Ideias para adiar o fim do mundo -

    Ailton Krenak

    Companhia das Letras
    2019
    73 páginas
    2h 26m
    ISBN-10: B07RNQB854
    Português Brasileiro

    Ailton Krenak nasceu na região do vale do rio Doce, um lugar cuja ecologia se encontra profundamente afetada pela atividade de extração mineira. Neste livro, o líder indígena critica a ideia de humanidade como algo separado da natureza, uma "humanidade que não reconhece que aquele rio que está em coma é também o nosso avô". Essa premissa estaria na origem do desastre socioambiental de nossa era, o chamado Antropoceno. Daí que a resistência indígena se dê pela não aceitação da ideia de que somos todos iguais. Somente o reconhecimento da diversidade e a recusa da ideia do humano como superior aos demais seres podem ressignificar nossas existências e refrear nossa marcha insensata em direção ao abismo. "Nosso tempo é especialista em produzir ausências: do sentido de viver em sociedade, do próprio sentido da experiência da vida. Isso gera uma intolerância muito grande com relação a quem ainda é capaz de experimentar o prazer de estar vivo, de dançar e de cantar. E está cheio de pequenas constelações de gente espalhada pelo mundo que dança, canta e faz chover. [...] Minha provocação sobre adiar o fim do mundo é exatamente sempre poder contar mais uma história." Desde seu inesquecível discurso na Assembleia Constituinte, em 1987, quando pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo para protestar contra o retrocesso na luta pelos direitos indígenas, Krenak se destaca como um dos mais originais e importantes pensadores brasileiros. Ouvi-lo é mais urgente do que nunca.

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    Cassio Kendi picture
    Cassio Kendi02/04/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O livro é curto, sendo uma transcrição de três palestras do autor. Gostei da linguagem direta e de ler sobre a visão de um representante de uma tribo indígena acerca da sociedade em que vivemos. Apesar do título do livro, não são passadas muitas ideias concretas sobre como adiar o fim do mundo. É mais uma provocação sobre a forma como nos enxergamos enquanto humanidade, e como a exclusão da natureza desta definição de 'nós' e a consequente ideia de que a natureza tem como propósito o mero consumo contribuem para a exaustão dos recursos naturais do planeta.

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