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    Chuva de papel -

    Martha Batalha

    Companhia das Letras
    2023
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9786559215003
    Português Brasileiro
    3.7
    655 avaliações
    Leram833Lendo40Querem1166Relendo1Abandonos27Resenhas149
    Favoritos21Desejados1166Avaliaram655

    Em Chuva de papel, acompanhamos a trajetória de um repórter policial decadente que precisa encontrar forças para lidar com o dia a dia depois de uma situação inesperada. Nesse percurso, ele descobrirá uma história memorável que o fará escrever novamente. Terceiro livro da autora de A vida invisível de Eurídice Gusmão, este é um romance tragicômico, intenso e sensível. Joel Nascimento é repórter, arquivo vivo das transformações do Rio de Janeiro. Ele passou meio século nas redações noticiando o lado B da Cidade Maravilhosa, e agora enfrenta dificuldades financeiras, problemas familiares e alcoolismo. Após uma peculiar tentativa de suicídio, sua vida toma um rumo inesperado quando ele é obrigado a morar de favor com a tia de um amigo. Glória é uma senhora energética, que exige mais interações e boas maneiras do que ele está disposto a dar. A esse arranjo junta-se a falante vizinha Aracy e seus dois chiuauas grisalhos. Da convivência inesperada e pontuada por atritos corriqueiros emerge um companheirismo que preencherá o vagar das horas. À medida que Joel se ambienta à nova rotina, ele se verá diante de uma última história formidável, e sabe que deve contá-la. Passado e presente se alternam neste romance entremeado da crueza da vida marginal e de dissabores afetivos. "Neste romance vigoroso, são vários os começos na vida das personagens, estas em vertigem num Brasil que se acidenta sempre que amanhece." – Andréa Del Fuego "Martha Batalha sabe contar histórias. Ela parece usar com habilidade uma câmera com grandes angulares e zoom para compor o vibrante retrato de um bairro e dos seus tempos." – Cora Rónai "O repórter policial escreve a crônica cotidiana de sonhos estilhaçados e esperanças sem porvir. Como ele sobrevive a tantas histórias de dor, sangue e ruína? Essa pergunta perturbadora ressoa no novo romance, apaixonante e pungente, de Martha Batalha." – Mário Magalhães "Separar comédia de tragédia neste romance de Martha Batalha é tão impossível quanto traçar fronteiras nítidas entre morro e asfalto – ou entre mar e floresta, glória e decadência, doce e amargo – no Rio de Janeiro que é seu personagem principal." – Sérgio Rodrigues

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    Leila de Carvalho e Gonçalves  picture
    Leila de Carvalho e Gonçalves 01/04/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Rito De Passagem

    Joel Nascimento, lendário repórter carioca, terá de arcar com o ônus de uma vexatória tentativa de suicídio. Com uma perna quebrada em dois lugares, que precisa ficar imobilizada pelo menos três meses, ele é obrigado a abandonar o quarto alugado numa pensão, para morar de favor no apartamento de Dona Glória, tia de um jovem colega. Lá, ele receberá a devida atenção e, sobretudo, haverá alguém de olho, para impedi-lo de saltar novamente do parapeito de algum edifício. É uma nova realidade que se prolonga pela chegada da pandemia de COVID-19, resultando numa convivência difícil com uma desconhecida e seu círculo de amigos, como Aracy e seu casal de chihuahuas, que pouco a pouco faz as reminiscências transbordarem, tornando o Rio de Janeiro mais uma personagem do livro, e a cidade, destituída de idealizações, surge num esboço apaixonante e irretocável. Uma rotina que vai aparando as arestas de um machão com pinta de sedutor mas absolutamente inábil no trato com as mulheres. Por outro lado, Glória e Aracy trazem na bagagem o retrato de uma sociedade patriarcal que permite a mulher desempenhar apenas o papel de boa mãe e esposa, algo com que não foram premiadas. Enfim, reinterpretando Quincas Borba: “Aos homens, as batatas!” Chuva de Papel é o terceiro romance de Martha Batalha. Uma tragicomédia marcada pelo humor e a crítica social, suas especialidades. Aliás, virei fã da escritora desde que li seu livro de estreia: o impagável A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” e, em seguida, Nunca Houve Um Castelo. Quanto ao título, a tal chuva de papel simboliza um rito de passagem, o início de uma nova etapa, quando finalmente Joel conseguir fazer as pazes com o passado e, fortalecido, estiver disposto a encarar o futuro. Aliás, o desfecho traz à luz fatos surpreendentes, tornando os últimos capítulos uma montanha-russa repleta de emoções. Vida longa para Joel e boa leitura! “Mamãe provinha de uma linhagem de mulheres com movimentos limitados pelo preconceito do trabalho manual. Depois da morte de papai, ela precisou dispensar a empregada. Apareceu outra. Da minha idade, creio eu. Andava pela casa como um passarinho assustado, corpo sambando no uniforme da empregada anterior. Trabalhava por comida. Numa noite, tive insônia. Pedi um copo de leite para mamãe. ‘Peça para a Maria’, ela disse. Atravessei a cozinha rumo ao quartinho dos fundos. Empurrei a porta. No colchão encostado à parede, Maria dormia encolhida, a mão direita protegendo uma batata com pernas de palito. O quarto abafado cheirava a trabalho e a corpo limpo sem sabão. Encabulei, mas se minha mãe havia me dito para fazer era porque era o certo. Pedi o leite. Maria sentou-se no colchão e esfregou os olhos. Levantou-se e foi para a cozinha. Usou um banco para alcançar o gabinete com o copo. Serviu-me o leite numa bandeja. Estendi o braço. Eu estava exercendo um direito, que me pareceu errado, e percebi que era a minha percepção sobre o direito que estava errada num mundo engessado anterior a mim. Pensei em dizer a ela que tínhamos o mesmo nome. Fiquei calada. Ela também, nunca disse uma palavra. Minto. A batata com pernas de palito ela chamava de Lilica.” (Glória, Páginas 189 e 190)

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    • 2 estrelas9%
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    Martha Mamede Batalha

    Martha M. Batalha formou-se em jornalismo pela PUC Rio e tem mestrado em Literatura Brasileira pela mesma universidade. Trabalhou como repórter e editora dos jornais O Dia, O Globo, Extra e Globo On. Em 2003 Martha criou a editora e produtora cultural Desiderata, que lançou os best-sellers OMelhor do Pasquim e O Planeta Diário. O catálogo incluía títulos de Millôr Fernandes, Ivan Lessa, Jaguar e André Dahmer. A Desiderata também trouxe para o Brasil a maior exposição de fotojornalismo do mundo, a World Press Photo. Em 2008 a editora foi vendida para a Ediouro e Martha foi morar em Nova York. Lá, iniciou um mestrado em Publishing na New York University e recebeu a OSCAR DYSTEL FELLOWSHIP, maior prêmio concedido a estudantes do curso. Também em Nova York Martha estagiou na Harper Collins e trabalhou na editora Workman, onde desenvolveu a área de projetos institucionais. Martha sempre escreveu mas A vida Invisível de Eurídice Gusmão é seu primeiro livro a ser publicado. Seu livro de estreia foi vendido a 10 países e para o cinema antes de ser publicado no Brasil.

    13 Livros
    102 Seguidores

    Martha Mamede Batalha