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    Aventuras Macabras de Edgar Allan Poe -

    Flávio Colin, Shima, Edgar Allan Poe

    Skript
    2022
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9786554000123
    Português Brasileiro
    3.9
    18 avaliações
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    Favoritos1Desejados13Avaliaram18

    Quatro gênios dos quadrinhos nacionais se unem para adaptar os contos de um dos autores mais influentes da história da literatura. No Brasil, o gênero do terror foi e é um dos mais importantes para a cena dos quadrinhos. Desde o final da década de 30, elementos dessas histórias já eram percebidas em outros gêneros, sobretudo nas tramas policiais, muito famosas no pré-guerra. Os brasileiros sempre gostaram de uma boa história de terror. Das lendas ao folclore, nas próprias cantigas infantis, possuem claros elementos de terror. Onde já se viu cantar para uma criança - e ainda mais, para dormir - que o boi da cara preta vai vir pegá-la, ou durante a brincadeira cantarolar que se atirou o pau no gato e por sorte, ele não morreu, deixando bem clara a intenção do agressor. Quer como gênero principal ou como subgênero, é indissociável da história dos quadrinhos no Brasil. O flerte com o sobrenatural, com as sensações advindas do medo e do horror, foi desenvolvido em níveis equivalentes, senão superiores ao produzido “lá fora”, principalmente por, desculpe o trocadilho, “monstros” sagrados da nona arte. Gênios das primeiras gerações do terror no Brasil. Alguns natos, outros naturalizados ou radicados em nosso país, mas todos, de uma excelência ímpar que ecoa até os dias de hoje. Certamente causando injustiça a tantos outros grandes, destacam-se, nomes como Jayme Cortez, Rodolfo Zalla, Flavio Colin, Julio Y. Shimamoto, Ivan Saidenberg, Eugenio Colonnese, Nico Rosso, Claudio Seto, Rubens Cordeiro, Jordí, José Menezes, a relação é imensa.... sim, o Brasil teve e tem muitos dos melhores quadrinistas do mundo. Entre autos e baixos, entre os anos 60 e 70, nas bancas, havia mais de 30 títulos de quadrinhos de terror à venda. Mesmo durante a Ditadura, com o ativismo dos sensores, o terror sobreviveu. Por vezes, migrou para o “terrir”, noutras se mesclou com gêneros mais eróticos, por vezes, se tornava um protesto - geralmente disfarçado - e uma crítica à perda da democracia. Mas ele continuava lá. Na última década da ditadura, naqueles anos de chumbo, um dos maiores sucessos do terror, a revista Calafrio, da D-Arte, passou a ser uma companheira à altura da Kripta, da RGE. Outras editoras como Bloch, Noblet, Vecchi e Ebal, tinham, cada uma, sua própria linha de terror. Eram quadrinhos nacionais e internacionais á disposição do público. Entre tantos títulos, como Neuros, Spektro, Mestres do Terror, além das outras revistas já citadas, havia pela Bloch, a Capitão Mistério apresenta: Frankenstein, Histórias Reais de Drácula, do Lobisomem, da Múmia, e por aí vai. Na edição n. 12, no ano II (1978), em Capitão Mistério apresenta: Aventuras Macabras, a revista foi dedicada a Edgar Allan Poe, e quatro gênios foram convidados a adaptar suas histórias: Flavio Colin, Julio Y. Shimamoto, Jordí e José Menezes. Há uma quinta história na HQ, mas sem créditos ao artista, e, sem relação direta ao autor homenageado, pois adapta um filme de terror de 1958 (talvez esta história foi introduzida apenas para manter o padrão de número de páginas da revista). O fato é que esta edição, numa confluência cósmica, por alguns chamado de coincidência, mas por tantos outros de destino, volta ao mercado editorial brasileiro após 44 anos depois de seu lançamento. E isto foi possível por coincidências (ou destino) que envolvem diretamente a Skript e os autores desta obra, permitindo a republicação deste importante quadrinho nacional, agora, com novo tratamento editorial.

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    Felipe de Gouvêa Peixoto Alves picture
    Felipe de Gouvêa Peixoto Alves07/10/2024Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Allan Poe com monstros nacionais

    Nada melhor do que começar a semana de leituras de 'Sucessos Nacionais' com um gênero que sempre foi sucesso nos quadrinhos brasileiros: o terror! Publicada pela Editora Skript, 'Aventuras Macabras de Edgar Allan Poe' é um resgate histórico de uma edição de 1978 da revista 'Capitão Mistério Apresenta'. Coube à edição 12 do gibi, publicado na época pela Editora Bloch, reunir em um único volume quatro monstros dos quadrinhos nacionais ilustrando contos de Allan Poe. 'A Máscara da Morte Rubra', com os desenhos de Flavio Colin, traz uma peste mortal em um castelo da realeza. Coube a Shimamoto ilustrar o perturbador conto 'O Estranho Caso do Senhor Valdemar', onde a morte é vencida com o hipnotismo. Em 'Manuscrito Encontrado numa Garrafa', Jordí traça uma mortal história a bordo de um navio fantasma, enquanto em 'O Estranho William Wilson' José Menezes desenha o conto de um jovem que, no melhor estilo 'Clube da Luta', descobre um sósia. A edição traz ainda os contos originais de Poe, além de textos que explicam o fascínio do público brasileiro pelo gênero terror. Pra fechar, a HQ traz também os originais, em cores, da famosa edição 12 da publicação da Bloch. Se você gosta de terror e quer aproveitar o clima de Halloween do mês de outubro, 'Aventuras Macabras' é uma excelente pedida! E você, já leu esse gibi? Assim como eu, ficou com medo de virar cada página?

    1 curtida

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    3.9 / 18
    • 5 estrelas11%
    • 4 estrelas56%
    • 3 estrelas28%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas0%
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    Flávio Colin

    Desenhista carioca, criado no sul do país, Flavio Barbosa Mavignier Colin iniciou sua carreira de quadrinhista ainda bem jovem, nos anos 50. De acordo com uma entrevista que deu nos anos 80, sua primeira HQ profissional saiu na revista “Enciclopédia em Quadrinhos”, da RGE, em 1956. Seguiram-se X-9, Águia Negra, Dom Quixote, Cavaleiro Negro e outros. O fato de trabalhar em títulos originariamente estrangeiros, serviu para consolidar seu estilo arrojado e diferente, além de lhe conferir um senso profissional, ainda hoje sem paralelos no mercado de comics tupiniquim. Ficou bem conhecido ao transportar para as páginas impressas, o herói radiofônico O Anjo, além da quadrinização de Os Brutos também Amam. Nos anos 60, marcaria definitivamente sua carreira, ao trabalhar no gibi do grande sucesso da TV brasileira: O Vigilante Rodoviário. Colin também atuou na área publicitária e colaborou para a (hoje) histórica revista O Cruzeiro; além de fazer parte de inúmeras tentativas de se nacionalizar a produção de quadrinhos, no Brasil. Para os estúdios de Maurício de Souza e o grupo Folha, produziu Vizunga, um dos primeiros personagens de quadrinhos realmente com background ecológico. Homem de fortes convicções, Colin sempre rendeu ótimas e esclarecedoras entrevistas... tão boas quanto suas histórias. Entre os anos 70 e 80, produziu ininterruptamente, colaborando para as publicações das editoras Grafipar e D-Arte, entre outras. Prolífico até o fim de sua vida, Colin ficou conhecido pela nova geração de leitores brasileiros, ao estrelar publicações especiais como: O Boi das Aspas de Ouro, Estórias Gerais e Fawcett. Colin faleceu em 13 de agosto de 2002, devido a complicações respiratórias. Tem em artistas como Watson Portela verdadeiros admiradores. “O Colin eu gostava por causa do estilo ímpar. Se existiu um desenhista realmente brasileiro, foi o Colin”, lembrou Watson em uma entrevista.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Flávio Colin