Primavera nos dentes - A história do Secos & Molhados – Ditadura, censura e sedição

    Miguel de Almeida

    Editora Record
    2023
    364 páginas
    12h 8m
    ISBN-10: 6555876824
    Português Brasileiro

    Na comemoração dos 50 anos do lançamento do seu primeiro álbum, a biografia completa do Secos & Molhados ganha uma edição ampliada e atualizada, que mostra como o grupo se tornou um marco da MPB e um dos símbolos da rebeldia contra a ditadura. Com João Ricardo, Gérson Conrad e Ney Matogrosso, um novo grupo improvável, de nome curioso, se formava. Em Primavera nos dentes, acompanhamos a vida de cada um dos membros do Secos & Molhados desde antes da fama, o caminho que os uniu, o estouro de suas músicas, a performance única que inauguravam em período de repressão e os conflitos que levaram ao fim do grupo. Ao contar essa história, Miguel de Almeida traça também a história do movimento cultural brasileiro durante os duros anos da ditadura militar. Ney fugira de casa aos 17 anos, brigado com o pai ― um militar da Aeronáutica que não aceitava ter um artista na família. Muitas vezes, não tinha o que comer, mas não se importava. Morava em casas de amigos e tinha uma vida simples, buscando seguir sua carreira de ator, até que conheceu João Ricardo, um jornalista português, e Gérson, um jovem estudante de Arquitetura, que procuravam um cantor para sua banda de rock. Nenhum deles imaginava o sucesso que estaria por vir. O primeiro álbum do Secos & Molhados foi lançado em 1973. Em um ano, cerca de 1 milhão de LPs foram vendidos. Em fevereiro de 1974, a banda protagonizou outro recorde: uma apresentação para 20 mil pessoas no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Nunca antes o show de um único nome brasileiro havia atingido tamanho público ― sendo que mais 20 mil pessoas ficaram do lado de fora, sem conseguir comprar ingresso. O mais impressionante dessa imprevisível ascensão estratosférica era como um período de tão poucas liberdades, sob uma ditadura militar sanguinária, produziu um artefato cultural de altíssima rebeldia. A rebeldia criativa do grupo driblava a censura, fazendo uso sobretudo da poesia e do teatro, e, com suas performances inusitadas, dava espaço a discussões de gênero e de liberdade, mesmo num período histórico de repressão. A partir de pesquisas e entrevistas, Miguel de Almeida recria em Primavera nos dentes alguns episódios icônicos, com direito a falas e narrativas reconstruídas, num ritmo tão empolgante quanto o das músicas do grupo. Em 2023, ano em que se comemoram 50 anos do lançamento do primeiro álbum do Secos & Molhados, esta biografia ganha uma edição ampliada, com capítulos inéditos e informações atualizadas que ajudam a compreender melhor o quadro cultural do período, a relação basilar entre teatro e música, e o trânsito de ideias, estéticas e personagens desse grupo que fez história na música brasileira.

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    Fernanda Alves13/11/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O furacão chamado Secos & Molhados

    Recomendo todos a ler biografias de caricaturas nacionais desta época, seja pessoas como Tim Maia e Rita Lee ou bandas como Secos & Molhados. É uma história muito rica não só sobre eles como bandas e pessoas famosas, mas também trazendo a contextualização da época, o desenvolvimento da música nacional, com todas as suas revoluções ao longo dos anos, sobre a ditadura militar e suas injustiças com a classe artística como um todo, sobre a evolução do teatro e suas muitas peças que tem muito peso cultural até hoje... Agora sobre a história desta banda maravilhosa que tem como artista principal ele ninguém mais, ninguém menos do que o talentoso, artista, aquele que não queria fazer mais do mesmo, não queria ser cantor mas sim ator e que no final foi o cantor que mais representou no palco Ney Matogrosso. E a idéia genial do João Ricardo de burlar a censura militar musicando poemas de autores consagrados também é um ponto importantíssimo porque isso também chamou grande atenção do público. Eles trouxeram uma pequena revolução para a cultura nacional na época e até hoje suas músicas são sucesso, eu pelo menos AMOOO. Neste livro conseguimos acompanhar a cultura brasileira se desenvolvendo em meio a ditadura. Peças teatrais com os atuais monstros, muita música e vários ataques de um bando de extremistas apoiadores da ditadura que não tinha nada de cultos... Frase que resume Ney Matogrosso: "... envolvia uma compreensão sobre liberdade individual, de como se colocar no mundo e de romper preconceitos, não mantê-los"

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