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    É a Ales -

    Jon Fosse

    Companhia das Letras
    2023
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-13: 9788535935424
    Português Brasileiro
    3.5
    750 avaliações
    Leram993Lendo27Querem561Relendo1Abandonos22Resenhas150
    Favoritos28Desejados561Avaliaram750

    Do vencedor do Nobel de literatura 2023, um romance hipnótico e inesquecível sobre um homem que sai com um barco para nunca mais voltar, de uma mulher que permanece à sua espera e das marcas indeléveis que unem cinco gerações de uma família. Signe está deitada em um banco de sua casa no fiorde e tem uma visão de si mesma há mais de vinte anos: parada na janela esperando por seu marido Asle, no fatídico dia de novembro quando ele saiu com seu barco e nunca mais voltou. Suas memórias se ampliam para incluir a vida do casal e mais: os laços de família e os dramas que remontam a cinco gerações, até Ales, a trisavó de Asle. Na prosa vívida e alucinante que fez de Jon Fosse um dos mais destacados autores contemporâneos, esses momentos -- assim como os fantasmas do presente e do passado -- coexistem no mesmo espaço. É a Ales é uma obra-prima visionária e oferece uma reflexão assombrosa sobre o amor, a perda e o legado de nossos antepassados. "Um dos maiores escritores da Europa." -- Karl Ove Knausgård "O Beckett do século XXI." -- Le Monde "Os encantamentos de Fosse são tão indecifráveis quanto as sinfonias de Philip Glass ou as tomadas de Béla Tarr." -- The Paris Review "Como os melhores trabalhos de Faulkner, É a Ales trata de nossa relação inescapável com o passado e do reverberar misterioso da história através das gerações. Por meio de vozes e narrativas que se interrompem e interferem umas nas outras, Fosse retrata a dor -- e o amor -- que nunca podem ser expressos em palavras." -- The Atlantic

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    Ana Sá picture
    Ana Sá13/10/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O ruído do silêncio, a textura da ausência: Jon Fosse nos recorda do que a literatura é capaz

    Ao atribuir o Nobel de 2023 a Jon Fosse, a academia sueca exaltou a capacidade de sua obra "dar voz ao indizível", algo bastante notório em seu curto livro "É a Ales". Nele, a partir dos pensamentos e sentimentos de Signe durante os anos que sucedem o dia em que seu marido, Asle, foi ao mar e não mais voltou, acompanhamos o ruído do silêncio de uma casa desde então estruturada pela ausência de quem deveria estar lá. Esse vazio que se torna tão palpável pela caneta de Jon Fosse vem pra nos recordar do que a literatura é capaz. A repetição incessante, o fluxo de consciência e a pontuação transgressora não são recursos inéditos na literatura. Entretanto, o modo como Jon Fosse articula essas estratégias de escrita parece ser a base de sua digital literária. A alternância de vozes e de tempos narrativos em sua obra é impressionante! O fluxo de consciência e as memórias de Signe se cruzam, frequentemente, com o fluxo de consciência e com as memórias de Asle, justificando o uso autoral da pontuação que Fosse escolhe adotar. E se há repetição atrás de repetição é porque o silêncio da ausência badala todos os dias a mesma hora naquela casa que deveria abrigar dois. A saudade, o luto, tudo que nos esvazia é, afinal, repetição. E assim, o livro me encantou e me entristeceu na mesma medida. Mas a maestria de Fosse não termina ali. A relação do casal com o espaço interno e externo é excepcional. A casa, para Signe, é o lar de seu matrimônio, agora um espaço mutilado. Para Asle, ela é a casa que abrigou gerações de sua família, daí as memórias dos dois serem povoadas por cenas e por personagens distintos, o que torna fabuloso o (des)encontro de seus fluxos de pensamento. Quanto ao espaço externo, também dotado de significados diferentes para Signe e para Asle, o autor nos faz íntimos do "fiorde", essa paisagem de montanhas invadidas pelo mar, tão característica da Noruega. De uma região onde o frio, a escuridão e a força marítima integram a lista de fenômenos locais, Jon Fosse retira as tintas para compor uma paisagem íntima que soa familiar até para esta leitora de um país tropical. O mar que recorta as montanhas é o mesmo que embeleza e esvazia o horizonte de Signe. Como um fiorde, este livro me encantou e me entristeceu na mesma medida, também eu preciso repetir. Concordo com o filósofo e crítico literário Terry Eagleton quando ele explica que na literatura há muita continuidade, pois um livro é sempre, em alguma medida, um "déjà vu" do que outros escritores já foram capazes de fazer. Mas isso não significa, como esclarece o britânico, que não há novidade alguma. E Fosse me fez pensar nessa questão justamente porque o fato de eu ter encontrado em seu livro algumas das experiências que já tive com autores como Lispector, Beckett ou Faulkner não me impediu de fechar "É a Ales" e bradar: "Este aqui é Jon Fosse, e não outra coisa!". Nem continuidade absoluta, nem ruptura absoluta com o veio antes, a literatura do norueguês laureado com o Nobel de Literatura nos convida a uma narrativa excelente dos/para os nossos tempos.

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    3.5 / 750
    • 5 estrelas14%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas36%
    • 2 estrelas13%
    • 1 estrelas5%
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    Jon Olav Fosse

    Jon Olav Fosse (nascido em 29 de Setembro de 1959) é um escritor e dramaturgo norueguês. Fosse nasceu em Haugesund, Noruega. Estreou-se em 1983 com o romance Raudt, svart (Vermelho, preto). A sua primeira peça de teatro, Og aldri skal vi skiljast, foi encenada e publicada em 1994. Jon Fosse escreveu romances, contos, poesia, livros infantis, ensaios e peças de teatro. As suas obras foram traduzidas em mais de 40 idiomas. Fosse foi nomeado cavaleiro da Ordre national du Mérite de França em 2007. Fosse foi ordenado no número 83 na lista dos primeiros 100 gênios vivos pelo The Daily Telegraph. Desde 2011 que foi concedido a Fosse o "Grotten", uma residência honorária pertencente ao estado norueguês e localizada no Palácio Real de Oslo no centro da cidade de Oslo. O uso do Grotten como residência permanente é uma honra especialmente concedida pelo Rei da Noruega pelas contribuições para as artes e a cultura norueguesas. Fosse fez parte dos consultores literários da Bíblia 2011, uma tradução norueguesa da Bíblia publicada em 2011.

    29 Livros
    21 Seguidores

    Jon Olav Fosse