O mal-estar na civilização -

    Sigmund Freud

    Martin Claret
    2020
    147 páginas
    4h 54m
    ISBN-13: 9786586014655
    Português Brasileiro

    "Em que medida a civilização é construída sobre a renúncia às pulsões, até onde ela tem como pressuposto justamente a não satisfação (a opressão, a repressão, ou algo assim) de pulsões poderosas?" Essa pergunta de Freud resume o teor deste texto que ele chamou de O mal-estar na civilização, em que ele analisa o choque entre as expectativas, desejos e pulsões do indivíduo na sociedade e as imposições da civilização. É uma das obras mais importantes do autor, escrita em 1929 e publicada em 1930, e faz parte de uma trilogia em que ele estabelece uma relação entre os elementos de uma teoria da consciência e uma teoria social.

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    Otávio Palmeira18/01/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    “Ao mesmo tempo, a partir desse exemplo podemos suspeitar que as duas espécies de instintos (Eros e Morte) raramente – talvez nunca – surgem isoladas uma da outra.” Sempre achei a psicologia um dos mais encantadores campos de saber da humanidade. Estudar e entender o que nos faz agir e pensar e como isso reflete em nosso comportamento social é o caminho para entender nosso passado, nosso presente e como poderá ser nosso futuro. E é impossível falarmos da psicologia sem citarmos Sigmund Freud. Escrito em 1929, quando o mundo estava prestes a enfrentar uma de suas principais crises econômicas, O Mal-estar na civilização é muito mais do que um texto sobre as formações da psicologia. Em cerca de 90 páginas, Freud expõe conceitos sobre a sociologia e a antropologia, sempre embasado em seus estudos psicanalíticos e sua percepção sobre a sociedade da época. Da eterna busca pela felicidade (e até como de fato a entendemos) até às críticas contra a religião e o modelo educacional da época, O Mal-estar na civilização é uma pesada e densa dose de conceitos que precisam ser lidos e entendidos com calma. Por ser um livro teórico, é nítido que não se nota uma preocupação com a estética ou com a fluidez do texto por parte do autor, mas tudo bem, ainda assim, com uma leitura atenta, é possível absorver e entender o que é falado ali. Assusta, mas depois de um tempo passa a fazer mais sentido. Eu, obviamente, não tenho a capacitação necessária para analisar tecnicamente uma obra do pai da psicanálise, mas ainda que tenha sido uma leitura densa, dessas que “fritam os neurônios”, é impossível sair dela sem uma bagagem importante que auxilia na compreensão do mundo que vivemos hoje. Sejam nas explicações dos instintos (Eros e Morte) ou dos conceitos de Eu, Super-Eu e ID, Freud entrega informações fundamentais e que pavimentaram estudos ainda mais profundos sobre a humanidade. Mais do que isso, faz lembrar a lição de “Conhece-te a ti mesmo” estampada no Templo de Apolo em Delfos e como nós precisamos nos entender para começarmos a compreender o universo que nos cerca.

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