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    As mulheres do meu pai -

    José Eduardo Agualusa

    Tusquets
    2023
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-13: 9786555356113
    Português
    4
    152 avaliações
    Leram281Lendo18Querem371Relendo0Abandonos20Resenhas16
    Favoritos2Desejados371Avaliaram152

    Um romance sobre mulheres, música e magia: nestas páginas anuncia-se o renascimento da África, continente afetado por problemas terríveis, mas abençoado pelo talento da música, o sempre renovado vigor das mulheres e o secreto poder de deuses muito antigos. Em As mulheres do meu pai, sétimo romance do escritor angolano José Eduardo Agualusa e fruto de uma viagem feita por ele pela África, os limites entre ficção e realidade se misturam, se fundem e confundem. A cineasta portuguesa Laurentina, protagonista neste romance e personagem do sonho do próprio autor que o escreve, descobre ser filha biológica do famoso compositor angolano Faustino Manso. Descobre, além disso, que esse pai acabara de falecer, aos 81 anos. Decidida a reconstruir a trajetória do pai recém-descoberto, Laurentina viaja ao continente africano. Vai de Luanda às areias do deserto da Namíbia, da Cidade do Cabo, na África do Sul, a Maputo e à ilha de Moçambique. Em todos esses lugares, cruza o caminho de personagens algo oníricos, na fronteira entre o mágico e o estranho, em busca de fragmentos da vida do pai e das mulheres de sua vida ­– e, com isso, da própria história e de sua ancestralidade. “Não estamos nós, sempre, buscando um pai e um passado que, quando e se encontrado, se revela completamente diferente daquele que buscávamos? Mas o que mais importa nessa busca não são os segredos e as descobertas, e sim o próprio ato de buscar. Seguindo uma pergunta colocada no início do livro: De quantas mentiras se faz uma verdade?, descobre-se que a verdade, quando revelada, pode ser muito mais desinteressante do que as mentiras que se criam sobre ela e, como diz o romance, nada é tão verdadeiro que não mereça ser inventado.” – Noemi Jaffe, em colaboração para a Folha de São Paulo

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    DIRCE PIRES DO NASCIMENTO NANNI picture
    DIRCE PIRES DO NASCIMENTO NANNI02/01/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Engraçado, mui belo, dramático e necessita de uma releitura.

    Um livro mui belo, que acredito que muitos leem sem nenhum esforço, pois trata-se de linguagem simples e , com frequência , muito divertida, por mais que trate de assuntos dolorosos e trágicos, porém minha leitura requereu um certo esforço. Isto deu-se em razão que a estória apresenta um painel de personagens narradores, e também há a narração feita pelo próprio Angalusa, quando do seu encontro com a cineasta Karen Boswall. E pasmem ela é real, Desconfiei, e consultei meu fiel escudeiro ( Dr. Google), portanto, dentre outros fatos, ficção e realidade se entrelaçam. Na ficção personagem ganham forma quando Laurentina, logo após morte da mãe, descobre ter sido adotada e que seu pai legítimo seria Faustino Manso, um cantor que tivera 7 mulheres e 18 filhos (agora, pasmem: o nome do meu pai era Faustino . Digo era porque ele já é falecido, mas será que poderá surgir uma irmã chamada Laurentina na minha vida? )Imaginem o emoji com a carinha pensativa , pois então essa carinha sou eu , brincadeirinha, claro. Para o pesar de Laurentina, ela descobre que Faustino falecera recentemente e, por sugestão de Bartolomeu, seu sobrinho recém descoberto, ela resolve desbravar o território africano não só para conhecer a história do pai, como também fazer um documentário sobre ele . Seu namorado Mandume a acompanha , e eles seguem as pegadas do Faustino que os conduz por toda África Austral ( também consultei meu escudeiro e descobri que dela fazem parte : África do Sul, Angola, Botsuana, Lesoto, Maláui, Moçambique, Namíbia, Seicheles, Essuatíni (Suazilândia), Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue) embora, no romance não identifiquei todos esses. Bem, o discurso social, político feito por meio das narrativas ficcionais e reais mostram os aspectos culturais, identitário, racial e religiosa – a história viva do Continente africano, o colonialismo, as guerras, os fuzilamentos, quando da libertação de Angola, a Aids, a confusão identitária. Esta confusão identitária percebesse por meio da personagem Mandume que era um português filho de angolanos que cresceu com aversão à África, grande parte devido ao fuzilamento de dois tios envolvidos no Golpe de Estado ( dois ? o seria um ?). O final me surpreendeu de um modo positivo. E é isso : por meio de aparente descontração Anagaluza trata neste romance de temas que são no mínimo é cruéis. PS1.: Já dizia o Chacrinha: na televisão nada se cria tudo se copia. Pois então, a literatura não foge do ditado. Shakespeare deve ter ser inspirado para criar a peça Romeu e Julieta no mito de Píramo e Tisbe (Metamorfoses de Ovídio), já Conceição Evaristo deve ter se inspirado nesta obra o Agualusa para criar “Canção para ninar menino grande. Ps2: não demora e farei uma releitura desta obra.

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    4 / 152
    • 5 estrelas36%
    • 4 estrelas30%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas1%
    José Eduardo Agualusa profile picture

    José Eduardo Agualusa

    Agualusa é um dos mais importantes escritores em língua portuguesa da atualidade. Nascido em Angola, mudou-se ainda jovem para Portugal, para estudar agronomia e silvicultura. Acabou alterando a sua carreira para o jornalismo, passando a colaborar para vários jornais, entre eles o <i>Público</i>. Sua obra foi traduzida para mais de 25 idiomas, e em 2016 foi um dos finalistas do Prêmio Man Booker, pelo romance <i>Teoria geral do esquecimento</i>. É autor de romances, contos, novelas, livros infantis e peças de teatro. Sua estreia ocorreu, em 1988, com <i>A conjura</i>, romance que lhe valeu o Prêmio Sonangol Revelação de Literatura de Angola. Seus livros percorrem muitas realidades, mas estão mais centrados em personagens do que em lugares. Alguns deles são baseados em figuras reais como a poetisa Lídia do Carmo Ferreira (<i>Estação das chuvas</i>) e a rainha Ana de Sousa (<i>A rainha Ginga</i>). Também publicou <i>Nação crioula</i>, vencedor do Grande Prêmio de Literatura RTP, <i>Fronteiras perdidas, Barroco tropical</i>, e <i>O vendedor de passados</i>, que ganhou o Prêmio Independente de Ficção Estrangeira do jornal <i>The Independent</i>. Em 2017, venceu o Dublin Literary e, com o prêmio em dinheiro recebido, pretende instalar uma biblioteca pessoal na Ilha de Moçambique, aberta aos habitantes do local. José Eduardo Agualusa acredita que os livros são um território de pensamento e a literatura é um exercício permanente de colocar-se na pele do outro.

    52 Livros
    151 Seguidores

    José Eduardo Agualusa