O livro das ignorãças (Mestres da literatura brasileira e portuguesas #30) -

    Manoel de Barros

    Record/Altaya
    1993
    103 páginas
    3h 26m
    ISBN-10: 8501159301
    Português Brasileiro

    O livro das ignorãças revela uma sofisticada e expressiva arte poética. Nele, a erudição se faz presente para poetizar a fala do que é marginal ou fronteiriço à civilização, a começar pela própria natureza e a população de pequenos animais do ar, das águas, de alagadiços e umidades. Manoel de Barros se faz aqui mestre de si mesmo. Em contraste com a “educação pela pedra” de João Cabral ou com a “pedra no meio do caminho” de Drummond, Manoel constrói um novo lugar para sua poesia ao propor uma deseducação pelo musgo, pelo caramujo, pelo sapo. Uma deseducação pela prática metódica de sensações e estímulos. Seu universo poético, como os riachos do Pantanal, ramifica-se ao infinito, mas é dotado de forte consistência semântica, estética e ética. Alcança a “não função” da palavra ao fazê-la “delirar”, “voar fora da asa”. No tipo de metáfora que resulta daí, a palavra A não representa uma imagem B. Temos A + B + C etc. preenchendo buracos de significação, em sucessivas operações sinestésicas. Pois a sabedoria da ignorãça é justamente inventar ou revelar latências de sentido.

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    Leticia Barbosa14/05/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    “As coisas que não existem são as mais bonitas”

    Não costumo me adaptar muito a poesias, mas uma amiga me indicou esse livro e resolvi ler. E que leitura incrível!! O autor trabalha muito bem a questão da linguagem nos levando a desconstruir o que é comum para entender o desconhecido. A Escrita do Manoel é maravilhosa, cheia de pensamentos que nos faz parar e refletir. Em vários momentos parei e me perguntei “o que o autor realmente quis dizer com esse trecho, qual a interpretação que não vi logo na primeira leitura?”. Realmente foi preciso desaprender para entender. E como diz o Manoel “desaprender oito horas por dia ensina os princípios." Vale muito a pena a leitura, chega um momento que você se sente parte dela, viaja com as palavras, “escuta a cor dos passarinhos”. Ler Manoel de Barros é aprender que “poesia é voar fora da asa”.

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