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    A Vida de Joana D'Arc -

    Erico Verissimo

    Editora Globo
    1996
    308 páginas
    10h 16m
    ISBN-10: 8525000906
    Português Brasileiro
    3.9
    239 avaliações
    Leram538Lendo32Querem319Relendo0Abandonos13Resenhas10
    Favoritos18Desejados319Avaliaram239

    Depois da obra de Mark Twain, é um desafio sobrehumano aos demais autores mundiais escrever uma obra literária a respeito da vida de Joana D’Arc com tamanha grandeza. Mas Erico Verissimo soube driblar esse impedimento e criar uma obra que vai num crescendo tanto literário quanto de objetivo final. No prefácio do livro, ele assume que iniciou a obra pensando em seus futuros leitores de 6 a 12 anos, mas depois mandou tudo “ao diabo” e deixou que a pena escrevesse o que devia ser escrito, sem olhar a quem. E aí vem o resultado, que foi confirmado por um padre, amigo íntimo de Verissimo – tudo contado no prefácio -, que lhe questionou como a mesma pessoa que escreveu o desatino de Caminhos Cruzados pode conseguir alcançar a beleza de “A vida de Joana D’Arc”.

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    Filipe Quevedo picture
    Filipe Quevedo11/11/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Só pra não perder o costume ou #20?

    A vida de Joana D'Arc (obra de 1935) se situa, cronologicamente, no início da carreira de Erico Verissimo. Segundo o autor, a história da jovem donzela francesa lhe fascinava desde sua infância. Confessa em seu prefácio sua intenção primeira de escrever a história da guerreira para o público juvenil. Porém, conforme a confecção se dava, Erico decidiu não limitar seu texto por características adequadas a leitores(as) jovens; em outras palavras, abandonou a sua primeira intenção e passou a escrever como julgou que deveria. Mergulhou em leituras que lhe serviram como fontes de pesquisa e obras referenciais nas quais baseou seu trabalho. Segundo ele, o resultado é uma biografia <i>"romanceada até onde me foi possível fazer isso sem trair a verdade histórica"</i>. Por já ser grande conhecedor da obra de Erico, particularmente me pergunto se uma segunda intenção não estava por trás de A vida de Joana D'Arc. Explico: em sua autobiografia o autor confessa que, em sua opinião, os livros didáticos apresentavam a História de forma monótona, enfadonha. Para ele esses livros eram <i>"redigidos em estilo pobre e incolor"</i>, causando o desinteresse dos estudantes para com os assuntos tratados. Nesse sentido, o autor admite que uma das suas pretensões com a saga O tempo e o vento era escrever a história do Rio Grande do Sul de tal maneira que, pelas suas mãos, ela se apresentasse mais interessante, mais vívida, mais expressiva. Bem, quem sabe esta obra sobre a donzela Joana também não tenha sido uma tentativa de pintar em cores mais vibrantes a vida e a história da jovem guerreira. Não gostei muito do livro por dois motivos: os inúmeros movimentos de batalha, os quais tenho dificuldade de visualizar e acompanhar, além de que o tema "guerra" e seus adjacentes não me cativam; e a presença contínua de uma dimensão religiosa referente ao fato de que Joana, como a História nos testemunha, supostamente tinha visões de algumas santas (Catarina e Margarida) que lhe visitavam e falavam com ela, o que acontece com certa frequência. Esses dos aspectos tão presentes me foram bastante enfadonhos. Gostei do final do livro. Erico, em itálico, em pouco mais de cinco páginas, em um estilo muito sensível, meio que escreve uma carta aberta para Joana, lhe contando o que aconteceu com sua aldeia, com sua França após sua morte, e fala sobre acontecimentos mais recentes como a primeira grande guerra, contrastando a capacidade de matar dela a que havia no tempo da guerreira... <i>"Joana, doce Joana, agora que saíste fora do tempo, fora do mundo, pertences a quem quer que tenha um pouco de fé e imaginação para te invocar."</i>

    14 curtidas

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    3.9 / 239
    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas27%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas2%
    Erico Lopes Verissimo profile picture

    Erico Lopes Verissimo

    Erico Lopes Verissimo (1905 - 1975), nascido em Cruz Alta (RS), foi um escritor brasileiro. Com uma prosa simples e de fácil leitura, tornou-se um dos escritores mais populares da literatura brasileira. Em 1932, publicou seu primeiro livro, ‘Fantoches’, e em 1938 obteve sucesso com o romance ‘Olhai os Lírios do Campo’, que lhe deu projeção nacional como escritor. "Posso afirmar que só depois do aparecimento de 'Olhai os Lírios do Campo' é que pude fazer profissão da literatura". Seu trabalho mais conhecido, todavia, é a trilogia ‘O Tempo e o Vento’, publicada entre 1949 e 1962. Trata-se de um romance histórico que se situa em diversos momentos da história do Rio Grande do Sul. Embora não possuísse diploma de curso superior, Verissimo lecionou literatura brasileira nos Estados Unidos e foi diretor de revistas. Em 1971, lançou ‘Incidente em Antares’, uma obra crítica ao regime militar brasileiro. Na periodização literária, Verissimo pode ser enquadrado na segunda fase do modernismo no Brasil, caracterizado pelos romances regionalistas. Verissimo retratou em suas obras aspectos sociais, políticos e históricos do Rio Grande do Sul. Seus romances são marcados pela abordagem realista dos personagens e da sociedade, explorando temáticas como as desigualdades sociais, as relações familiares, o contexto político e as transformações históricas. Um dos principais aspectos de sua escrita é a capacidade de retratar a psicologia dos personagens, explorando suas motivações, dilemas e conflitos internos. Além disso, Verissimo demonstra sensibilidade ao retratar o cotidiano, a vida simples e os dramas humanos. Verissimo também escreveu obras em outros gêneros, como ficção didática (Viagem à Aurora do Mundo), literatura infantil (Os Três Porquinhos Pobres) e uma autobiografia (Solo de Clarineta). CONTOS Fantoches – 1932 Chico – 1932 As mãos de meu filho – 1942 O ataque – 1958 Outros contos – 1972 ‘Os devaneios do general’ ‘O navio das sombras’ Galeria fosca – 1987 ROMANCES Clarissa – 1933 Caminhos cruzados – 1935 Música ao longe – 1936 Um lugar ao sol – 1936 Olhai os lírios do campo – 1938 Saga – 1940 O resto é silêncio – 1943 O tempo e o vento (1ª parte) — O continente – 1949 O tempo e o vento (2ª parte) — O retrato – 1951 O tempo e o vento (3ª parte) — O arquipélago – 1962 O Senhor Embaixador – 1965 O prisioneiro – 1967 Incidente em Antares – 1971 LITERATURA INFANTOJUVENIL A vida de Joana d'Arc – 1935 As aventuras do avião vermelho – 1936 Os três porquinhos pobres – 1936 Rosa Maria no castelo encantado – 1936 Meu ABC – 1936 As aventuras de Tibicuera – 1937 O urso com música na barriga – 1938 A vida do elefante Basílio – 1939 Outra vez os três porquinhos – 1939 Viagem à aurora do mundo – 1939 Aventuras no mundo da higiene – 1939 Gente e bichos – 1956 NARRATIVAS DE VIAGENS Gato preto em campo de neve – 1941 A volta do gato preto – 1946 México – 1957 Israel em abril – 1969 AUTOBIOGRAFIAS O escritor diante do espelho – 1966 (em ‘Ficção Completa’) Solo de clarineta – Memórias (1º volume) – 1973 Solo de clarineta – Memórias 2 – 1976 (ed. póstuma, organizada por Flávio L. Chaves) ENSAIOS Brazilian Literature – an Outline – 1945 Mundo velho sem porteira – 1973 Breve história da literatura brasileira – 1995 (tradução de Maria da Glória Bordini) BIOGRAFIA Um certo Henrique Bertaso – 1972 COMPILAÇÕES Suas obras foram compiladas em três ocasiões: Obras de Érico Veríssimo – 1956 (17 volumes) Obras completas – 1961 (10 volumes) Ficção completa – 1966 (5 volumes)

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    Rio Grande do Sul, Brasil

    Erico Lopes Verissimo