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    A vida descalço -

    Alan Pauls

    Companhia das Letras
    2023
    104 páginas
    3h 28m
    ISBN-13: 9786559213931
    Português Brasileiro
    3.4
    61 avaliações
    Leram81Lendo2Querem120Relendo0Abandonos1Resenhas6
    Favoritos1Desejados120Avaliaram61

    Nesta mescla magnética de ensaio e memória, o autor argentino faz da praia o lugar da disponibilidade, dos encontros, do ócio, espaço-chave na vida moderna; experiência íntima e estereótipo, utopia selvagem e palco daquilo que chamamos de civilização. "Nós, os que vamos à praia, vamos sempre mais ou menos atrás da mesma coisa: das marcas do que o mundo era antes que a mão do homem decidisse reescrevê-lo." É dessa maneira que o narrador de A vida descalço avança, em uma deriva que o levará da memória à história social, do ensaio cultural a tudo aquilo que jaz sob a areia da praia, esse lugar "franco, transparente, aberto ao céu como uma boca ou uma ferida". Desafiando os lugares-comuns tanto do pensamento como do prazer, Alan Pauls nos apresenta a praia como ambiente da imaginação. Entre hordas turísticas e a areia deserta, os enigmas da praia se veem auscultados ao contrário: a beira-mar como lente de aumento para investigar a vida civil, a superprodução de sonhos ("sonha-se muito na praia"), a utopia política, os corpos bronzeados, e o verão como invenção midiática. Fenomenologia íntima e paródia do intelectual em férias, este livro nos conduz à praia da infância do narrador – o litoral de Villa Gesell, ao sul de Buenos Aires, onde por mais de quinze anos o autor passou suas férias de verão –, às ficções estivais de François Ozon e Eric Rohmer, às areias do Rio de Janeiro dos anos 70, às fantasias ascéticas da antipraia invernal. De shorts e havaianas, "com a pele branca de sal e os ombros em processo avançado de descascamento", o narrador nos mistura ao balneário, ao calor, e faz deste livro um dos grandes triunfos daquele que, nas palavras do autor chileno Alejandro Zambra, é "um dos escritores imprescindíveis da atual literatura latino-americana". "Ao iluminar as dunas impensadas dos espaços onde imaginamos a liberdade, A vida descalço nos coloca diante de um relato onde a fineza especulativa, o humor rasante e o descobrimento inusual do que está próximo brilham como nunca na elegante música que faz de Alan Pauls um dos príncipes mais distintos da literatura em língua espanhola." – Pola Oloixarac "Nem sempre um garoto que passa as férias de verão perto do mar encontra consolo num adulto que escreve. A sucessão de imagens e cenas da praia nos ajudam a encontrar uma solução a este elegante enigma." – Luis Chitarroni

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    Aline Guimarães picture
    Aline Guimarães13/04/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Como uma boa conversa

    Você por acaso tem um amigo ou 𝒂𝒎𝒊𝒈𝒂 𝒒𝒖𝒆 𝒂𝒅𝒐𝒓𝒂 𝒄𝒐𝒏𝒗𝒆𝒓𝒔𝒂𝒓 𝒔𝒐𝒃𝒓𝒆 𝒕𝒖𝒅𝒐? Que começa a falar sobre um assunto e diz como era na 𝒂𝒏𝒕𝒊𝒈𝒖𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆, o que a 𝒎𝒊𝒕𝒐𝒍𝒐𝒈𝒊𝒂 fala sobre isso, como tal coisa foi retratada no 𝒄𝒊𝒏𝒆𝒎𝒂 e na 𝒍𝒊𝒕𝒆𝒓𝒂𝒕𝒖𝒓𝒂 e então emenda com histórias da própria vida e nunca para de falar? Bem, se você tem um amigo assim e gosta de conversas longas sobre o mesmo tema vai adorar 𝑨 𝒗𝒊𝒅𝒂 𝒅𝒆𝒔𝒄𝒂𝒍ç𝒐, do escritor, roteirista e crítico de cinema argentino 𝑨𝒍𝒂𝒏 𝑷𝒂𝒖𝒍𝒔, um confesso amante da praia. Nesta obra o autor discorre sobre o tema “praia” sob vários prismas, com uma 𝒍𝒊𝒏𝒈𝒖𝒂𝒈𝒆𝒎 𝒓𝒊𝒄𝒂 𝒆 𝒃𝒆𝒎-𝒉𝒖𝒎𝒐𝒓𝒂𝒅𝒂. Logo de início nos apresenta a praia como um cenário, como uma tela em branco onde tudo (ou muitas coisas) é possível. E isso me surpreendeu logo de cara, pois pensar na praia desta forma, como algo imenso, infinito e talvez uma obra de arte que acabou de começar é encantador. Ao longo do texto o autor intercala histórias de sua própria experiência na praia - desde quando era criança – a subdivisões desse mesmo tema: fala de mitologia, da função da mídia na criação da praia como um evento, da carga erótica existente nas vestimentas praianas, da noção de grupo que existe ali, de cinema, de Proust e Camus e até da praia invernal. Com relação a este último tema eu só pude me perguntar como é possível que alguém curta ir à praia no frio. Mas é claro que tem quem goste. Particularmente, achei a leitura muito gostosa e ri com algumas situações que ele nos conta, principalmente de quando era criança e sua experiência no Rio de Janeiro nos anos 70. Ler este livro me fez lembrar de situações da minha própria vida, de férias em família e alguns fatos engraçados - e isso foi muito bom. Se você gosta de livros de não-ficção e com uma temática deste tipo, se jogue nesta leitura, que aliás é bem curtinha.

    5 curtidas

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    3.4 / 61
    • 5 estrelas10%
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