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    O cogumelo no fim do mundo - Sobre a possibilidade de vida nas ruínas do capitalismo

    Anna Tsing

    N-1 Edições
    2022
    412 páginas
    13h 44m
    ISBN-13: 9786586941968
    Português Brasileiro
    4.6
    22 avaliações
    Leram35Lendo21Querem149Relendo0Abandonos1Resenhas3
    Favoritos2Desejados149Avaliaram22

    Neste livro proliferam estórias maravilhosas de outros mundos possíveis, e em meio as quais se manifesta o projeto da antropóloga estadunidense Anna Tsing: examinar como emergem refúgios de coabitação em meio à perturbação. Seguindo as pistas lançadas pelo cogumelo matsutake, Tsing nos leva em uma viagem que, ao final, aponta para as possibilidades de construção de refúgios para a vida em meio às ruínas do capitalismo. Contando as estórias do matsutake, ela nos convida a perceber que é possível aprender a ocupar as ruínas, dançando em meio a paisagens arruinadas de um antropoceno fragmentado. Neste livro, as descrições etnográficas de mundos que emergem de “designs não intencionais” se entrelaçam com a ficção científica e a fabulação especulativa, compondo uma escrita antropológica animada pela dança multitiespécie de paisagens arruinadas em regeneração. Um impressionante relato do capitalismo contemporâneo descrito a partir das aventuras do cogumelo matsutake, o livro é, também, um testemunho das lutas multitiespécie pela sobrevivência coletiva e pela continuidade da vida em meio à destruição. Zoy Anastassakis

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    Resenhas (3)Ver mais
    Cecília picture
    Cecília09/01/2026Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    exemplo do que é uma escrita de divulgação acadêmica linda e interessante. não sei se consigo dizer que concordo com tudo que a autora propõe e também que as análises econômicas foram ah a coisa mais profunda do mundo, o que foi compensado com análises antropológicas gritantemente certeiras (até porque essa é a especialidade da Anna Tsing, antropóloga, e que, mesmo assim, explicou muito didaticamente conceitos complexos da micologia). eu nunca tinha parado pra pensar nas infinitas possibilidades de diálogos do mundo vegetal com as ciências humanas, pelo menos não da forma que a Anna propõe, fazendo intersecções e metáforas (com um balanço entre tratar de ecologia, filosofia, antropologia e política -- mas não digo um balanço necessariamente bom) das probabilidades inusitadas do florescimento de sobrevivências no capitalismo com o ineditismo dos matsutakes, trazendo de volta os humanos ao que nós realmente somos, seres pertencentes ao reino animalia, seres que fazem parte da natureza, e não como indivíduos acima dela. nossas conexões globalizadas, redes de contatos, são uma grande micélia... queria ter visto uma perspectiva um pouquinho mais pós-colonial também. um ponto que já comentei e que incomodou bastante foi o fato da análise econômica ter sido bem fraca e rasa, acho que isso aconteceu porque a Anna pareceu nossa maravilhada por conta dos mercados "alternativos" de matsutake no Japão e etc mas que são só apenas um sintoma comum e já muito bem conhecido do capitalismo na verdade rs (não nada de inovador como o livro se propunha na introdução). seria interessante se a Anna tivesse encaixado melhor dentro do capitalismo como esses mercados que nascem da "perturbação" e "imprevisibilidade", porque ficou tudo em abstrato. a riqueza da análise da obra dela reside apenas, no meu ver, na proposição do nosso paralelo com a vida vegetal e na discrição antropológica em si. de resto, a beleza é o experimentalismo do livro. só pra finalizar, preciso falar mais uma vez: que trabalho mais inspirador. fazem muita falta obras/tratados nas ciências humanas e sociais que realmente transpareçam que o pesquisador quer subverter uma ordem de pensamento e fazer uma análise holística, ou seja, que o pesquisador realmente tem um desejo de mudar o mundo. claramente não foi um trabalho muito bem sucedido, pelo fato do balanço entre biologia e política/economia não ter sido o dos melhores, no meu ver, além de que faltou uma conclusão mais concisa (talvez também não deixar tantas coisas em aberto), levando em consideração de que o livro foi bem bem bem fragmentado (o que até me agradou), a análise econômica bem mais bem anêmica... mas ainda vou dar 4 estrelas pela coragem experimentalista que me impressionou. a intenção foi boa...

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.6 / 22
    • 5 estrelas59%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Anna Lowenhaupt Tsing profile picture

    Anna Lowenhaupt Tsing

    Anna Lowenhaupt Tsing (nascida em 1952) é uma antropóloga americana. Ela é professora do Departamento de Antropologia da Universidade da Califórnia, Santa Cruz. Em 2018, ela foi premiada com a Medalha Memorial Huxley do Royal Anthropological Institute. Juntamente com a estudiosa Donna J. Haraway, Tsing cunhou Plantationoceno como um termo alternativo para a época proposta Antropoceno que centra as atividades humanas na transformação do planeta e seu efeito negativo no uso da terra, ecossistemas, biodiversidade e extinção de espécies. Tsing e Haraway apontam que nem todos os seres humanos contribuem igualmente para os desafios ambientais que nosso planeta enfrenta. Eles datam a origem do Antropoceno até o início do colonialismo nas Américas no início da era moderna e destacam a história violenta por trás dele, concentrando-se na história das plantações. (Wikipedia)

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    Anna Lowenhaupt Tsing