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    Em um com o impulso (Experiência estética e emancipação social #Bloco I) -

    Vladimir Safatle

    Autêntica
    2022
    232 páginas
    7h 44m
    ISBN-10: 6588239181
    Português Brasileiro
    4.5
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    Em um com o impulso é o primeiro volume de uma tríade dedicada à reflexão sobre a experiência estética. Seu eixo procura compreender a articulação profunda entre o que está em jogo na produção artística e as expectativas de emancipação social. Como se o horizonte de nossa emancipação fosse, em uma dimensão fundamental, uma produção estética. Como se algo de decisivo em nossa ideia de liberdade se construísse a partir dos desafios postos pelo campo de obras de arte que acompanham nossas sociedades. Este volume privilegiou rediscutir o processo complexo de consolidação da autonomia estética. E, para tanto, certas precisões históricas são necessárias. A principal delas consiste em lembrar que esse debate nasce no interior da estética musical, que ele pede então uma confrontação demorada com obras musicais dos séculos XVIII e XIX. Principalmente, isso significa entender que é possível procurar, nas decisões técnicas da forma musical, os caminhos para uma noção de autonomia distinta da autonomia moral, pois estranha a noções como autolegislação e autogoverno. Outros antes de nós já expressaram o estranhamento de vivermos em uma sociedade na qual até mesmo a liberdade é pensada sob a forma da lei. É que esses foram capazes de escutar certo modelo alternativo de autonomia produzido pela experiência musical. Lembrar disso hoje não é mera operação historiográfica. Antes, é uma forma de mobilizar a reconstrução da tradição para abrir espaço ao que os processos de sujeição cultural em nossa sociedade capitalista procuram negar com todas suas forças. Pois toda transformação é um movimento, ao mesmo tempo, para a frente e para trás.

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    Jess Carmo20/07/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Em um com o impulso

    A crítica à abstração é reacionária: "[...] certas correntes estéticas herdarão da política conservadora e reacionária essa desconfiança em relação à abstração. Pensemos, por exemplo, na afirmação de críticos de arte contemporâneos que terão em vista a defesa de alguma forma de 'realismo', como Pierre Restany, ao afirmar que: 'a arte abstrata recusava por definição todo apelo da realidade exterior: a arte de evasão e recusa do mundo, ela correspondeu à manifestação extrema de uma visão pessimista da condição humana" (p. 22) "[...] para a experiência estética, não haverá outra alternativa a não ser fazer a gramática da linguagem ordinária desabar, impedir que ela nomeie o que quer que seja, para que outro campo de experiência seja possível. A arte mostrará saber, melhor que qualquer outra práxis, que 'César é também senhor da gramática', que o exercício do poder encontra-se fundamentado na elaboração das condições sintáticas da vida social, na imposição de uma gramática que regulará o sentido das ações, o horizonte dos problemas, a configuração das soluções, a estrutura dos sujeitos agentes, a urgência das decisões." (p. 37) "Poderíamos nos perguntar qual o interesse em afirmar a existência de uma linguagem do povo, a não ser para aqueles que se colocam como seus porta-vozes, com a legitimidade e a pretensa autoridade que tal autoenunciação implicaria. E no contexto sócio-histórico que é o nosso, não é tarefa difícil perceber que normalmente tal tarefa é assumida pela indústria cultural e seu sistema de produtos. Ou seja, há que admirar que o mais profundamente 'popular' seja atualmente tão facilmente traduzível na lógica cultural do Capital, de suas aspirações monopolistas e sobretudo de seus dispositivos de personalização proletária. O 'popular' tornou-se, por alguma dessas coincidências fantásticas próprias a nosso tempo, o mais profundamente monetizado e que mais facilmente se traduz em um modelo espetacular de apresentação. Uma tradução sem resistência e sem decomposição. O que nos coloca questões sobre como efetivamente se produz o popular em uma era histórica como a nossa, sobre quais são os interesses por trás da enunciação da unidade da linguagem popular ou de sua pretensa tradutibilidade genérica de base." (p. 40) "Tudo se passa como se a autonomia estética fosse a realização da autonomia moral por outros meios. A submissão da autonomia estética à matriz moral da autonomia está principalmente enraizada na absorção dos princípios reguladores de certa noção de emancipação ligada às temáticas do autogoverno, da autolegislação, da jurisdição sobre si mesmo. Ou seja, da liberdade como capacidade de ‘dar para si mesmo sua própria lei'" (p. 50)

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    Vladimir Pinheiro Safatle

    Em suas obras o autor propõe uma releitura da tradição dialética por meio da teoria psicanalítica de Jacques Lacan, além da reformulação de categorias clássicas do pensamento marxista, como fetichismo, crítica e reconhecimento. É um dos responsáveis pela publicação de um importante estudo sobre a ditadura militar e suas ramificações no presente, intitulado: O que resta da ditadura: a exceção brasileira (Boitempo, 2010). Publicou também contribuições à filosofia da música, à crítica da cultura e à teoria psicanalítica. Assinou ainda a introdução à tradução brasileira da obra Bem-vindo ao deserto do real! (Boitempo, 2003), do filósofo esloveno Slavoj Žižek.

    21 Livros
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    Vladimir Pinheiro Safatle