João Miguel -

    Rachel de Queiroz

    José Olympio
    2022
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9786558470809
    Português Brasileiro

    João Miguel é o segundo romance escrito por Rachel de Queiroz, única autora brasileira a ganhar o Prêmio Camões. Tristão de Athayde considerava João Miguel o melhor dos quatro romances da primeira fase de Rachel de Queiroz. É o drama da prisão. Ainda é um romance profundamente rural, como O quinze. Um crime e uma absolvição. E entre eles uma traição, uma traição de amor. Em João Miguel a autora se revela a grande mestra na arte de criar personagens vivas, um João Miguel a tomar consciência do seu crime, uma Salu, um seu Doca, uma Angélica. A obra se liberta da sua própria autora e vive por si. João Miguel é um homem comum. A psicologia do preso é analisada com argúcia por Rachel. A mulher o abandona. Ele se vê só diante do destino que o perturba. Zé Milagreiro, que está preso na mesma cadeia, mata o tempo a fazer ex-votos, milagres de madeira, que são encomendados por gente que deseja pagar promessas. A angústia da prisão, a tensão de João Miguel, treme nestas páginas. O trabalho reequilibra o preso. E com a mão assassina ele vai compondo os seus trabalhos manuais com a fibra de carnaúba. João Miguel é o romance da frustração e da espera angustiada. É um romance social, com um penetrante aprofundamento de análise psicológica. Rachel recria a vida de uma prisão numa pequena cidade do interior. Há uma mistura de fatalismo, de acaso, de injustiça social, neste romance que é o romance da solidão humana e, ao mesmo tempo, uma denúncia e um protesto. – Antônio Carlos Villaça, foi jornalista e escritor, vencedor do Prêmio Machado de Assis e do Jabuti.

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    Lucas Batista24/04/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Rachel é Rachel.

    Narrativa curta. Sucinta. A diferença que sentimos quando lemos uma escritora do calibre de Rachel de Queiroz, para quando lemos um Torto Arado, por exemplo, é nítida. Aqui encontramos um agreste pobre, triste e, acima de tudo, crível. As denuncias e críticas sociais são tão fortes quanto qualquer narrativa nova, porém aqui você enxerga também a humanidade desses personagens. Eles possuem erros e acertos. Erros que, muitas vezes não são desculpáveis por sua condição social. E a narrativa de Rachel é chover no molhado. Sublime. Regionalista no ponto certo. Te insere em uma conversa nordestina, mas sem utilizar-se de tanto regionalismo que acaba por excluir a compreensão do leitor de fora. A é, e a história? João Miguel, logo na primeira página, fica "de fogo" e mata um homem num pagode. A novela se passa então dentro da cadeia, acompanhando as reflexões dele e de seus companheiros. Personagens muito bons e que mostram a maestria dessa escritora, pois ela, em menos de 150 páginas, constrói personagens profundos. Ótimo livrinho, para ler numa sentada.

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