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    O livro das ignorãças -

    Manoel de Barros

    Alfaguara
    2016
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-13: 9788556520043
    Português Brasileiro
    4.3
    799 avaliações
    Leram1405Lendo40Querem482Relendo1Abandonos5Resenhas70
    Favoritos32Desejados482Avaliaram799

    Manoel de Barros, poeta criador de linguagens e estilos, apresenta a ignorãça como fonte de inspiração e conhecimento. Manoel de Barros (1916-2014) nasceu em Cuiabá, mas foi criado numa fazenda próxima a Corumbá. Começou sua educação num internato em Campo Grande e, aos doze anos, foi matriculado no Colégio São José, no Rio de Janeiro - cidade onde viveu por trinta anos. Em 1937 publicou seu primeiro livro de poesia, Poemas concebidos sem pecado. Viajou pela Europa, estudou cinema e arte em Nova York. Em 1958, mudou-se com a mulher Stella e os três filhos para o Pantanal. Viveu um período de intensos e rústicos trabalhos para formar a fazenda; por isso, durante quase dez anos, pouco se dedicou à literatura. Nos anos 1960, vivendo em Campo Grande, foi premiado pelo livro Compêndio para uso dos pássaros e, nos anos 1970, voltou à cena literária com Matéria de poesia. No início dos anos 1990, sua obra poética foi reunida no volume Gramática expositiva do chão (poesia quase toda). A partir de então, conquistou vários prêmios importantes como o APCA, o Jabuti e o Nestlé de Literatura. Nos anos 2000, sua obra foi publicada em Portugal, recebeu prêmios internacionais e foi traduzida para vários idiomas. O livro das ignorãças revela uma sofisticada e expressiva arte poética. Nele, a erudição se faz presente para poetizar a fala do que é marginal ou fronteiriço à civilização, a começar pela própria natureza e a população de pequenos animais do ar, das águas, de alagadiços e umidades. Manoel de Barros se faz aqui mestre de si mesmo. Em contraste com a "educação pela pedra" de João Cabral ou com a "pedra no meio do caminho" de Drummond, Manoel constrói um novo lugar para sua poesia ao propor uma deseducação pelo musgo, pelo caramujo, pelo sapo. Uma deseducação pela prática metódica de sensações e estímulos. Seu universo poético, como os riachos do Pantanal, ramifica-se ao infinito, mas é dotado de forte consistência semântica, estética e ética. Alcança a "não função" da palavra ao fazê-la "delirar", "voar fora da asa". No tipo de metáfora que resulta daí, a palavra A não representa uma imagem B. Temos A + B + C etc. preenchendo buracos de significação, em sucessivas operações sinestésicas. Pois a sabedoria da ignorãça é justamente inventar ou revelar latências de sentido.

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    Leticia Barbosa picture
    Leticia Barbosa14/05/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    “As coisas que não existem são as mais bonitas”

    Não costumo me adaptar muito a poesias, mas uma amiga me indicou esse livro e resolvi ler. E que leitura incrível!! O autor trabalha muito bem a questão da linguagem nos levando a desconstruir o que é comum para entender o desconhecido. A Escrita do Manoel é maravilhosa, cheia de pensamentos que nos faz parar e refletir. Em vários momentos parei e me perguntei “o que o autor realmente quis dizer com esse trecho, qual a interpretação que não vi logo na primeira leitura?”. Realmente foi preciso desaprender para entender. E como diz o Manoel “desaprender oito horas por dia ensina os princípios." Vale muito a pena a leitura, chega um momento que você se sente parte dela, viaja com as palavras, “escuta a cor dos passarinhos”. Ler Manoel de Barros é aprender que “poesia é voar fora da asa”.

    27 curtidas

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    • 1 estrelas1%
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    Manoel Wenceslau Leite de Barros

    Atualmente, é considerado o maior ou um dos maiores poetas vivos do Brasil, sendo o mais aclamado atualmente nos círculos literários do seu país. Seu trabalho tem sido publicado em Portugal, onde é um dos poetas contemporâneos brasileiros mais conhecidos, na Espanha e na França. Pertencente, cronologicamente à Geração de 45, mas formalmente ao Modernismo brasileiro, se situando mais próximo das vanguardas européias do início do século e da Poesia Pau-Brasil e da Antropofagia de Oswald de Andrade. Recebeu vários prêmios literários, entre eles, dois Prêmios Jabutis. É o mais aclamado poeta brasileiro da contemporaneidade nos meios literários. Enquanto ainda escrevia, Carlos Drummond de Andrade recusou o epíteto de maior poeta vivo do Brasil em favor de Manoel de Barros.

    45 Livros
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    Mato Grosso, Brasil

    Manoel Wenceslau Leite de Barros