Rachel é Rachel.
Narrativa curta. Sucinta. A diferença que sentimos quando lemos uma escritora do calibre de Rachel de Queiroz, para quando lemos um Torto Arado, por exemplo, é nítida. Aqui encontramos um agreste pobre, triste e, acima de tudo, crível. As denuncias e críticas sociais são tão fortes quanto qualquer narrativa nova, porém aqui você enxerga também a humanidade desses personagens. Eles possuem erros e acertos. Erros que, muitas vezes não são desculpáveis por sua condição social. E a narrativa de Rachel é chover no molhado. Sublime. Regionalista no ponto certo. Te insere em uma conversa nordestina, mas sem utilizar-se de tanto regionalismo que acaba por excluir a compreensão do leitor de fora. A é, e a história? João Miguel, logo na primeira página, fica "de fogo" e mata um homem num pagode. A novela se passa então dentro da cadeia, acompanhando as reflexões dele e de seus companheiros. Personagens muito bons e que mostram a maestria dessa escritora, pois ela, em menos de 150 páginas, constrói personagens profundos. Ótimo livrinho, para ler numa sentada.



