Utopia selvagem - Saudades da Inocência Perdida – Uma fábula

    Darcy Ribeiro

    Global
    2014
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-13: 9788526019348
    Português Brasileiro

    Com a exuberância de imagens e sentidos que marca sua produção literária, em "Utopia Selvagem" Darcy Ribeiro pinta com tons fortes a beleza que uma sociedade adquire ao ser composta por um mosaico de cores e culturas diferentes. O autor nos traz a história do negro Pitum que, buscando o Eldorado em meio à Guerra Guiana, é engolido por uma cortina branca e acaba capturado pelas amazonas. No convívio indígena, Pitum transmuta-se, aprendendo a língua e adaptando-se aos seus costumes. O mergulho num mundo que não lhe é familiar funciona como uma janela que o autor nos abre para, ao seu lado, contemplarmos o verdadeiro tesouro: a sociabilidade nativa. Juntando elementos históricos e míticos, Darcy sugere que a miscigenação é uma prática que remonta às origens da espécie humana e tece uma fabulosa história na qual valoriza o hibridismo cultural vivenciado nas terras americanas.

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    Doney Corteletti Stinguel23/05/2022Resenhou um livro
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    Lista de Livros: Utopia selvagem, de Darcy Ribeiro

    “(As amazonas) Não deixavam é nascer pentelhos no preto. Nem o pelame do sovaco escapou. Na moda delas isso é nojo inadmissível. Não tendo, de nascença, pentelhame nenhum no corpo, não querem também nenhum fio nele. – Nisso são impossíveis. Arrancam pela raiz um a um e ainda passam cinza quente ni mim para não nascer mais. Esta depelagem foi a primeira bruteza selvagem que fizeram com o tenente. – Me desgostei demais. Pela dor e pela boçalidade. – De fato, a primeira vez foi terrível. Uma dúzia delas o agarraram, imobilizaram, e aí lhe abriram as pernas e depois os braços para examinar e tirar um por um cada pelo. Não deixaram nem os do rabo. – Aliás, os mais doídos – queixa Pitum. – Ainda mais que os pentelhos do saco que já doem demais. Hoje Pitum entende que é questão de moda ou costume. E moda não se discute. No princípio, achando que o estavam depelando para carnear, assar e comer, pôs a boca no mundo. Quis pôr, aliás, porque as manoplas delas, tapando sua boca, não consentiram. Só bufava pelo nariz e chorava lágrimas quentes pelos olhos. Esguichadas de tão sofridas.” * “Nestas circunstâncias só nos cabe o consolo de recordar que, afinal, como dizem os sábios chineses, o inevitável é sempre o melhor.” * Mais do blog Lista de Livros em:

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