Durante toda a minha vida carreguei livros comigo para onde quer que eu fosse, às vezes um, às vezes dois, mas geralmente três. Carregava meus livros na bolsa pelas ruas da cidade e aquilo para mim era normal, apesar de ter que ouvir minha mãe perguntar, vezes sem fim: "Menina, por que tem que carregar pedra na bolsa?"
Até que os ombros começaram a reclamar, foi aí que corri à procura de livros de bolso. No início comprava três ou quatro por vez, o critério de escolha? Nenhum. Esse comprei pela capa, não conhecia Thackeray e mal lembrava de seu A feira das vaidades, esse já havia lido algo a respeito. E já faz um bom tempo que ele estava nas prateleiras. E paradoxalmente agora eu o leio em ebook, coisas de quarentena.
Uma coletânea sempre pode envolver altos e baixos, é sempre bom ter isso em mente quando resolvemos nos aventurar nesse tipo leitura, "O livro dos esnobes" não é diferente. Thackaray tem um olhar aguçado e um senso de humor que me fez lembrar muito Wodehouse.
Os esnobes do campo foram meus ensaios favoritos.
Livro disponível no Kindle Unlimited
Grifos:
"Temos falhas e afetações diferentes e a nobreza já não domina mais a vida social, econômica e política, mas O livro dos esnobes nos diz muito sobre a natureza humana que ainda hoje é pertinente e nos proporciona uma clara visão da sociedade na Inglaterra vitoriana."
"Sir George é mais asno aos sessenta e oito anos do que era quando entrou para o exército, aos quinze."
"Escrevia todos os anos resmas de sermões tão bem-intencionados quanto enfadonhos."
"Se você considera, caro leitor, o profundo esnobismo que o sistema universitário produz, vai admitir que já é hora de atacar algumas dessas superstições feudais da Idade Média."