Em uma biblioteca secreta no interior de Portugal, um jovem fidalgo português descobre os livros proibidos que revelam a origem de uma garota órfã cujos pais foram queimados no auto-de-fé de 1685 e que, com a esperança de que o nome Sara lhe fosse apagado da memória, foi batizada como Maria. Entre viver sob o constante perigo da vigilância do tribunal do Santo Ofício e arriscar-se em busca de um tesouro escondido que seus ancestrais trouxeram das índias e do Brasil, o jovem fidalgo precisa tomar decisões que afetarão seu destino. Ali, nas masmorras da Inquisição, encontram-se os Silvas, os Coutinhos e os Carvalhos, que, implorando por suas vidas, são forçados, sob tortura, a confessar seu crime: o de praticar em segredo o judaísmo. Ali está Antônio José da Silva, famoso por suas comédias e peças teatrais que ridicularizam a sociedade portuguesa; e a fervorosa observante da lei mosaica Lourença Coutinho, que em segredo costumava acender velas ao entardecer das sextas-feiras. Através da imaginação, Camilo Castelo Branco nos convida a fazer uma viagem no tempo para conhecer de perto a história destes cristãos-novos que viveram o mesmo pesadelo de tantos outros, dos quais tantos brasileiros, sem nem saber, são descendentes. “Quem denunciou a família dos Silvas, e que motivo dera Lourença Coutinho para ser especialmente acusada de hebraísmo? Não o dizem os muitos biógrafos franceses, italianos, brasileiros e portugueses, que têm comemorado os infortúnios daquela família. Nem Barbosa, na Biblioteca Lusitana, nem Sismondi, na Littérature du midi de Europe... nem Vegezzi Ruscalla, na biografia d'il Giudeo Portughese. Uma palavra enche esta lacuna: INFÂMIA, que não há nome ainda inventado com que dar em sombra uns longes da protérvia da Inquisição, daquele braço ensanguentado que feria no rosto a honra de Portugal com o cetro dos reis”. Assim denuncia Camilo Castelo Branco os horrores da Inquisição portuguesa na biografia do escritor luso-brasileiro Antônio José da Silva, cognominado "o judeu". Antônio José da Silva nasceu em 1705 no Brasil Colônia, e formou-se na Universidade de Coimbra, em Portugal; interessado pela dramaturgia, escreveu notáveis obras teatrais que foram frequentemente encenadas na década de 1730, sendo ele hoje considerado um dos maiores dramaturgos portugueses de todos os tempos. Sendo de origem judaica, foi acusado do “crime” de praticar o judaísmo em segredo e levado às masmorras da Inquisição para aguardar o proferimento de sua sentença.


