Em 1986 ocorreu uma explosão na usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, as partículas radioativas se espalharam afetando a vida de toda a região. A cidade de Pripyat teve que ser evacuada, pessoas que trabalharam para conter o incêndio e realizar reparos foram severamente expostas e sofreram as consequências. No livro, Svetlana conversa com as pessoas que foram afetadas pela tragédia.
O livro é separado por relatos, monólogos e pequenas histórias de pessoas que viveram na região na época do desastre. A escrita traduz de forma crua o que elas disseram, fazendo com que seja uma leitura extremamente humana e tocante, porém, isso corrobora para que haja uma certa desconexão das ideias, principalmente em alguns monólogos.
Os relatos são muito fortes, a dor da perda de entes queridos, de como isso tudo afetou a vida das pessoas, as que tiveram que se mudar ou as que foram expostas e tiveram que conviver com o medo da morte e doenças relacionadas à radiação. Sem contar o preconceito, por virarem ?Pessoas de Chernobyl?. Outro ponto, é perceber como o governo enganou a população, dizendo que não era nada grave e não tomando as medidas iniciais cabíveis, sem fornecer equipamentos necessários, além de censurar quem queria alertar, e também como é difícil fazer as pessoas, sem o conhecimento científico, acreditarem na ciência que não se vê.
A leitura não é fácil, não só é denso pelo tema abordado e pelos relatos tristes e pesados emocionalmente, como também pela falta de uma linha de raciocínio, você não sabe qual pergunta foi feita, apenas tem as respostas das pessoas, em um dos monólogos há várias pessoas falando ao mesmo tempo, cada uma fala o que quer e são ideias desconexas, outros monólogos são assim também.
A primeira e a última histórias, que seguem uma linha estrutural mais definida, são incríveis, os Coros, que são os relatos mais curtos, também fazem jus ao prêmio Nobel recebido, mas os monólogos, além de alguns serem repetitivos, outros trazem informações que não cativaram muito meu interesse.
Foto e resenha no meu IG @marlonbsan. Quem puder, segue lá...