O fiel e a pedra -

    Osman Lins

    Companhia das Letras
    2009
    384 páginas
    12h 48m
    ISBN-13: 9788561041083
    Português Brasileiro

    Um fiel de balança obstinado em manter-se íntegro enfrenta uma pedra de moinho, que reduz a pó as determinações alheias. Na saga de Osman Lins, um homem armado apenas do próprio caráter e do amor da esposa encara um inimigo a quem a retidão só faz irritar. O fiel e a pedra recorre ao simbolismo do confronto entre o fiel da balança e a pedra de moinho para apresentar a luta de um homem essencialmente ético contra um inimigo poderoso, num mundo pouco afeito à retidão de caráter. No Nordeste dos anos 30, Bernardo, no limiar dos quarenta anos, perdeu um filho e deixou o emprego público para não compactuar com desonestidades. Sem alternativa e quase sem nenhum dinheiro, aceita a oferta de um amigo e vai, com a mulher, administrar a venda de uma propriedade distante. O amigo, entretanto, ao descobrir que a mulher era adúltera, passa para o nome do irmão, Nestor, algumas propriedades, a fim de salvá-las da partilha de bens do divórcio, e acaba tendo uma morte suspeita. O confronto entre Bernardo e o novo patrão é sinuoso: Bernardo só tem a certeza de nunca ter traído as próprias convicções. Nestor, mais que destruir o adversário, quer cooptá-lo. Essa luta desigual é narrada numa estrutura de capítulos curtos que produzem, no conjunto, um relato mítico do confronto arquetípico entre o bem e o mal.

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    Js Ferreira22/12/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    A ética, a justiça, a amizade e um duelo inevitável

    "O fiel e a pedra" foi um romance de certa forma surpreendente. Primeiro contato com a escrita densa de Osman Lins e vemos aqui a história de Bernardo e Teresa, logo no início tendo que suportar a consequência trágica de uma escolha: Bernardo se pauta enormemente pela ética, pela noção de dever e justiça, e portanto se demite de um emprego onde havia bastante corrupção, fato que acaba redundando indiretamente na morte do filho. Contrito com essa perda, o casal aceita a proposta de emprego para trabalhar numa fazenda, e em seguida Bernardo se confronta com outra situação que fere seu sentido ético: o novo patrão, envolvido num processo de divórcio, pede para ele se tornar "dono" de propriedades para que a partilha dos bens com a ex-esposa seja a mínima possível, prometendo a Bernardo reaver tais terras após a finalização do divórcio. Bernardo recusa e seu patrão acaba fazendo a negociata com o irmão, Nestor Benício, que Bernardo já sentia ser pessoa de má índole. Seu patrão e o irmão deste, Nestor, parecem não se entender bem, e Bernardo prevê que a disputa acabará em morte. E é o que ocorre, mesmo que a causa da morte do patrão tenha sido desconhecida. Assim, Bernardo passa a temer Nestor, o novo dono ds terras. Nestor é o vilão do romance, embora trate bem (falsamente) Bernardo, colocando-o em outras situações que ferem sua ética. Por Bernardo ser irredutível, Nestor começa a ameaçá-lo de algumas maneiras, e o confronto entre ambos parece inevitável, e de fato ocorre - a melhor cena do romance. É preciso pontuar, também, a atuação de Antônio Chá, amigo do casal e fiel escudeiro de Bernardo, cujo senso de amizade acaba salvando a vida de seu amigo/patrão Bernardo no confronto final. Livro altamente recomendável de um autor nacional não muito conhecido nos círculos de leitura.

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