Querida Konbini -

    Sayaka Murata

    Estação Liberdade
    2019
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-13: 9788574482958
    Português Brasileiro

    Aos 36 anos, Keiko Furukura continua no trabalho da juventude em uma loja de conveniência e nunca se envolveu romanticamente. Ela é feliz assim, mas desde pequena é considerada estranha ― sua família e amigos se perguntam desesperadamente como ajuda-la a ser uma pessoa normal. Mas é na konbini, com suas regras estritas para os funcionários e uma dinâmica precisa de funcionamento, que Keiko encontra o seu lugar. Observando as recomendações dos gerentes e copiando os trejeitos e modos de vestir e falar de seus colegas, ela finalmente se sente uma peça no mecanismo do mundo. Com humor ácido, Sayaka Murata cria um retrato realista e satírico da sociedade contemporânea e sua obsessão com a normalidade, o trabalho e o sexo. Às vezes, mudando um pouco as lentes e a perspectiva, veremos que quem se considera normal pode não ser tão normal assim...

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    Beatriz Paludetto picture
    Beatriz Paludetto29/05/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    O que é ser um ser humano completo? O que cada sociedade faz pelas pessoas realmente?

    O que fazemos da nossa vida que vem de profundo desejo interno pessoal e o que temos na nossa vida que fazemos única e exclusivamente para servir como ser humano nos moldes sociais? Você quer casar pq encontrou alguém muito legal que combina com você ou pra se sentir satisfeito em ter um papel ativo na sociedade como uma pessoa que conseguiu casar? Estudar, se manter, ser funcional não vale quando você não tem as ambições do que a religião social diz como saudável? Keiko não tem ambições dos demais pq ela não tem impulsos de ter coisas como os demais. Ela se foca em ser funcional e não causar alarde. Ela se encontrou na religião Konbini e é ali que ela explora seu potencial com entusiasmo, desde o começo aprendeu o que ninguém jamais chegou a explicar e sem precisar se camuflar completamente se sentiu parte de algo. Formada na faculdade, mora sozinha, paga as próprias contas e é um ser humano funcional. Mas não é o suficiente aos olhos da sociedade. Só que o detalhe é que keiko aparentemente não se importa, só foi condicionada desde criança que tinha que ser curada pq ser quem é não era suficiente. Evoluímos tanto e temos abundância de alimento mas ainda tem gente q morre de fome, temos tecnologias extremamente avançadas e tem gente que mal tem energia. Como humanos nos nós achamos muito importantes e dignos de tudo o que podemos pegar da terra, mas nós mesmos somos a espécie que mais despreza os humanos. Não gostamos do diferente, do estranho, do complicado, do que incomoda a nossa rotina perfeita nem queremos dar atenção a quem precisa de mais esforço pra ser agrupado. Como sociedade aceitamos todo mundo como são e nos importamos com os outros de verdade? Algumas mais que outras, oferecem oportunidades e auxílios. Aqui no ponto de vista da keiko, vemos que ela sabe desde criança que precisa ser "curada" e tem que se esforçar dobrado pra parecer como os outros humanos ou ela seria enxotada dali a qualquer momento. É triste, não se fala em terapia nessa circunstância, imagino que se falassem para ela que ajudaria ela iria tentar. Keiko tem alguma patologia, ela não sente raiva das pessoas, não sente nojo. Se incomoda um pouco quando invadem demais o espaço dela, por medo de ser linchada. Mas ela não tem problemas sociais, ela não tem medo, relutância ou falta de energia ao interagir com o outro. Apenas o tédio de não entender o outro ser humano. Por isso eu imagino, posso estar errada, que ao contrário do que todo mundo pensa, ela não está no TEA, mas em outra esfera onde leve mais em conta a falta de conseguir criar personalidade e identidade própria. Alguém estudado já tinha me falado o diagnostico por DM, mas eu não vou me lembrar. Ela se importa com algumas pessoas, mas parece não compreender consequências emocionais dos próprios atos. Além das normais sociais que ela segue a risca, mesmo não as compreendendo inteiramente.

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