A Vida de Joana D'Arc -

    Érico Veríssimo

    Clubinho Literário
    2021
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9786587853123
    Português Brasileiro

    Edições (5)

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    Filipe Quevedo11/11/2022Resenhou um livro
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    Só pra não perder o costume ou #20?

    A vida de Joana D'Arc (obra de 1935) se situa, cronologicamente, no início da carreira de Erico Verissimo. Segundo o autor, a história da jovem donzela francesa lhe fascinava desde sua infância. Confessa em seu prefácio sua intenção primeira de escrever a história da guerreira para o público juvenil. Porém, conforme a confecção se dava, Erico decidiu não limitar seu texto por características adequadas a leitores(as) jovens; em outras palavras, abandonou a sua primeira intenção e passou a escrever como julgou que deveria. Mergulhou em leituras que lhe serviram como fontes de pesquisa e obras referenciais nas quais baseou seu trabalho. Segundo ele, o resultado é uma biografia <i>"romanceada até onde me foi possível fazer isso sem trair a verdade histórica"</i>. Por já ser grande conhecedor da obra de Erico, particularmente me pergunto se uma segunda intenção não estava por trás de A vida de Joana D'Arc. Explico: em sua autobiografia o autor confessa que, em sua opinião, os livros didáticos apresentavam a História de forma monótona, enfadonha. Para ele esses livros eram <i>"redigidos em estilo pobre e incolor"</i>, causando o desinteresse dos estudantes para com os assuntos tratados. Nesse sentido, o autor admite que uma das suas pretensões com a saga O tempo e o vento era escrever a história do Rio Grande do Sul de tal maneira que, pelas suas mãos, ela se apresentasse mais interessante, mais vívida, mais expressiva. Bem, quem sabe esta obra sobre a donzela Joana também não tenha sido uma tentativa de pintar em cores mais vibrantes a vida e a história da jovem guerreira. Não gostei muito do livro por dois motivos: os inúmeros movimentos de batalha, os quais tenho dificuldade de visualizar e acompanhar, além de que o tema "guerra" e seus adjacentes não me cativam; e a presença contínua de uma dimensão religiosa referente ao fato de que Joana, como a História nos testemunha, supostamente tinha visões de algumas santas (Catarina e Margarida) que lhe visitavam e falavam com ela, o que acontece com certa frequência. Esses dos aspectos tão presentes me foram bastante enfadonhos. Gostei do final do livro. Erico, em itálico, em pouco mais de cinco páginas, em um estilo muito sensível, meio que escreve uma carta aberta para Joana, lhe contando o que aconteceu com sua aldeia, com sua França após sua morte, e fala sobre acontecimentos mais recentes como a primeira grande guerra, contrastando a capacidade de matar dela a que havia no tempo da guerreira... <i>"Joana, doce Joana, agora que saíste fora do tempo, fora do mundo, pertences a quem quer que tenha um pouco de fé e imaginação para te invocar."</i>

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