Homens em Guerra -

    Andreas Latzko

    Carambaia
    2021
    115 páginas
    3h 50m
    ISBN-10: B09BDPKQLH
    Português Brasileiro

    Oficial do exército Austro-Húngaro relata, em seis contos, o horror e o absurdo da guerra, em livro proibido que se tornou um libelo pacifista na Europa. Publicado anonimamente pela primeira vez em 1917, Homens em guerra é uma das grandes obras-primas da literatura publicadas durante a Primeira Guerra Mundial. O livro é composto por seis contos que trazem um relato pungente e ao mesmo tempo poético do horror, da loucura e do absurdo do conflito em curso. Muitas das cenas descritas foram vividas pelo autor, Andreas Latzko (1876-1943), húngaro de expressão alemã que atuou como oficial do Exército Real do Império Austro-Húngaro. Lançado na Suíça, onde o autor se recuperava de traumatismos sofridos no front, o livro foi traduzido em várias línguas e prontamente censurado nos países envolvidos no conflito. Latzko foi identificado como autor e destituído de seu posto militar. O livro tornou-se um dos principais libelos dos militantes pacifistas na Europa. Em texto raro sobre Latzko, de quem era entusiasta, o escritor austríaco Stefan Zweig relatou como foi a recepção de Homens em guerra na Europa: "Soltamos um grito de alegria: a verdade, acorrentada, tinha rompido suas correntes, suplantou as cem barricadas da censura, foi ouvida no mundo inteiro! Esperamos pelo livro, o livro proibido que os guardas espreitavam vigilantemente nas fronteiras para que não viesse envenenar a mentira tão bem cuidada pelo grande entusiasmo". A edição conta com um texto de apresentação de Stefan Zweig e um depoimento do escritor francês Romain Rolland, ambos entusiastas da literatura e da tomada de posição de Latzko. A tradução do alemão foi feita por Claudia Abeling.

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    Wellington R. Sacoman picture
    Wellington R. Sacoman24/02/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Homens em Guerra – 9,0

    Aproveitando que Putin me lembrou da importância desse livro, decidi escrever sobre. Homens em Guerra, ao ser publicado, foi proibido em todos os países combatentes da Primeira Guerra Mundial. Versões clandestinas circulavam, mas a proibição era forte. O motivo? Eis aqui uma obra que joga luz no que realmente uma guerra significa. Há descrições desde o dia a dia de um soldado até as festanças dos barões. Do cidadão comum ao poderoso. Escrito por um soldado traumatizado e internado (sofreu os estilhaços de uma granada, se não me engano), o livro é brutal. A Primeira Guerra é notória pela violência, pelas inúmeras formas disponíveis de se matar alguém. Armas químicas? Pode. Fogo? Bora. Veneno? Opa. Tudo vale no arsenal dos peões. De tão brutal, não consigo dar nota máxima; há náusea. Mas, se tem um livro que mostra a guerra, é esse. Recomendo fortemente. Tem vindo à minha mente, especialmente hoje, início da invasão na Ucrânia, o que Tolstói, meu russo favorito, escreve em Guerra e Paz. Não me recordarei das palavras. Mas é algo como: “Imagine se um soldado largasse as armas. E se as pessoas, uma a uma, uma onda, uma maré humana, se recusassem a fazer guerra? Por que 50 mil combatentes contra 50 mil é mais digno do que um contra um? Napoleão contra Alexandre, em duelo; quem ganhar, vence a guerra. Um chefe contra o outro. Mas não se recusam. Os movimentos humanos vão ora de leste para oeste, ora de oeste para leste. O ondular segue, ininterrupto. Mas e se parasse?”. A distância de Campinas, interior de São Paulo, para o sul da Bahia é basicamente a mesma de Berlim a Kiev. Imaginem o sul da Bahia sendo invadido e nós aqui, no Instagram, tranquilos; ou vice-versa. Essa é a perspectiva. Leiam Homens em Guerra. Leiam Guerra e Paz. E recordem-se do que viver significa.

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