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    A Nova Atlântida: - Uma obra inacabada

    Francis Bacon

    Edição Kindle
    2021
    42 páginas
    1h 24m
    ISBN-10: B08SLFHN9F
    Português Brasileiro
    3.3
    53 avaliações
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    A Nova Atlântida é um romance utópico incompleto de Sir Francis Bacon, publicado postumamente em 1626. Ele pertence às grandes utopias clássicas da história do pensamento. A obra de Bacon é de grande interesse dentro do gênero porque, além de seus valores intrínsecos, seu autor é um eminente filósofo e um escritor clássico da língua inglesa. Em certo sentido, a Nova Atlântida segue a linha das utopias clássicas: a ficção de um Estado ideal, no qual os cidadãos são felizes devido à perfeita organização social; pelo menos, os males sociais foram reduzidos ao mínimo. O próprio título, como o leitor alerta terá entendido, refere-se a Platão, o criador de outra utopia, que em uma de suas obras fala de um antigo continente afundado no oceano. Mas, por outro lado, esta utopia é diferente das outras. De fato, ela não trata principalmente da organização da economia e da sociedade; isto é secundário, e resulta mais da direção exercida por uma minoria e instituição seleta. Bacon, preocupado com o futuro da ciência e suas possibilidades futuras, direciona seu interesse para a conquista da natureza pelo homem. São geniais as previsões contidas em A Nova Atlântida: o submarino, o avião, o microfone, o crescimento artificial de frutas, etc., etc. Embora sem dizer isso explicitamente, Bacon sugere uma ideia interessante, a saber, que a harmonia entre os homens pode ser alcançada controlando a natureza de forma a proporcionar-lhes os meios necessários para suas vidas. Isto, que parece tão simples, nunca foi alcançado na história da humanidade, já que o controle sobre a natureza foi limitado, insuficiente para que os homens realizem o sonho dourado de viver na Terra sem temer a fome de uma parte da população, por mínimo que seja. A ideia de supor um Estado ideal, onde os homens vivem felizes, sempre tentou os filósofos. Neste sonho prevalece a crença não comprovada, é claro, de que o que é possível é realizável. O conceito de utopia não deve ser admitido apenas como algo puramente imaginário, mas como algo que pode ser posto em prática. As utopias são, em certo sentido, programas de ação. Ao dizer isto, não estamos nos referindo ao conjunto de detalhes que às vezes são, de fato, impossíveis de serem realizados; mas sim ao fato de que a utopia possui a crença implícita na perfectibilidade e no progresso da raça humana. Bacon apresenta na Nova Atlântida sua visão de uma utopia. Como homem da ciência, ele estava mais preocupado em resolver problemas científicos e técnicos do que com problemas sociais. Portanto, sua visão está voltada para outros caminhos. Ele antecipa invenções que levaram muitos, muitos anos para serem realizadas. “A Casa de Salomão", a sociedade apresentada neste livro, cuja missão é dirigir a vida do país, serviu de modelo para a criação da Sociedade Real Inglesa, que desempenhou um papel muito importante na Grã-Bretanha. E, agora, vamos deixar que Bacon fale.

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    Js Ferreira picture
    Js Ferreira09/06/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Bensalém: uma sociedade ideal?

    Partindo da costa peruana, um grupo de navegantes se perde no oceano Pacífico, vindo a encontrar, milagrosamente, a ilha de Bensalém, cuja existência ninguém sabia. Bensalém é diferente de tudo; é um Estado que se pode chamar de 'ideal', o que reforça o fato de que os governantes pedem segredo por parte daqueles que aportam. Bensalém, como é na narrativa, surgiu a partir da visão em alto mar de uma cruz e um palanque, que magicamente se transformam numa arca contendo textos bíblicos e uma carta de Bartolomeu, um dos apóstolos de Cristo. Tudo parece ser virtuoso em Bensalém. Os servidores, por exemplo, não aceitam gorjetas ou presentes por um serviço, pois isso é visto como "pagar duas vezes". Os estrangeiros são muito bem recebidos, e uma grande autoridade da ilha conta a história dela e o porquê de ter chegado àquele nível de organização e altruísmo, bem como sobre a Casa de Salomão, a maior organização presente na ilha, talvez seu motivo de existência, cuja finalidade nos remonta a uma mistura de teosofia e sociologia. Eu havia sido atraído para ler esse texto há alguns anos, por conta de teorias conspiratórias. Livre delas há anos, pude ver com distanciamento uma bela obra sobre uma sociedade ideal quanto à efetividade, mas que também tem seus dissabores: primeiramente, o conceito de "O Estado é tudo", pois tudo de bom provém do conceito de Estado total; e por segundo, a questão da falta de transparência e liberdade. Logo, para mim, a grande questão que fica após a leitura do livro é: Vale a pena tudo ao seu redor ser virtuoso, quando falta a você a plena liberdade e o acesso à verdade, uma vez que a Casa de Salomão decide o que contar e o que não contar a seus cidadãos? Livro altamente recomendável.

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