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    Linhas Fundamentais da Filosofia do Direito -

    G. W. F. Hegel

    Editora 34
    2022
    736 páginas
    1d 0h 32m
    ISBN-13: 9786555251067
    Português Brasileiro
    4.7
    3 avaliações
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    Resultado de mais de três décadas de paciente e minucioso trabalho, a presente tradução do professor e filósofo Marcos Lutz Müller das Linhas fundamentais da filosofia do direito, de G. W. F. Hegel (1770-1831) ― Grundlinien der Philosophie des Rechts, no original ―, assinala um dos pontos altos dos estudos hegelianos em língua portuguesa. Publicada há duzentos anos, a Filosofia do direito, como também é conhecida, tornou-se ― segundo Jean-François Kervégan, autor do belo ensaio “A instituição da liberdade”, aqui reproduzido ― uma das obras mais importantes da ciência jurídica e da teoria social e política modernas, na qual o filósofo alemão sistematiza e consuma a sua concepção do Estado como “a efetividade da vida ética” e condição imprescindível para o exercício de uma cidadania livre. Pesquisador e intérprete agudo da obra de Hegel, Marcos Müller incorporou à sua tradução ― além dos esclarecedores “adendos” de Eduard Gans, discípulo e editor oficial da obra após a morte do seu autor ― mais de seiscentas notas explicativas. Estas não apenas esclarecem questões de etimologia, de contextualização histórica e de interpretação de conceitos, mas, por meio de criteriosas remissões, relacionam as principais passagens do livro ao conjunto da obra hegeliana, proporcionando uma visão surpreendentemente inovadora da dimensão sistemática e da atualidade do pensamento jurídico-político de Hegel. Obra maior da filosofia, na qual a relação entre direito, Estado e sociedade se revela em toda a sua magnitude e complexidade, estas Linhas fundamentais da filosofia do direito alcançam o leitor brasileiro numa tradução impecável, no momento crucial em que o país luta por afirmar a relevância e o significado de suas instituições democráticas.

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    Filino Carvalho Neto09/03/2024Resenhou um livro
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    Verdadeiro marco nos estudos hegelianos em língua portuguesa

    Passa longe de ser um exagero afirmar que essa tradução da "Filosofia do Direito", empreendida pelo falecido prof. Marcos Lutz Müller, é um primor. Trata-se de um feito verdadeiramente memorável. Concebida durante três décadas, essa edição é recheada de notas de rodapé (600, para ser exato) que esclarecem e muito o texto hegeliano e ainda trazem preciosos apontamentos não apenas sobre aspectos do pensamento de Hegel, mas suas conexões e embates com outros filósofos - Marx e Kant também se fazem presentes, por exemplo. A respeito da obra em si, essa "Filosofia do Direito" não é simples. O linguajar hegeliano é truncado e, para completar, esse escrito foi concebido para ser um acompanhamento ao curso ministrado pelo filósofo em Berlim. Faz as vezes de um manual, portanto. Nessa direção, são preciosíssimos os adendos que a compõem (escritos por discípulos do mestre alemão), desenvolvendo e esclarecendo o texto de Hegel. Aqui se fazem presentes os famosos três grandes momentos do desenvolvimento do Espírito - direito, moralidade e eticidade. Esta última, por sua vez, compreendendo a família, a sociedade civil e o Estado. O filósofo é que trouxe à luz, verdadeiramente, o problema da sociedade civil como algo não identificado totalmente ao Estado (mas que, em última instância, pressupõe este). Voltando-se ao Direito, Hegel enfatiza a noção de propriedade e o ânimo que se impõe e dispõe da coisa. Trata-se, também da aquisição e da transmissão da propriedade - e um bom embate com Savigny acerca do problema entre Direito e História (e a necessidade ou não de um Código). Com a moralidade, há uma espécie de volta a si mesmo, à subjetividade (e aqui, há um profícuo diálogo com Kant). Na eticidade, o homem está em relação - naqueles três âmbitos citados anteriormente. Há aqui uma apresentação da concepção de Estado em Hegel, composto por um príncipe e um regime bicameral (a primeira, baseada na propriedade; a segunda, na representação dos estamentos). E também o modo como os Estados se relacionam entre si e como se desdobram na História - seria em 04 momentos: o oriental, o grego, o romano e o germânico. Não poucas pessoas veem essa obra como uma tentativa de legitimação do regime prussiano - ou até mesmo um escrito reacionário - mas isso não pode ser uma barreira ou um preconceito que venha a fazer o leitor encarar essa obra com qualquer desdém. Pelo contrário: é um instigante desafio - e ainda mais completo graças a essa tradução.

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    Georg Wilhelm Friedrich Hegel

    Filósofo alemão, considerado como um dos maiores representantes do idealismo alemão do século XIX. <br> Nasceu em 1770 em Stuttgart. Após passar pela Universidade de Tubinga, Hegel instala-se em Berna como preceptor. Nesta primeira época interessa-se pela teologia. Em 1796 escreve uma Crítica da Ideia da Religião Positiva. Entre 1798 e 1801 é preceptor em Francoforte e começa a interessar-se intensamente pela filosofia e pela política. Recebe a influência das ideias políticas de Rousseau. Em 1801 instala-se em Iena, onde, em contacto com Schelling, adota a sua filosofia da natureza. Em 1807 publica a Fenomenologia do Espírito e em 1812 a Propedêutica Filosófica, que constituem uma introdução à sua doutrina, exposta com mais amplitude na sua obra capital, Ciência da Lógica (1812-1816).

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    Baden-Württemberg, Alemanha

    Georg Wilhelm Friedrich Hegel