Faltou falar sobre a história da Igreja
O livro é bom, mas não é o melhor de Stefan Zweig. Estão presentes a escrita elegante, a perspicácia psicológica ao analisar a personalidade das personagens, mas ele não deu a mesma atenção à história em si. Ele não fala, por exemplo, da infância de Erasmo, que era filho de padre católico com uma lavadeira. O leitor tem que estar familiarizado com a história da Reforma protestante para acompanhar e entender a história e o desenrolar dos acontecimentos. É uma pena, pois o livro poderia ter sido também uma excelente análise religiosa, com foco na Igreja católica e no papado, além de uma análise da gênese das Igrejas protestantes e das revoltas que fomentaram seu surgimento e agitaram a Europa no século XVI. O leitor que não conhecer essa história, corre o risco de ficar meio perdido no texto e achar o livro cansativo. O ponto alto é a análise da diferença entre as personalidades de Erasmo e Lutero. Trechos: “Para Erasmo, o humanista, Cristo é o mensageiro de toda a humanidade, o Divino, que deu o seu sangue para eliminar todo derramamento de sangue e todo conflito do mundo; por outro lado, Lutero, o soldado de Deus, enfatiza a palavra do Evangelho, que afirma que Cristo veio "não para trazer paz, mas a espada". “Lutero se transforma em um lobisomem, possuído por uma fúria gigantesca que nenhuma consideração ou justiça pode conter. De sua natureza natureza selvagem e violenta, ele busca essa guerra repetidamente ao longo de sua vida, porque a luta não parece ser apenas uma forma prazerosa de viver, mas também a mais moralmente correta. "Um homem, especialmente um cristão, deve ser um homem de guerra", ele diz, orgulhoso ao se olhar no espelho, e em uma carta posterior (1541), ele leva essa confissão até o céu com a afirmação misteriosa "é certo que Deus luta". No entanto, Erasmo, como cristão e humanista, não conhece um Cristo combativo e um Deus guerreiro. Ódio e vingança parecem a ele, o aristocrata da cultura, uma recaída no plebeu e no bárbaro. Toda a agitação, briga, cada disputa selvagem o enoja. Como uma natureza conciliatória, ele tem tanto desgosto pela luta quanto esse estado de coisas traz prazer a Lutero”







