A Arte de Escrever - eBook

    Arthur Schopenhauer

    L&PM
    2005
    109 páginas
    3h 38m
    ISBN-10: B00A3D8VRI
    Português Brasileiro

    Nesta antologia de ensaios, o leitor vai encontrar textos que trazem as mais ferinas, entusiasmadas e cômicas reflexões acerca do ofício do próprio Schopenhauer, isto é, o ato de pensar, a escrita, a leitura, a avaliação de obras de outras pessoas, o mundo erudito como um todo. Embora redigidos na primeira metade do século 19, estes ensaios, ao tratar sobre o mundo das letras, os vícios do pensamento humano, as armadilhas da escrita e da crítica, continuam válidos – hoje talvez mais do que nunca. E, marca personalíssima do autor, são modernos, pulsantes de vida, de inteligência e humor.

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    Cristiane Abreu15/10/2009Resenhou um livro
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    A arte de não ler

    "A arte de escrever", do filósofo alemão Shopenhauer, é, já nas páginas iniciais, um soco no estômago. Frases como "O meio mais seguro para não possuir nenhum pensamento próprio é pegar um livro na mãos a cada minuto livre" fizeram com que eu interrompesse a leitura por alguns momentos, tentando digerir seu significado. Com a acidez que lhe é característica, Shopenhaeur condena toda literatura feita por aqueles que desejam unicamente ganhar dinheiro com ela. O filósofo enaltece aqueles que vivem PARA a literatura, em detrimento dos que vivem DA literatura. Para o alemão, a leitura não passa de um substituto do pensamento próprio. "É possível sentar e ler, mas não sentar e pensar". Porém, "sentar e pensar" foi o que me pus a fazer durante a leitura desse livro. Será que alguma vez na vida eu já tive um pensamento digno de ser considerado genuinamente original? Será que meus pensamentos não passam de um eco desbotado e fraco de uma reflexão anterior a minha? Ou pior: "Será que o fato de eu ocupar meu tempo livre com a leitura de um romance aparentemente inócuo me priva da descoberta de meus próprios pensamentos? Como bem constatou Shopenhauer, quando lemos alguém pensa por nós. o leitor só repete aquele processo mental "da mesma maneira que um estudante ao aprender a escrever refaz à caneta os traços que seu professor fizera à lápis". No entanto, não se faz apologia a não leitura, pelo contrário, Shopenhaeur estimula que se leia os grandes autores. De preferência nas suas línguas originais (quase sempre as antigas, como o latim). São reflexões muito pertinente, sem dúvida. Mas o leitor de "A arte de escrever" não deve se deixar impressionar pelo tom duro e categórico do autor. Muito do que é afirmado por Shopenhauer carrega também boa dose de exagero. Seu maior trunfo, na minha opinião, é desmistificar a literatura dita "difícil". Em linguagem de fácil compreensão, o filósofo alemão recrimina seus colegas (sobretudo Hegel) por mascararem falta de clareza com palavras difíceis. Também os acusa de produzirem textos que, por sua roupagem rebuscada, dão a impressão de dizer mais do que foi pensado.

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