Era uma vez... -

    Júlia Lopes de Almeida

    Janela Amarela
    2022
    48 páginas
    1h 36m
    ISBN-10: 6585000005
    Português Brasileiro

    Em "Era uma vez…" Julia Lopes de Almeida leva o leitor para o mundo da fantasia. Uma bela princesa que perde a mãe ainda bebê é criada pelo pai com muito zero e excesso de mimos. Crescendo neste mundo onde todas as suas vontades são atendidas a princesa torna-se cruel e egoísta. Um dia, passeando pelo reino, houve três cegos falarem de seu comportamento abusivo. Revoltada, ela cria desafios impossíveis que eles deverão cumprir para salvar suas vidas. Esta reedição do livro publicado em 1917 teve a ortografia atualizada e conta com notas explicativas, para termos e palavras fora de uso.

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    Taci Souza09/03/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A admiração que tenho por Júlia Lopes de Almeida ganha mais força à medida que me aventuro por suas obras. Cada livro seu que escolho ler carrega, além de uma escrita maravilhosa, o talento genuíno de uma mente criativa que se derrama e se expande através das páginas. ​A cada obra lida, torna-se mais inacreditável constatar que meu primeiro contato com a autora ocorreu apenas na vida adulta. Na minha trajetória escolar, até onde a memória alcança, seu nome jamais foi citado, permanecendo ofuscado por autores masculinos. ​Por que Júlia não foi mencionada junto aos grandes nomes da nossa literatura quando se estudava o cânone nacional? Pela mesma razão que lhe negou uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, a qual ela ajudou a fundar: o fato de ser mulher. ​Felizmente para nós, amantes de boas histórias, Júlia tinha talento e convicção de sobra para ousar usar a escrita como veículo para sua voz em uma sociedade que exigia das mulheres silêncio e submissão. Em vez de se diminuir para caber no papel ditado pelo patriarcado, ela escolheu se posicionar abertamente contra o racismo, o machismo e outras formas de preconceito. ​Em "Era uma vez", ela nos presenteia com um conto de fadas ousado, cuja princesa se distancia muito do ideal de doçura e bondade esperado de alguém com tal título. A protagonista era dotada de beleza, mas faltava-lhe altruísmo. Júlia, então, conduz a personagem, a princípio odiosa, por uma jornada de amadurecimento guiada pelas perspectivas e experiências de outros indivíduos, ensinando tanto à personagem quanto ao leitor o significado prático da empatia e destacando a importância da imaginação. ​Explorar a obra de Júlia atualmente, aproveitando qualquer oportunidade para enaltecer seu legado, é uma reparação histórica e uma forma de fazer justiça a ela e a tantas outras mulheres talentosas que sofreram o apagamento social.

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