Um assassino está a solta e tem sede de sangue. Uma mulher é morta em seu apartamento depois de um encontro marcado pelo Tinder. As marcas no corpo mostram que a polícia está lidando com um assassino peculiar, quase sobrenatural. No pescoço, uma mordida brutal, e em toda parte, indícios de que o criminoso bebeu o sangue da vítima. Logo em seguida, outra mulher morre em condições semelhantes. A equipe de investigação, agora liderada por Katrine Bratt, se vê pressionada pela mídia. A repercussão é tamanha que o chefe de polícia, Mikael Bellman, precisa resolver os crimes o mais rápido possível para que sua reputação permaneça inabalada. Sua única saída é chantagear Harry Hole para trazê-lo de volta à Divisão de Homicídios. Ele não parece disposto a ajudar, mas semelhanças com casos passados o colocam frente a frente com o único monstro que já escapou de suas caçadas.
A Sede (Harry Hole #11) -
Jo Nesbø
A Sede, décimo primeiro volume da série Harry Hole de Jo Nesbø, não apenas segue o padrão de qualidade dos demais livros do autor como também está mais atual do que nunca. Nesse livro, duas mulheres são assassinadas após comparecerem a encontros marcados pelo Tinder. Além dessa semelhança, as duas foram encontradas com marcas de mordida, causadas por um antigo instrumento utilizado no período de escravidão. Assim como o Tinder, outras referências do tipo aparecem na trama dando a ela um ar mais moderno. Isso aliado ao humor peculiar, perspicaz e por vezes sarcástico do autor fazem da leitura mais atrativa nesses momentos. De qualquer maneira, esses são apenas detalhes em mais uma obra de Jo Nesbø extremamente bem construída e sagaz, que seria incrível mesmo sem as alusões à vida contemporânea ocidental. Como nos demais livros da série, A Sede traz uma narrativa em terceira pessoa que alterna perspectivas de diferentes personagens — de protagonistas a secundários, de policiais a assassinos —, fazendo da trama mais complexa por toda sua abrangência. Também, ao habilmente apresentar fragmentos de cenas e mesclando tramas secundárias com a principal, o autor cria o clima de mistério no enredo e ludibria o leitor a todo instante, manipulando-o para depois surpreendê-lo quando enfim revela o panorama completo do caso. Mais uma vez, pude constatar o quanto Jo Nesbø é magistral na construção da estrutura da obra: absolutamente nada do que o autor insere na narrativa é em vão, e mesmo as informações que aparentemente são banais e irrelevantes fazem parte de seu grande-quebra cabeça. Acredito que não haja muito o que ser dito da leitura que eu ainda não tenha mencionado em resenhas dos livros anteriores, considerando-se que grande parte de suas qualidades são comuns ao estilo da série como um todo. A particularidade de A Sede está sobretudo em sua atualidade; a brilhante construção do enredo e das personagens, muito bem delineadas, não são novidade em se tratando de Jo Nesbø. Novamente, encontrei uma leitura detalhada, intrigante e bem elaborada que ora me divertia e ora me causava asco pelas passagens ligadas aos assassinatos e que, mais uma vez, me fez enxergar o autor como referência no assunto thriller policial.
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