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    Grande Hotel Abismo - Por uma reconstrução da teoria do reconhecimento

    Vladimir Safatle

    WMF Martins Fontes
    2012
    338 páginas
    11h 16m
    ISBN-13: 9788578274672
    Português Brasileiro
    4.6
    4 avaliações
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    De acordo com este livro, em um certo dia, Georg Lukács resolveu ironizar os filósofos da Escola de Frankfurt, em especial Theodor Adorno. Seu pretenso negativismo em relação ao curso do mundo, sua ânsia em descrever os impasses da razão, assim como os momentos nos quais os regimes de apreensão categorial desabam, isto sem aparentemente fornecer esquemas práticos de engajamento, exasperavam Lukács ao ponto de este afirmar que os frankfurtianos viviam no Grand Hotel Abgrund (Grande Hotel Abismo). Como quem mora em um Grande Hotel belo e melancólico, pois guardião dos últimos resquícios da civilização letrada, mas cuja sacada dá diretamente para um abismo. Lukács, no entanto, não percebeu que acabara por fornecer involuntariamente uma definição da exigência fundamental da filosofia - essa exigência de se confrontar com o caos, confrontar-se com o que aparece a um certo conceito de razão como abismo, e sentir-se bem. Pois esse sentimento nasce da certeza de que as pessoas não devem ter medo de ir onde não encontram mais as luzes projetadas pelas próprias imagens.

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    Romeu Felix16/02/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Fiz o fichamento sobre esta obra, a quem interessar:

    O livro "Grande hotel abismo" é uma análise crítica da teoria do reconhecimento, empreendida por Axel Honneth, um dos principais teóricos contemporâneos da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt. Safatle faz uma leitura rigorosa da obra de Honneth, destacando suas principais contribuições e limitações, ao mesmo tempo em que propõe uma reformulação da teoria do reconhecimento a partir de uma abordagem que envolve filosofia, psicanálise e literatura. O livro está dividido em seis capítulos. No primeiro, Safatle introduz as principais ideias de Honneth e sua crítica à "teoria da justiça" de John Rawls, defendendo que o reconhecimento é o fundamento ético e político de toda a vida social. No segundo capítulo, Safatle analisa as três esferas do reconhecimento propostas por Honneth: amor, direitos e solidariedade. Ele destaca a importância do amor como a esfera fundamental do reconhecimento, na qual se desenvolvem as relações mais íntimas e intensas de cuidado e reciprocidade. No entanto, Safatle também questiona a centralidade dada por Honneth à esfera dos direitos, argumentando que ela pode levar a uma visão formalista e abstrata da justiça. No terceiro capítulo, Safatle retoma a questão do amor, agora a partir da obra de Jacques Lacan, mostrando como a psicanálise pode enriquecer a teoria do reconhecimento e ajudar a compreender as relações de poder e dominação presentes nas relações interpessoais. No quarto capítulo, o autor volta-se para a esfera da solidariedade, criticando a forma como Honneth a entende, como um ideal abstrato de cooperação e intercâmbio de valores, sem levar em conta a dimensão do conflito e da luta de classes. No quinto capítulo, Safatle propõe uma reconstrução da teoria do reconhecimento a partir de uma leitura crítica da obra de Friedrich Nietzsche e seu conceito de "vontade de poder". Para Safatle, o reconhecimento só pode ser entendido a partir de uma perspectiva agonística, em que as lutas e conflitos entre diferentes forças e interesses são vistos como constitutivos da vida social. Por fim, no sexto capítulo, Safatle recorre a exemplos literários para ilustrar sua teoria do reconhecimento como uma ética do combate, em que os sujeitos se engajam em lutas por reconhecimento e emancipação. O livro de Safatle é uma leitura provocativa e instigante da teoria do reconhecimento, que busca superar suas limitações e propor uma visão mais crítica e complexa das relações sociais. Ao entrelaçar filosofia, psicanálise e literatura, o autor oferece uma abordagem interdisciplinar e original, que convida o leitor a repensar suas próprias concepções sobre a ética e a política. Por: Romeu Felix Menin Junior.

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    Vladimir Pinheiro Safatle

    Em suas obras o autor propõe uma releitura da tradição dialética por meio da teoria psicanalítica de Jacques Lacan, além da reformulação de categorias clássicas do pensamento marxista, como fetichismo, crítica e reconhecimento. É um dos responsáveis pela publicação de um importante estudo sobre a ditadura militar e suas ramificações no presente, intitulado: O que resta da ditadura: a exceção brasileira (Boitempo, 2010). Publicou também contribuições à filosofia da música, à crítica da cultura e à teoria psicanalítica. Assinou ainda a introdução à tradução brasileira da obra Bem-vindo ao deserto do real! (Boitempo, 2003), do filósofo esloveno Slavoj Žižek.

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    Vladimir Pinheiro Safatle