A ética, a justiça, a amizade e um duelo inevitável
"O fiel e a pedra" foi um romance de certa forma surpreendente. Primeiro contato com a escrita densa de Osman Lins e vemos aqui a história de Bernardo e Teresa, logo no início tendo que suportar a consequência trágica de uma escolha: Bernardo se pauta enormemente pela ética, pela noção de dever e justiça, e portanto se demite de um emprego onde havia bastante corrupção, fato que acaba redundando indiretamente na morte do filho. Contrito com essa perda, o casal aceita a proposta de emprego para trabalhar numa fazenda, e em seguida Bernardo se confronta com outra situação que fere seu sentido ético: o novo patrão, envolvido num processo de divórcio, pede para ele se tornar "dono" de propriedades para que a partilha dos bens com a ex-esposa seja a mínima possível, prometendo a Bernardo reaver tais terras após a finalização do divórcio. Bernardo recusa e seu patrão acaba fazendo a negociata com o irmão, Nestor Benício, que Bernardo já sentia ser pessoa de má índole. Seu patrão e o irmão deste, Nestor, parecem não se entender bem, e Bernardo prevê que a disputa acabará em morte. E é o que ocorre, mesmo que a causa da morte do patrão tenha sido desconhecida. Assim, Bernardo passa a temer Nestor, o novo dono ds terras. Nestor é o vilão do romance, embora trate bem (falsamente) Bernardo, colocando-o em outras situações que ferem sua ética. Por Bernardo ser irredutível, Nestor começa a ameaçá-lo de algumas maneiras, e o confronto entre ambos parece inevitável, e de fato ocorre - a melhor cena do romance. É preciso pontuar, também, a atuação de Antônio Chá, amigo do casal e fiel escudeiro de Bernardo, cujo senso de amizade acaba salvando a vida de seu amigo/patrão Bernardo no confronto final. Livro altamente recomendável de um autor nacional não muito conhecido nos círculos de leitura.



