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    Manual do luto -

    Fabrício Carpinejar

    Bertrand Brasil
    2023
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-10: 6558382075
    Português Brasileiro
    4.3
    288 avaliações
    Leram407Lendo40Querem321Relendo1Abandonos7Resenhas76
    Favoritos11Desejados321Avaliaram288

    Após o sucesso de Depois é nunca, com mais de sessenta mil exemplares vendidos, Carpinejar, vencedor do Jabuti, aprofunda seu olhar sobre a despedida no emocionante Manual do luto. Se em Depois é nunca explicou que o luto não é uma doença e que dura a vida inteira, Carpinejar consegue o impossível: ir ainda mais além na tentativa de retratar o sofrimento da saudade. Agora fala diretamente com o enlutado. Cada capítulo é uma carta, e cada carta, uma lição de empatia. Ele aborda todas as dores do mundo, descreve as mais graves e pungentes perdas da existência: dos pais, de um amigo, de um irmão, de um filho, de um marido ou de uma esposa. Compara o luto a um trabalho incansável de poda da memória, de faxina existencial, em que toda despedida seria o equivalente a herdar um terreno para construir uma casa no local. “Não há nada lá, só mato e entulhos”, ele conclui. Com seu olhar de raio-x poético, o escritor enxerga a invisibilidade social de quem atravessa esse período marcado por confusão e privação. “Você deve estar se sentindo invisível, a morte de alguém próximo nos torna invisíveis. Atravessamos um portal para uma dimensão alternativa da rotina. Não somos vistos, não somos percebidos como antes. É como se a dor fosse um manto mágico do desaparecimento social. Você tampouco enxergava os enlutados antes da sua perda. Eles não tinham destaque, consistência, importância, densidade. Lembravam seres de um planeta secundário, desencaixados da normalidade e da perfeição de que até então desfrutava. E nem agia por mal, o desinteresse vinha da falta de um ponto de contato com a realidade do adeus. Agora parece que todo luto se evidencia ao seu lado. Se você é órfão, não para de notar órfãos na sua vizinhança. Eles sempre estiveram ali, próximos e acessíveis. Só não reparava porque não tinha nascido o terceiro olho do sofrimento na sua testa.” Até quem não perdeu um ente querido vai se render ao inventário de ausências e, por um momento, imaginar o que significaria a falta dele em sua rotina. Que o Manual do luto sirva de alerta para não adiar mais nenhum afeto, para não deixar nenhuma amizade fundamental para depois. Pois, “se a vida é um sopro, assobie”. Cante alto a sua presença.

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    Bia Martinho picture
    Bia Martinho17/05/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Manual do luto

    Carpinejar traçou cada linha do livro com propriedade do enredo onde discorre sobre o luto, acolhimento, negação, aceitação, dor, sofrimento e nos abraça com ternura e respeito. Como é importante ter alguém que aceita ouvir a dor do enlutado. Um livro que eu precisava muito ler e compreender algumas questões que ninguém soube me explicar. "Oferecer um colo, um cafuné, um abraço aquece qualquer dor." "Se a vida é um sopro, assobie."

    90 curtidas

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    Fabrício Carpinejar

    Fabrício Carpi Nejar, ou Fabricio Carpinejar, como passou a assinar em 1998 (Caxias do Sul, 23 de outubro de 1972) é um poeta e jornalista brasileiro. Filho dos poetas Carlos Nejar e Maria Carpi, adotou a junção de seus sobrenomes em sua estréia poética, As solas do sol, de 1998. Em 2003 publicou, pela editora Companhia das Letras, a antologia Caixa de sapatos, que lhe conferiu notoriedade nacional. Desde maio, mantém a coluna que antes era ocupada por Moacyr Scliar no jornal Zero Hora. É mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

    44 Livros
    595 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Fabrício Carpinejar