Ocidentais" são empregados nos discursos narrativos pelo quais o autor é tão conhecido. A Moral, a Religião, a Responsabilidade, estão todos aqui fragmentados no desespero de alguém que viu o sangue escorrer antes de todos mais. É uma obra maravilhosa. Recomendo.

    204 curtidas

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