Mármores (Clássicos da Literatura Luso-Brasileira #23) -

    Francisca Júlia

    Folha
    2023
    190 páginas
    6h 20m
    ISBN-13: 9786585641029
    Português Brasileiro

    Livro de estreia de Francisca Júlia, Mármores foi publicado em 1895. Dividido em quatro partes – sendo as duas centrais compostas por traduções do alemão de Heinrich Heine e Johann Wolfgang von Goethe –, o livro abre e fecha com poemas homônimos que reputaram à poeta paulista o famoso apelido de Musa Impassível. Francisca Júlia fez um sucesso tão estrondoso em sua época com os sonetos que publicava nos jornais que, como era comum num mundo que não admitia a possibilidade de associar talento e mulheres, acharam se tratar de um homem escrevendo sob pseudônimo. Mesmo considerada uma das primeiras mulheres parnasianas, Francisca Júlia flerta, sem deixar de lado o rigor formal, com motivos simbolistas, decadentistas e até mesmo românticos. Admirada por Machado de Assis e Mário de Andrade, a sua poesia densa, autorreflexiva e sonora já passa muito da hora de ser redescoberta. NOEMI JAFFE, escritora, autora de Lili: novela de um luto e O que ela sussurra, entre outros

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    Everton Vidal23/07/2021Resenhou um livro
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    Um pouco esquecida em nossos dias, Francisca Júlia é um dos nomes principais da poesia brasileira do início do século XX. Muito elogiada pela tríade do parnasianismo, Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira (os dois últimos também um pouco esquecidos) ela é normalmente considerada um sopro de inovação no movimento, devido à sua sonoridade e tendências simbolistas. Como é de praxe, sofreu com o machismo da época, que não podia crer que uma poesia tão madura pudesse ter sido escrita por uma mulher, e mais ainda por uma tão jovem, inclusive dois poemas deste livro (“Paisagem” e “Quadro Incompleto”) foram publicados quando ela tinha apenas 14 anos. Francisca Julia é muito elogiada pela sua austera impessoalidade, que é uma busca da escola parnasiana, poucas vezes alcançada de forma tão maestral. Ela e o seu poema "Musa Impassível" são a inspiração da escultura de mesmo nome, de Victor Brecheret. O livro "Luvas de Pelica", da Ana Cristina Cesar, também se refere a um verso de Francisca, presente no poema "No Baile". A edição presente é antiga, está no português da época e em pdf, até onde eu sei não há edições atuais, mas apesar da dificuldade a leitura vale a pena. Ela tem muito a dizer.

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