Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições1
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas14
    • Leitores274
    • Similares15
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Virgindade inútil - Novela de uma revoltada

    Ercília Nogueira Cobra

    Carambaia
    2022
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9786586398731
    Português Brasileiro
    4.1
    58 avaliações
    Leram79Lendo5Querem189Relendo0Abandonos1Resenhas14
    Favoritos3Desejados189Avaliaram58

    Pouco lembrada atualmente, Ercilia Nogueira Cobra foi uma das mais corajosas e avançadas vozes da literatura brasileira nas primeiras décadas do século XX. Sem meias palavras já a partir do título, sua única obra de ficção, Virgindade inútil, é, como define a autora, a “novela de uma revoltada”. E é exatamente isso que o leitor encontrará em suas páginas vigorosas. Mistura originalíssima de sátira, drama e argumentação naturalista, o livro é um libelo feminista contra a dominação patriarcal em todos os aspectos da vida, e principalmente sobre o corpo da mulher. “O amor físico é tão necessário à mulher como o comer e o beber”, afirma a autora, partidária do amor livre, logo no segundo parágrafo da “observação” que antecede a novela. Nas páginas que se seguem, encontra-se uma defensora da legalização do aborto e simpatizante do lesbianismo. Ercilia, nascida em 1891, publicou Virgindade inútil em 1927 – três anos depois do ensaio Virgindade anti-higiênica –, provocando escândalo e proibição, primeiro pela própria família da autora, depois pela Igreja e pelo Estado Novo (1937-1945). Detalhes sobre esses episódios e outros estão em uma alentada biografia escrita pela pesquisadora Maria Lúcia de Barros Mott incluída na edição. O volume conta ainda com um posfácio da historiadora Gabriela Simonetti Trevisan. O enredo de Virgindade inútil se passa num país chamado Bocolândia, cujos habitantes são os bocós. Nele, “o analfabetismo é mantido de propósito a fim de que o povo se conserve em permanente estado de estupidez”. A protagonista é Cláudia, moça de “uma dessas famílias do interior que aparentam fortuna e onde o valor da mulher é igual a zero”. Recebe educação apenas para se tornar “o anjo do lar”, aguardando ser “colhida” por um marido. No entanto, com o fim da fortuna familiar e a consequência ausência de dote, ela se vê fadada à vida de solteirona. Depois de ver uma amiga seduzida, abandonada e levada à prostituição, em seguida expulsa da sociedade, Cláudia se cansa do papel relegado às mulheres – “fazer papel de idiota a vida inteira” – e decide partir para Flumen, a capital da Bocolândia. Começa então uma trajetória em que se alternam humilhações e o desfrute dos prazeres da vida. O lançamento do livro de Ercilia vem se unir a outros romances de autoras brasileiras feministas do início do século XX que tiveram sua obra esquecida e estão sendo recuperadas em novas edições, acompanhadas de textos de especialistas, pela Carambaia. Além de Virgindade inútil, a editora conta em seu catálogo com Enervadas, de Chrysanthème, pseudônimo da carioca Cecília Moncorvo Bandeira de Melo Vasconcelos, e A família Medeiros, de Júlia Lopes de Almeida.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover

    Similares (15)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (14)Ver mais
    Luiza Bugelli Valenca picture
    Luiza Bugelli Valenca28/02/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Ercília, a feminista calada pelo machismo

    Ercília Nogueira Cobra foi uma mulher revoltada. Revoltada por nascer em uma época em que a satisfação dos prazeres sexuais e das liberdades dos homens, era posta acima dos desejos femininos. Em consonância a sociedade patriarcal em que vivia, Ercília foi uma autora quase invisível, sendo pouco conhecida no cenário brasileiro, apesar da imensidão de suas palavras. Claudia é uma mulher. Virgem. Não que isso seja relevante, mas por algum motivo, é importante para definir o caráter da mulher, ao menos na Bocolandia, lugar onde a protagonista mora. Se rebelando contra um casamento forçado, Claudia foge de sua cidade e se muda para a capital do país, onde descobre que o machismo, cujo conceito nem existia nessa sociedade, já que as mulheres eram privadas de educação e pensamento crítico; não está só presente só no interior. Claudia passou a perceber que a vida da mulher na Bocolandia se resume a relação matrimonial. As prostitutas e solteironas eram extremamente mal vistas pela sociedade. Antes mal casada, do que sozinha e feliz. Esta novela é um tapa na cara. Um soco brutal no estômago da sociedade misógina. Ercilia, uma mulher exatamente emancipadores do movimento feminista no Brasil, reconhece a importância da educação para as mulheres, do trabalho para garantir liberdade financeira e da livre expressão sexual, já que as mulheres têm desejos carnais tão fortes quanto os homens. Esta obra é interessante para refletirmos sobre o Brasil que fomos, o Brasil que somos e o Brasil que queremos. Liberdade! A mulher quer liberdade!

    10 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 58
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas22%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas0%
    Ercília Nogueira Cobra profile picture

    Ercília Nogueira Cobra

    Ercília Nogueira Cobra, escritora e pensadora que viveu na virada do século XIX. Filha de um barão do café, cresceu em São Paulo, alimentando o sonho de se tornar pianista. Com a morte do pai, porém, teve de voltar para sua cidade natal. Não conseguiu se adaptar à vida no interior paulista e fugiu de casa com a irmã mais velha, Estella. As duas, porém, foram localizadas pela mãe e enviadas para um colégio interno dirigido por freiras, o Asilo Bom Pastor. Ali teve seu nome mudado para Maria Madalena. As duas irmãs concluíram a Escola Normal em 1917. Na cerimônia de formatura, revoltada por não ter reconhecida a sua posição de primeira aluna da turma, sendo preterida pela filha de um coronel, rasgou o diploma. Começou a escrever textos para o jornal anarquista Giesta. Conheceu o Rio de Janeiro, Buenos Aires e Paris na década de 1920. De volta ao Brasil, baseada numa proposta pedagógica, uma nova maneira de olhar e educar as mulheres para a sua realização profissional e sexual, defendeu, através de seus dois livros Virgindade Inútil: Novela de Uma Revoltada (romance) e Virgindade Anti-Higiênica: Preconceitos e Convenções Hipócritas (ensaio), publicado por Monteiro Lobato. Suas críticas à religião, ao casamento e à educação da mulher causaram polêmica e o livro foi retirado de circulação. Pelos títulos já se tem uma idéia do escandâlo que eles provocaram no início do século XX, numa sociedade repressora e conservadora em que a mulher não tinha a menor visibilidade, tendo sua obra sido recolhida pela polícia, motivo pelo qual foi presa e cognominada de pornográfica. Marginalizada pelo conteúdo dos seus livrou, mudou-se para Caxias do Sul, onde adotou o nome de Suzana Germano e abriu a Pensão Royal, um cabaré na zona do meretrício. Em 1942, a casa foi fechada por causa de dívidas com a prefeitura. Perseguida pelo Estado Novo, foi presa e torturada. Fugiu para o Paraguai. Não se tem notícia do local e data da sua morte.

    4 Livros
    4 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Ercília Nogueira Cobra