Verdade tropical - Edição comemorativa

    Caetano Veloso

    Companhia das Letras
    2017
    512 páginas
    17h 4m
    ISBN-13: 9788535929898
    Português Brasileiro

    Ao narrar sua formação cultural - que inclui música, cinema, artes plásticas, literatura e filosofia -, Caetano Veloso não se limita a escrever uma autobiografia. Nessa mistura de memórias, ensaio e História, tendo como eixo central a eclosão do tropicalismo em meio aos anos de chumbo, o autor esmiúça momentos decisivos da ditadura militar e os nomes com quem travou apaixonadas conversas. Partindo de Santo Amaro, na Bahia, onde leu Clarice Lispector, assistiu a 'La strada', ouviu João Gilberto e teve sua primeira relação sexual, suas lembranças atravessam a adolescência, a prisão em 1968, o exílio em Londres e chegam ao fim da década de 1990 para compor um extraordinário panorama do Brasil. A nova edição de 'Verdade tropical', com projeto gráfico redesenhado, inclui texto inédito escrito especialmente para este volume. Em “Carmen Miranda não sabia sambar”, Caetano pondera sobre as duas décadas que se passaram entre o lançamento do livro, em 1997, e hoje. Aos 75 anos, ele se debruça sobre sua trajetória musical – e também literária – para um acerto de contas com suas experiências pessoais, além de analisar assuntos relacionados à cultura, política e identidade do país. “Sou brasileiro e me tornei, mais ou menos involuntariamente, cantor e compositor de canções', ele escreve. 'Fui um dos idealizadores e executores do projeto da Tropicália. Este livro é uma tentativa de narra e interpretar o que se passou.”

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    Tiago Porto12/06/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Admiro mais ainda Caetano depois do livro

    Caetano começa falando do vazio da estética Rock and Roll dos santamarenses, que se conectavam apenas ao figurino e não ao perfil revolucionário americano. Fala das hipocrisias de uma cidade católica, sagrada e profana. Fala de sua vida lá quando criança, da criança extrovertida e artista que foi, das influências do cinema europeu, das músicas tradicionais brasileiras (João Gilberto, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga). Bethânia e Caetano se mudam pra estudar em Salvador e começam a se envolver com arte. Vão pro Rio e Bethânia começa o espetáculo cantando Carcará e depois se fixa nas noites cariocas. Nessa época a bossa nova é o principal ritmo. Caetano tem mais interesse pelo cinema e acredita que seus dotes musicais são muito modestos. Começam as primeiras composições que irão fazer parte do tropicalismo, como Paisagem Útil e Alegria Alegria. Nessa época Elis Regina fazia sucesso nos programas de TV, duelava com Nara, que juntamente com Gil, Caetano, Bethânia, Gal, os Mutantes e Tom Zé lançaram o primeiro disco do Tripicalismo, esse movimento cultural que envolvia várias expressões artísticas. Caetano começa a ter mais aparições na TV, nos festivais de música, e começa a ganhar dinheiro. Se muda pra SP e vive bem feliz com Dedé, recebendo amigos, hospedando artistas; ele relata suas primeiras experiências com drogas, mas não curtiu. O relato da censura, da ditadura e da prisão são fortes e tristes. Caetano é detalhista no relato e dá pra imaginar os tempos sombrios do período. Seu relato do primeiro Carnaval na Bahia após a prisão foi muito poético, emocionante.

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