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    Colonialismo Digital (Estado de Sítio) - Por uma crítica hacker-fanoniana

    Deivison Faustino, Walter Lippold

    Boitempo
    2023
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9786557172254
    Português Brasileiro
    4.3
    55 avaliações
    Leram94Lendo40Querem296Relendo0Abandonos3Resenhas8
    Favoritos4Desejados296Avaliaram55

    Quais são os impactos das tecnologias em nossa sociedade? Que consequências enfrentamos com a concentração das principais ferramentas tecnológicas que regem a vida de milhões de pessoas no domínio de um punhado de empresas estadunidenses? De que maneira é possível relacionar algoritmos a racismo, misoginia e outras formas de violência e opressão? Em Colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana, Deivison Faustino e Walter Lippold entrelaçam tecnologia e ciências humanas, apresentando um debate provocador sobre diferentes assuntos de nossa era. Inteligência artificial, internet das coisas, soberania digital, racismo algorítmico, big data, indústrias 4.0 e 5.0, segurança digital, software livre e valor da informação são alguns dos temas abordados. A obra se inicia com um debate histórico e conceitual sobre o dilema das redes e a atualidade do colonialismo para, em seguida, discutir as expressões “colonialismo digital” e “racismo algorítmico”. Ao fim, apresenta uma reflexão sobre os possíveis caminhos a seguir, partindo das encruzilhadas teóricas e políticas entre o hacktivismo anticapitalista e o pensamento antirracista radical. Para discutir a relação dialética entre tecnologia, dominação e desigualdade e propor pautas fundamentais a movimentos sociais, os autores dispõem, ao longo da obra, da contribuição de intelectuais como Frantz Fanon, Karl Marx, Julian Assange, Shoshana Zuboff, Byung-Chul Han, Marcos Dantas, entre outros. A edição conta, ainda, com a colaboração de referências no debate nacional: a apresentação é de Sergio Amadeu, especialista em software livre e inclusão digital no Brasil; e o texto de orelha é de Tarcízio Silva, pesquisador e um dos maiores nomes do hacktivismo brasileiro. TRECHOS: “O ‘velho’ capitalismo foi e continua sendo irremediavelmente permeado pelo racismo, pelo sexismo, pela transfobia, pelo antropocentrismo especista etc. Neste cenário, a velha racialização colonial, que marca a atual reprodução social, condiciona a emergência do chamado racismo algorítmico, fenômeno que, como veremos, influi tanto sobre a divisão social do trabalho e do acesso às tecnologias disponíveis quanto sobre os desenhos tecnológicos e sua capacidade de promoção de vida ou de morte.” “É necessário alertar para certa colonização da vida pelas máquinas e pelos algoritmos, mas a pergunta que as pessoas nem sempre se fazem é: quem domina quem? Se a máquina domina o humano, ainda que por meio de uma servidão voluntária, quem domina a máquina? Em outras palavras, se algoritmos macabros colonizam nosso cotidiano para captar dados e induzir nosso comportamento e nossa subjetividade, com que razão o fazem? Será correto atribuir razão e, portanto, status de sujeito ao algoritmo quando ele próprio é programado por alguém com vistas à obtenção de determinados resultados?” “As novas tecnologias informacionais são a tônica de nosso velho e admirável mundo novo. Um mundo real onde tudo muda a velocidades crescentes, mas muda para intensificar e diversificar as velhas formas de produção e extração de mais-valor. As promessas de um capitalismo informacional ou imaterial, cidades inteligentes, smarthouses e trabalho em casa, tudo pervasivamente ligado a uma internet das coisas (IoT – internet of things), na verdade nos permitiram morar no trabalho e/ou em um shopping supostamente metavirtual, onde a vida vai sendo, cada vez mais, convertida em uma entediante e fungível coleção de mercadorias.”

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    Resenhas (8)Ver mais
    Alex Oestreich picture
    Alex Oestreich24/05/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Livro fundamental e necessário para entender nossa época!

    Na obra os autores buscam evidenciar as relações, nem sempre evidentes, entre o grande capital e concentração do conhecimento e da produção das ferramentas tecnológicas que estão influenciando nossa vida no dia a dia. Das redes sociais à indústria e mídia, o grande capital estende seus tentáculos sobre a produção de consenso e na produção exclusiva da tecnologia da informação com base na exploração de dezena de milhares de trabalhadores precarizados (os clickworkers), sem contar nos indiretos (como usuário comum que ajuda a refinar a assertividade das ditas 'inteligências artificiais). Além disso, as plataformas de tecnologia tendem a ser um espelho da sociedade em que vivemos. Para tanto, reflete em seu seio as violências e os preconceitos existentes em nossa sociabilidade. Assim como não existe "ciência Neutra", o mesmo vale para a ciência de dados, programação e TI.. Racismo, xenofobia, misoginia, exploração e um abismo entre o acesso e domínio dos conglomerados de informação e a população comum. Assim como entre os trabalhadores e o grande capital. O colonialismo invade o campo da tecnologia. E atualmente vivemos o período de "acumulação primitiva de dados".. Os dados, que são a nova commodity, o novo 'petróleo' é explorado por grandes blocos de capital que enriquecem enquanto se apropriam de todo tipo de dados - incluindo os biodados (vide os wearables que ano param de ser lançados; monitorando sono, ciclo menstrual, batimentos cardíacos e etc) - para refinar cada vez mais a capacidade de influenciar nossas vidas mediante 'micro-targeting' no nível mais básico, e/ou influenciar eleições e decisões coletivas. (vide o modelo Bannon de influencia utilizado nas eleições americanas, Brexit e até no Brasil recente) E o que Fanon tem haver com isso? Franz Fanon durante o processo revolucionário argelino, estabeleceu as bases de um pensamento decolonial autônomo com uma práxis voltada para a utilização e apropriação das armas do colonizador contra ele mesmo. Fanon nos legou o entendimento de que precisamos não fugir das ferramentas de opressão - em especial as tecnológicas, mas aprender a utilizá-las a nosso favor. Desse modo, urge a necessidade de os trabalhadores, as esquerdas e demais interessados num mundo livre de grilhões e da exploração. Para de negar a importância das redes sociais, da tecnologia da informação e se apropriar delas. Os autores transitam de maneira muito fluída entre várias linhas de pensamento de Marx a Fanon, de Assange a Han e shoshana zUboff. Passando por autores e pesquisadores brasileiros importantíssimos sobre o tema como: Sérgio Amadeu, Tarcísio Silva e Karina Menezes Hack ético, humanização das tecnologias.. Formação política e ético/moral dos programadores e mais importante, formação de um novo tipo de especialista em tecnologia. Urge a necessidade da abertura de um novo fronte na disputa de classes. Tanto Walter, como Deivison são pesquisadores de ponta no assunto e abrem uma janela de pesquisa e estudos muito importante. O livro é, e provavelmente será, a porta de entrada para uma série de estudos nesta linha. Obra Seminal e muito necessária.

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