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    Violência -

    Fernando Bonassi

    Editora Record
    2023
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-13: 9786555877199
    Português Brasileiro
    4.1
    7 avaliações
    Leram10Lendo5Querem19Relendo0Abandonos1Resenhas2
    Favoritos0Desejados19Avaliaram7

    Violência, novo romance de Fernando Bonassi, é uma síntese crua e brutal do Brasil. Com ironia e precisão, a trama e seus personagens retratam as violências políticas e sociais de uma nação erguida sobre heranças coloniais. É sábado à noite quando um assessor político recebe, em sua casa, um escritor e sua esposa, professora universitária. O objetivo do assessor, ao convidá-los para o jantar, é o de conseguir o apoio do escritor à campanha de seu candidato. Mas um assalto à mão armada surpreende a todos e vai desvelar as camadas mais profundas dos atos violentos que atravessam o cotidiano brasileiro ― físicos, políticos, sexuais, raciais, de classe e de gênero. Com narrativa crua e brutal, que se passa em um final de semana, Violência retrata um Brasil construído a partir da escravidão, do preconceito e da desigualdade social. Os capítulos, curtos, sibilam pelas hipocrisias, privilégios e vícios da classe política dominante; pela corrupção e brutalidade policial, assim como sua vulnerabilidade; pelo racismo doméstico, político, carcerário, de sua manifestação mais sutil àquela que mata. Fernando Bonassi, mais uma vez, constrói um enredo extremamente crítico das atuais estruturas de poder e controle, com uma narrativa cômica e de forte teor cinematográfico, e personagens marcantes, extremamente reconhecíveis ao imaginário brasileiro. Sem se esquivar das brutalidades, complexidades e contradições sociais, o volume encerra uma espécie de trilogia do autor, composta ainda por Luxúria e Degeneração. Nas palavras de Tony Bellotto, que assina a orelha: “Violência é um espelho que, ao nos vermos refletidos nele, se estilhaça. Dos cacos pontiagudos reconstruiremos alguma imagem, e o cinismo redentor de Fernando Bonassi há de nos ajudar nessa tarefa inglória. Prepare os curativos e ajeite-se na poltrona. Você vai sangrar, mas dará risadas e certamente estranhará que esteja se divertindo com tanta infâmia. Risos não abafarão o arroto mudo de terror.”

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    volzpine14/06/2026Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    😬

    Violência foi uma leitura que me deixou com sentimentos mistos. Eu acho que o livro aborda temas extremamente importantes e necessários, mas sinto que faltou uma explicação mais clara sobre sua proposta antes de começar a leitura. Em vários momentos eu esperava uma estrutura mais próxima de contos ou de uma narrativa contínua, quando na verdade o livro funciona muito mais como uma coleção de fragmentos, quase como recortes de jornais antigos. O problema é que isso acabou tornando a leitura bastante cansativa para mim. Cada trecho traz reflexões e conteúdos relevantes, mas como eles são muito curtos, eu sentia que não tinha tempo suficiente para absorver tudo o que estava sendo discutido antes de passar para o próximo tema. Ao mesmo tempo em que uma ou duas páginas já encerravam uma ideia, eu tinha a sensação de que ainda não tinha aproveitado tudo o que aquele texto poderia oferecer. Por isso, acho que esse não é um livro para ser lido de uma vez só. Se eu pudesse dar uma recomendação, seria lê-lo aos poucos e até intercalá-lo com outra leitura. Foi o que senti falta durante a experiência. Depois de muitas páginas seguidas nesse mesmo formato, acabei me cansando, não pela falta de qualidade do conteúdo, mas pela forma como ele é apresentado. Ainda assim, é um livro que traz discussões valiosas e que merece ser lido com calma, quase como quem lê poesia: absorvendo um texto de cada vez em vez de tentar consumir tudo de uma só vez.

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 7
    • 5 estrelas43%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas0%
    Fernando Bonassi profile picture

    Fernando Bonassi

    Fernando Bonassi (São Paulo, no bairro da Mooca, 1962) é um escritor, roteirista, dramaturgo e cineasta brasileiro. Formado em cinema pela USP, tem se destacado pela narrativa versátil, transitando pela literatura e pelo audiovisual com a mesma fluidez. Sua primeira peça é de 1989, As Coisas Ruins da Nossa Cabeça, ainda inédita no palco, mas que ganha adaptação para o cinema, por Di Moretti e Toni Venturi, intitulada Latitude Zero, filme protagonizado por Débora Duboc, em 2001. Estréia no teatro com Preso Entre Ferragens, em 1990, espetáculo dirigido por Eliana Fonseca. Sobre sua estréia, comenta a crítica e repórter Beth Néspoli: "Texto teatral escrito por Bonassi, depois de ele ter presenciado um terrível acidente numa estrada de Cuiabá, Preso entre Ferragens ficou na gaveta do autor por dez anos, por ser considerado de difícil montagem. No entanto, personagens em situações claustrofóbicas e no limiar da tragédia já começam a tornar-se sua marca registrada". Em 1996, transpõe para o palco seu romance Um Céu de Estrelas, dirigido por Lígia Cortez, ganhando o prêmio de melhor texto na Jornada SESC de Teatro. No mesmo ano, o romance ganha versão cinematográfica nas mão da diretora Tata Amaral, tendo Leona Cavalli como atriz principal. A adaptação foi assinada por Jean Claude Bernardet e Roberto Moreira (Prêmio de melhor filme nos Festivais de Biarritz, Brasília e Trieste em 1997). Vencedor da bolsa do Kunstlerprogramm do DAAD - Deutscher Akademischer Austauschdienst, passou 1998 escrevendo o volume de contos intitulado O Livro da Vida, em Berlim. Seu romance Subúrbio teve os direitos comprados pelo DAAD, tendo também sido adaptado para o teatro no mesmo ano. Ainda no mercado alemão, em 2000 foi lançado seu livro infanto-juvenil Uma Carta Para Deus. Em dramaturgia, uma de suas criações cênicas mais notáveis até o momento, foi Apocalipse 1,11, espetáculo de 2000 inspirado no Apocalipse, de São João, último episódio do livro bíblico, junto ao Teatro da Vertigem de Antonio Araújo. Também merece destaque o texto Woyzeck desmembrado, desenvolvido em parceria com o ator Matheus Nachtergaele. Em cinema, merecem destaques suas co-autorias dos roteiros de Cazuza - O Tempo Não Pára e Carandiru. Seu curta-metragem O Trabalho dos Homens recebeu os seguintes prêmios: melhor roteiro no Festival de Cinema do Ceará e no Rio Cine Festival, além dos prêmios de melhor roteiro, melhor direção e melhor filme no Festival de Gramado. Além de escritor, roteirista e dramaturgo, Bonassi também atua como colunista do jornal Folha de S. Paulo desde 1997. Atualmente, integra o quadro de contratados da Rede Globo, onde desenvolve projetos em parceria com Marçal Aquino.

    31 Livros
    9 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Fernando Bonassi