Numa e a ninfa -

    Lima Barreto

    Carambaia
    2022
    159 páginas
    5h 18m
    ISBN-10: B0BLZXZRNQ
    Português Brasileiro

    Sátira política publicada originalmente em folhetim, "Numa e a ninfa" inaugura uma nova forma literária praticada pelo escritor brasileiro Lima Barreto Quando começou a ser publicado, na forma de folhetins, em março de 1915, foi anunciado pelo jornal A Noite como um texto que "romanceava vários escândalos dos milhares que assinalaram o governo Hermes como o mais corrupto da história". A obra retrata a trajetória de Numa Pompílio de Castro, um bacharel em Direito medíocre, acomodado, sem qualquer predicado exceto a persistência, que, ao se casar com a filha do governador, conquista uma cadeira de deputado federal na Câmara. "Numa é o exemplo perfeito da figura do doutor tão criticada por Lima Barreto em toda a sua obra", considera Beatriz Resende. A partir da história desse "brâmane privilegiado" – que ganhará certo reconhecimento intelectual graças a Edgarda Cogominho, sua esposa e ninfa –, Lima descreve o universo de falcatruas, desmandos e vantagens da vida política da capital federal durante o processo de votação de uma proposta para a criação de um novo estado. Para a ensaísta, foi com Numa e a ninfa que Lima Barreto estabeleceu uma nova relação com a imprensa de sua época, "indicando um reconhecimento pouco apresentado da importância desse mulato, morador de subúrbio carioca, na vida literária de seu tempo".

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    Thiago Nascimento picture
    Thiago Nascimento13/08/2023Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Ah, Brasil!

    Lima Barreto é um grande leitor do Brasil, um crítico social. Quer conhecer o Brasil da Primeira República (quiçá Brasil atual)? Leia Lima Barreto! Com sua ironia, consegue criticar vários aspectos que vão dá economia a política, passando pela sociedade brasileira. Cada um dos seus personagens representa um aspecto do Brasil, que teima em não mudar! Se tirassem a capa e nos dessem a ler os livros de Barreto, sem dúvidas, pensaríamos estar lendo sobre o Brasil de hoje. Implica mesmo com o lema positivista da nossa bandeira (a tal "ordem e progresso"): "a bem dizer é o contrário, todo o progresso tem sido feito com desordens". E não é isso? Um país sem revoluções, onde tudo permanece igual... Numa e a ninfa surgiu primeiro como um conto, por isso seu plot final já é conhecido pelos leitores. Das obras de Lima Barreto, que li, essa parece ser a mais confusa. Uma profusão de personagens, alguns sem sentido outro que não o de apresentar as máculas do nosso país. Pudera, feito nos momentos finais de Barreto. Clientelismo, fome de poder das oligarquias, exército metido em política, fraudes, corrupções, tudo isso é descrito com tonalidades fortes. Entende-se porque Lima Barreto nunca foi aceito na elitista Academia Brasileira de Letras. Ele não perdeu muito, já a Academia....

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