Aproveitando que Putin me lembrou da importância desse livro, decidi escrever sobre. Homens em Guerra, ao ser publicado, foi proibido em todos os países combatentes da Primeira Guerra Mundial. Versões clandestinas circulavam, mas a proibição era forte. O motivo? Eis aqui uma obra que joga luz no que realmente uma guerra significa. Há descrições desde o dia a dia de um soldado até as festanças dos barões. Do cidadão comum ao poderoso.
Escrito por um soldado traumatizado e internado (sofreu os estilhaços de uma granada, se não me engano), o livro é brutal. A Primeira Guerra é notória pela violência, pelas inúmeras formas disponíveis de se matar alguém. Armas químicas? Pode. Fogo? Bora. Veneno? Opa. Tudo vale no arsenal dos peões. De tão brutal, não consigo dar nota máxima; há náusea. Mas, se tem um livro que mostra a guerra, é esse. Recomendo fortemente.
Tem vindo à minha mente, especialmente hoje, início da invasão na Ucrânia, o que Tolstói, meu russo favorito, escreve em Guerra e Paz. Não me recordarei das palavras. Mas é algo como:
Imagine se um soldado largasse as armas. E se as pessoas, uma a uma, uma onda, uma maré humana, se recusassem a fazer guerra? Por que 50 mil combatentes contra 50 mil é mais digno do que um contra um? Napoleão contra Alexandre, em duelo; quem ganhar, vence a guerra. Um chefe contra o outro. Mas não se recusam. Os movimentos humanos vão ora de leste para oeste, ora de oeste para leste. O ondular segue, ininterrupto. Mas e se parasse?.
A distância de Campinas, interior de São Paulo, para o sul da Bahia é basicamente a mesma de Berlim a Kiev. Imaginem o sul da Bahia sendo invadido e nós aqui, no Instagram, tranquilos; ou vice-versa. Essa é a perspectiva.
Leiam Homens em Guerra. Leiam Guerra e Paz. E recordem-se do que viver significa.