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    As Leis (Platão para iniciados #Vol. 4) -

    Platão

    Clube dos Autores
    2022
    556 páginas
    18h 32m
    ISBN-13: 4090000091890
    Português Brasileiro
    4.4
    36 avaliações
    Leram72Lendo13Querem155Relendo0Abandonos4Resenhas4
    Favoritos0Desejados155Avaliaram36

    A autenticidade das Leis é suficientemente provada por mais de vinte citações delas nos escritos de Aristóteles, que residia em Atenas nos últimos vinte anos da vida de Platão e que, deixando-o depois de sua morte (347 AC), retornou lá doze anos mais tarde (335 AC); pela alusão de Isócrates (Oratio ad Philippum, p.84), escrevendo em 346 AC, um ano após a morte de Platão, e provavelmente não mais de três ou quatro anos após a composição das Leis - que fala das Leis e República escritas por filósofos; pela referência do poeta cômico Alexis, um contemporâneo mais jovem de Platão, à promulgação sobre os preços, que ocorre nas Leis XI, isto é, que os mesmos bens não deveriam ser oferecidos a dois preços no mesmo dia (Meineke, Frag. Com. Graec.); pela voz unânime da antiguidade posterior e a ausência de qualquer suspeita entre os escritores antigos que valem a pena falar em contrário; pois não é dito de Filipos de Opus que ele compôs qualquer parte das Leis, mas apenas que ele as copiou das tábuas de cera, e foi pensado por alguns para ter escrito o Epinomis (Diog. Laert.) que o mais longo e um dos melhores escritos com o nome de Platão deveria ser uma falsificação, mesmo que sua autenticidade não fosse apoiada por testemunhos externos, seria um fenômeno singular na literatura antiga; embora o valor crítico do consenso dos escritores atrasados não seja geralmente comparado ao testemunho expresso dos contemporâneos, contudo um valor um tanto maior pode ser atribuído a seu consentimento no presente exemplo, porque a admissão das Leis é combinada com dúvidas sobre o Epinomis, uma escrita espúria, que é uma espécie de epílogo para o trabalho maior provavelmente de uma data muito posterior. Isso mostra que a recepção das Leis não era totalmente indiscriminada. A suspeita que atribui às Leis de Platão no julgamento de alguns escritores modernos parece descansar em parte sobre as diferenças no estilo e forma da obra, e sobre as diferenças de pensamento e opinião que se observam nelas. Sua suspeita é aumentada pelo fato de que estas diferenças são acompanhadas por semelhanças impressionantes para passagens em outros escritos platônicos. São sensíveis a uma falta de interesse no diálogo e a uma inferioridade geral nas ideias, no plano, nas maneiras e no estilo. Faltam o fluxo poético, a verossimilhança dramática, a vida e a variedade dos personagens, a sutileza dialética, a pureza ática, a ordem luminosa, a requintada urbanidade; em vez disso, encontram tautologia, obscuridade, autossuficiência, sermão, declamação retórica, pedantismo, egoísmo, formas grosseiras de frases e peculiaridades no uso de palavras e expressões idiomáticas. Eles são incapazes de descobrir qualquer unidade na estrutura remendada, irregular. O elemento especulativo tanto no governo quanto na educação é substituído por uma estreita veia econômica ou religiosa. A graça e a alegria da vida ateniense desapareceram; e um espírito de intolerância religiosa tomou seu lugar. O encanto da juventude não está mais lá; o maneirismo da idade se faz sentir desagradavelmente. A conexão é muitas vezes imperfeita; e há uma falta de disposição, exibida especialmente na enumeração das leis para o fim da obra. As leis estão cheias de falhas e repetições. Uma leveza cínica é exibida em algumas passagens, e um tom de decepção e lamento sobre as coisas humanas em outros. Os críticos também parecem observar nelas más imitações de pensamentos que são mais bem expressas nos outros escritos de Platão. Por fim, eles se perguntam como a mente que concebeu a República poderia ter deixado os Critias, Hermocrates e Philosophus incompletos ou não escritos, e dedicaram os últimos anos de vida às Leis. As perguntas que foram assim indiretamente sugeridas podem ser consideradas por nós em cinco ou seis cabeças: I, os personagens; II, o plano; III, o estilo; IV, as imitações de outros escritos de Platão; V; a relação mais geral das Leis com a República e os outros diálogos; e VI, aos estados atenienses e espartanos existentes.

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    Amanda Amaral23/05/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    4 estrelas

    Em seus últimos escritos, Platão revisita ideias de sua primeira obra, A República, alterando algumas formas de pensar, graças à maturidade adquirida mas mantendo, essencialmente, os ideias de constituição/fundamentos de sua sociedade ideal. Difere da República, ao dar maior enfoque às Leis e sua responsabilidade na orientação/norteamento do comportamento da sociedade por ele idealizada, ou seja, enquanto àquele criou a sociedade ideal, este propõe um ordenamento jurídico ideal para o Estado projetado por ele. Destaca a importância do papel do legislador, que deve ser "um verdadeiro educador dos cidadãos" e sua missão principal não deve ser castigar transgressões cometidas mas previnir suas ocorrências. Mantém sua ideia de que há três formas de governo, ou seja, três tipologias possíveis de se governar uma sociedade: a democracia, a aristocracia e a monarquia (formas puras), que quando desvirtuaras, no momento em que os interesses dos governantes se desvinculam do coletivo (sendo o democrático, corrompido pelo desejo de liberdade, o aristocrata pelo desejo de riqueza e o monarca pelo uso da violência para manter-se no poder), deságuam, respectivamente em governos anárquicos, oligárquicos ou tirânicos. Para ele, as leis ideais combinariam elementos da monarquia e democracia. O autor confere origem divina às leis e trata, ainda de uma série de outros temais afins à constituição de uma sociedade, como religião, educação, guerra e exército, justiça (que define como a relação harmônica das 3 virtudes fundamentais que devem regular a alma: a temperança, a coragem e a sabedoria), relações civis.

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