O mal-estar na civilização -

    Sigmund Freud

    Textos para Reflexão
    2024
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-10: B0D6BTZH2W
    Português Brasileiro

    Podemos dizer que o texto mais importante de Freud foi publicado em 1930 com o título O mal-estar na civilização. Nesta obra vemos o fundador da psicanálise teorizando como um grande pensador da humanidade, disposto a comentar não apenas questões individuais e clínicas, mas sendo um pensador profundo, capaz de fazer uma análise da cultura e da sociedade. É uma obra importante não apenas para a psicanálise, mas também para a filosofia, a sociologia e outros campos científicos. No referido texto, Freud afirma que não há cura para o mal-estar. É da condição humana nunca estar satisfeito. Porém, mal-estar aqui significa mais do que um desconforto. Trata-se de uma condição existencial. Estar mal quer dizer que o ser humano nunca está em seu devido lugar. Se, por um lado, somos animais de instintos e desejos, por outro, desenvolvemos uma civilização que nos exige autocontrole e repressão individual para alcançar metas sociais maiores. Se desfrutamos da segurança e do conforto da vida em sociedade, também nos queixamos de sua corrupção e imperfeição inerentes, que nos força a renunciar da animalidade em busca de uma vida justa na cidade, que nunca se efetiva. Nesse não-lugar, nunca satisfeitos em casa ou fora dela, tampouco plenos na natureza ou na cultura, Freud afirma que o problema da felicidade é uma questão individual. Cada um deve encontrar os seus próprios meios de ser feliz. Não há uma receita para a felicidade: o que vale para um indivíduo não se aplica a outro, já que os desejos e necessidades são diferentes. Não podemos evitar as grandes causas do mal-estar, como o envelhecimento, a incompreensão do outro ou a incerteza da vida. Mas podemos fazer coisas que tornam a vida mais bela, agradável e interessante. Freud segue assim a filosofia socrática de que uma vida analisada é uma vida que vale a pena ser vivida. (trecho da Introdução desta edição) [ebook disponível para Amazon Kindle]

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    Otávio Palmeira18/01/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    “Ao mesmo tempo, a partir desse exemplo podemos suspeitar que as duas espécies de instintos (Eros e Morte) raramente – talvez nunca – surgem isoladas uma da outra.” Sempre achei a psicologia um dos mais encantadores campos de saber da humanidade. Estudar e entender o que nos faz agir e pensar e como isso reflete em nosso comportamento social é o caminho para entender nosso passado, nosso presente e como poderá ser nosso futuro. E é impossível falarmos da psicologia sem citarmos Sigmund Freud. Escrito em 1929, quando o mundo estava prestes a enfrentar uma de suas principais crises econômicas, O Mal-estar na civilização é muito mais do que um texto sobre as formações da psicologia. Em cerca de 90 páginas, Freud expõe conceitos sobre a sociologia e a antropologia, sempre embasado em seus estudos psicanalíticos e sua percepção sobre a sociedade da época. Da eterna busca pela felicidade (e até como de fato a entendemos) até às críticas contra a religião e o modelo educacional da época, O Mal-estar na civilização é uma pesada e densa dose de conceitos que precisam ser lidos e entendidos com calma. Por ser um livro teórico, é nítido que não se nota uma preocupação com a estética ou com a fluidez do texto por parte do autor, mas tudo bem, ainda assim, com uma leitura atenta, é possível absorver e entender o que é falado ali. Assusta, mas depois de um tempo passa a fazer mais sentido. Eu, obviamente, não tenho a capacitação necessária para analisar tecnicamente uma obra do pai da psicanálise, mas ainda que tenha sido uma leitura densa, dessas que “fritam os neurônios”, é impossível sair dela sem uma bagagem importante que auxilia na compreensão do mundo que vivemos hoje. Sejam nas explicações dos instintos (Eros e Morte) ou dos conceitos de Eu, Super-Eu e ID, Freud entrega informações fundamentais e que pavimentaram estudos ainda mais profundos sobre a humanidade. Mais do que isso, faz lembrar a lição de “Conhece-te a ti mesmo” estampada no Templo de Apolo em Delfos e como nós precisamos nos entender para começarmos a compreender o universo que nos cerca.

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