Utopia Selvagem - Saudades da Inocência Perdida- Uma Fábula

    Darcy Ribeiro

    Record
    1981
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9788526019348
    Português Brasileiro

    Utopia Selvagem conta a história do negro gaúcho Pitum ou Orelhão, cujo nome verdadeiro é Gasparino Carvalhal, tenente do Exército que, quando lutava na Guerra da Guiana à procura do Eldorado, foi engolido por uma cortina branca. A partir daí, tornou-se prisioneiro das Amazonas, mulheres guerreiras, que, tendo recusado o contato com os homens, passaram a mantê-lo como seu único fornicador e reprodutor. Depois de um certo tempo, Pitum é arremessado para outro lado da cortina branca, onde encontra uma tribo de índios e conhece duas freiras missionárias, Uxa e Tivi, que o proíbem de ter relações sexuais com as mulheres, pelo que o tenente trava suspeita amizade com o índio Ãxi. Na tribo, convive com o vingativo pajé Cunhãbembe e o tuxaua Calibã, papo-furado e banana. Até que Próspero, o Imperador Impoluto, instaura a "Utopia Multinacional", com suas estruturas do Poder e do Gozo, fazendo o contraponto com a sociedade-padrão das multinacionais. Toda a tribo então embarca num deslumbrante barato coletivo...

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    Doney Corteletti Stinguel23/05/2022Resenhou um livro
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    Lista de Livros: Utopia selvagem, de Darcy Ribeiro

    “(As amazonas) Não deixavam é nascer pentelhos no preto. Nem o pelame do sovaco escapou. Na moda delas isso é nojo inadmissível. Não tendo, de nascença, pentelhame nenhum no corpo, não querem também nenhum fio nele. – Nisso são impossíveis. Arrancam pela raiz um a um e ainda passam cinza quente ni mim para não nascer mais. Esta depelagem foi a primeira bruteza selvagem que fizeram com o tenente. – Me desgostei demais. Pela dor e pela boçalidade. – De fato, a primeira vez foi terrível. Uma dúzia delas o agarraram, imobilizaram, e aí lhe abriram as pernas e depois os braços para examinar e tirar um por um cada pelo. Não deixaram nem os do rabo. – Aliás, os mais doídos – queixa Pitum. – Ainda mais que os pentelhos do saco que já doem demais. Hoje Pitum entende que é questão de moda ou costume. E moda não se discute. No princípio, achando que o estavam depelando para carnear, assar e comer, pôs a boca no mundo. Quis pôr, aliás, porque as manoplas delas, tapando sua boca, não consentiram. Só bufava pelo nariz e chorava lágrimas quentes pelos olhos. Esguichadas de tão sofridas.” * “Nestas circunstâncias só nos cabe o consolo de recordar que, afinal, como dizem os sábios chineses, o inevitável é sempre o melhor.” * Mais do blog Lista de Livros em:

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